December 6, 2012 - 02:00
Jornal O VALE
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Usuários de crack vivem no esgoto em São José
Usuários de crack próximos à avenida Jorge Zarur. Foto: Wendell Marques/OVALE
O grupo passou a morar no viaduto Nadim Rahal e tomam banho no córrego do Vidoca
João Paulo SardinhaBOM DIA São José
Dos edifícios de luxo, é possível enxergar a nova cracolândia de São José. Há um mês, usuários de crack adotaram a rede de esgoto da avenida Jorge Zarur, região central da cidade, para sustentar o vício na pedra.
O grupo passou a morar no viaduto Nadim Rahal, onde também toma banho e mata a sede nas águas poluídas do córrego Vidoca.
Na tarde de ontem, cerca de dez usuários estavam no local. “Aqui é mais sossegado. Não tem pilantragem. Podemos fumar nosso baseado em paz”, disse um dos moradores do esgoto.
A situação é de extrema miséria. Os moradores de rua mal se alimentam. Sustentam o vício com furto e esmola. A maioria chegou à cidade há poucos meses.
Viajante. Caso do pernambucano Ademir Monte da Silva, 42 anos. Nascido em Paudalho, município de 51.357 habitantes, ele se mudou para o Rio de Janeiro ainda criança. “Meu pai não me quis. Disse que eu era muito atentado e me mandou para o Rio. Lá passei a morar na favela”, contou.
Ao arrumar emprego de manobrista numa empresa de ônibus, que fazia o trajeto Rio-São Paulo, foi parar na capital paulista. Até chegar a São José foi um pulo. Por aqui, virou morador de rua e usuário de droga.
“Tive a oportunidade de ganhar dinheiro. Aqui no viaduto, também existem homens de verdade, pessoas do bem”, afirmou Silva.
Dos edifícios de luxo, é possível enxergar a nova cracolândia de São José. Há um mês, usuários de crack adotaram a rede de esgoto da avenida Jorge Zarur, região central da cidade, para sustentar o vício na pedra.
O grupo passou a morar no viaduto Nadim Rahal, onde também toma banho e mata a sede nas águas poluídas do córrego Vidoca.
Na tarde de ontem, cerca de dez usuários estavam no local. “Aqui é mais sossegado. Não tem pilantragem. Podemos fumar nosso baseado em paz”, disse um dos moradores do esgoto.
A situação é de extrema miséria. Os moradores de rua mal se alimentam. Sustentam o vício com furto e esmola. A maioria chegou à cidade há poucos meses.
Viajante. Caso do pernambucano Ademir Monte da Silva, 42 anos. Nascido em Paudalho, município de 51.357 habitantes, ele se mudou para o Rio de Janeiro ainda criança. “Meu pai não me quis. Disse que eu era muito atentado e me mandou para o Rio. Lá passei a morar na favela”, contou.
Ao arrumar emprego de manobrista numa empresa de ônibus, que fazia o trajeto Rio-São Paulo, foi parar na capital paulista. Até chegar a São José foi um pulo. Por aqui, virou morador de rua e usuário de droga.
“Tive a oportunidade de ganhar dinheiro. Aqui no viaduto, também existem homens de verdade, pessoas do bem”, afirmou Silva.
Foto: Wendell Marques/OVALE
Arte. Outra forma de ganhar dinheiro no local é fazendo arte. R., 45 anos, saiu de Catalão (GO) para viver como hippie. Há poucas semanas, vivia em Caraguatatuba. De carona em carona, chegou a São José.
Para sustentar o vício no crack, faz arte para vender na rua. Com latas de refrigerante e cerveja, produz pulseiras e colares. “É assim que ganho a vida. Faço arte há mais de duas décadas. Estou aqui, mas não tenho sequer documentos”, concluiu R.
Outro ladoPrefeitura diz que já tentou ajudar usuários
São José dos Campos
A Secretaria de Desenvolvimento Social informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que já fez duas abordagens no local, mas os dependentes químicos resistem à ajuda do poder público. A Prefeitura de São José ainda destacou que os moradores são agressivos e, inclusive, ameaçaram a integridade física das assistentes sociais que visitam o viaduto Nadim Rahal, na avenida Jorge Zarur, região central da cidade. Apesar da resistência, a prefeitura informou que fará novas abordagens no local nos próximos dias.
Os moradores, ouvidos pelo BOM DIA, confirmaram que não pretendem sair dali para morar no abrigo público.
Arte. Outra forma de ganhar dinheiro no local é fazendo arte. R., 45 anos, saiu de Catalão (GO) para viver como hippie. Há poucas semanas, vivia em Caraguatatuba. De carona em carona, chegou a São José.
Para sustentar o vício no crack, faz arte para vender na rua. Com latas de refrigerante e cerveja, produz pulseiras e colares. “É assim que ganho a vida. Faço arte há mais de duas décadas. Estou aqui, mas não tenho sequer documentos”, concluiu R.
Outro ladoPrefeitura diz que já tentou ajudar usuários
São José dos Campos
A Secretaria de Desenvolvimento Social informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que já fez duas abordagens no local, mas os dependentes químicos resistem à ajuda do poder público. A Prefeitura de São José ainda destacou que os moradores são agressivos e, inclusive, ameaçaram a integridade física das assistentes sociais que visitam o viaduto Nadim Rahal, na avenida Jorge Zarur, região central da cidade. Apesar da resistência, a prefeitura informou que fará novas abordagens no local nos próximos dias.
Os moradores, ouvidos pelo BOM DIA, confirmaram que não pretendem sair dali para morar no abrigo público.
Situação não é novidade em São JoséSão José dos Campos
Morar no esgoto em São José não chega a ser uma novidade. Em abril deste ano, o BOM DIA revelou que usuários de droga se aglomeravam na tubulação da avenida Fundo do Vale para consumir cocaína e crack.
Problema semelhante foi mostrado no viaduto Raquel Marcondes e na passarela Berenice dos Santos, também na avenida Fundo do Vale, a poucos metros da Prefeitura de São José.
Após a série de reportagens publicada pelo BOM DIA, a Polícia Militar chegou a fazer operações para afastar usuários de droga das cracolândias da região central. A prefeitura também lacrou o viaduto Raquel Marcondes, conhecido como ‘A Boca do Diabo’.
Ação. A ‘Operação impacto’, além de tentar tirar os dependentes da rua, também mapeou as cracolândias da cidade.
A rua Major Antônio Domingues, próximo ao 1º DP (Distrito Policial), a praça Afonso Pena, a rua Humaitá e também os arredores da Rodoviária Velha foram outros pontos considerados ‘cracolândias’.
“Nestes locais, é mais fácil conseguir arrumar pedra, porque as bocas estão mais próximas. Mas, em compensação, aqui no Vidoca temos mais tranquilidade. A polícia quase não passa por aqui”, disse um usuário do viaduto Nadim Rahal, na avenida Jorge Zarur.
Morar no esgoto em São José não chega a ser uma novidade. Em abril deste ano, o BOM DIA revelou que usuários de droga se aglomeravam na tubulação da avenida Fundo do Vale para consumir cocaína e crack.
Problema semelhante foi mostrado no viaduto Raquel Marcondes e na passarela Berenice dos Santos, também na avenida Fundo do Vale, a poucos metros da Prefeitura de São José.
Após a série de reportagens publicada pelo BOM DIA, a Polícia Militar chegou a fazer operações para afastar usuários de droga das cracolândias da região central. A prefeitura também lacrou o viaduto Raquel Marcondes, conhecido como ‘A Boca do Diabo’.
Ação. A ‘Operação impacto’, além de tentar tirar os dependentes da rua, também mapeou as cracolândias da cidade.
A rua Major Antônio Domingues, próximo ao 1º DP (Distrito Policial), a praça Afonso Pena, a rua Humaitá e também os arredores da Rodoviária Velha foram outros pontos considerados ‘cracolândias’.
“Nestes locais, é mais fácil conseguir arrumar pedra, porque as bocas estão mais próximas. Mas, em compensação, aqui no Vidoca temos mais tranquilidade. A polícia quase não passa por aqui”, disse um usuário do viaduto Nadim Rahal, na avenida Jorge Zarur.
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