REGIÃO
Jornal O VALE
December 16, 2011 - 03:00
Entidade fantasma terceiriza’ convênio milionário do Estado

Marcelo Caltabiano
ONG comandada por empresária de São José assinou contrato com o governo Geraldo Alckmin (PSDB) para treinar judocas em Bastos (SP), mas subcontratou funcionários de outra entidade para o serviço
Tânia CampeloEditora do BOM DIA
O Centro de Excelência de Judô de Bastos (SP) revela novos indícios de irregularidades em um dos convênios firmados entre o Estado e a Lider, ONG com sede fantasma presidida pela empresária Sônia Molina, de São José dos Campos.
Apesar de ter sido contratada para executar o projeto em Bastos, a Lider (Liga de Desportos de Rendimento e de Base da Capital, Vale do Paraíba e Litoral Norte) ‘terceirizou’ o projeto. Os trabalhos são realizados pela Associação de Judô de Bastos.
A ONG de São José recebeu em maio R$ 1,15 milhão para executar por um ano o projeto Centro de Excelência de Judô, da Secretaria de Esporte, Lazer e Juventude, na Capital e em Bastos.
O extrato do convênio não discrimina o valor destinado a cada cidade.
Bastos fica na região de Marília, a cerca de 500 quilômetros de São José --quase seis horas de viagem.
A Lider não possui funcionários em Bastos. Profissionais da associação que trabalham no projeto do Centro de Excelência de Judô afirmaram desconhecer a ONG.
“Nunca ouvi falar desta entidade \[Lider\]. Nós realizamos o projeto junto com a Associação, mas quem paga a gente é uma ONG de São Paulo”, disse um dos profissionais entrevistados pelo O VALE/BOM DIA, que pediu para não ser identificado.
Gastos. Ele afirmou que o gasto médio do projeto em Bastos fica em torno de R$ 14 mil, incluindo alimentação, coordenação, professor e administração.
“Quando gastamos mais com médicos e viagens para competição, esse valor sobe um pouco”, ressaltou.
Ele afirmou ainda que os profissionais recebem por RPA (Recibo de Profissional Autônomo) e que todos os comprovantes de despesas são encaminhados para São Paulo. Ele não informou o nome da pessoa que receberia os comprovantes.
De acordo com a Associação de Judô de Bastos, o projeto atende 27 atletas na cidade, sendo 12 residentes (que ficam no alojamento do centro) e 15 não-residentes.
A direção da associação não quis comentar o assunto. Segundo a secretária que se identificou como Jose, essa semana foi realizada uma reunião e todos foram orientados a não falar sobre o Centro de Excelência.
“É para procurar a Secretaria de Esportes do Estado. Eles são os responsáveis pelo projeto”, disse Jose.
A Lider, Lineri e a Federação Paulista de Ciclismo receberam este ano um total de R$ 12,3 milhões por meio de convênios firmados com a Secretaria de Esportes do Estado, sem licitação.
As três instituições têm ligação com Marcos Mazzaron, ex-candidato a deputado estadual pelo PTB (veja quadro ao lado)
Outro Lado. A assessoria de imprensa da Secretaria de Esportes, Lazer e Juventude do Estado não comentou a ‘terceirização’ do Centro de Excelência de Judô de Bastos. Segundo a pasta, todos os convênios foram realizados com base na legislação em vigor.
Na última segunda-feira, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) pediu um pente-fino nos convênios firmados com a Lider, a Lineri (Liga Nacional de Desportos deRendimento e Inclusivos) e a Federação Paulista de Ciclismo --as duas últimas, registradas em São Bernardo do Campo.
A investigação dos contratos será feita pela CGA (Corregedoria Geral da Administração). Segundo a assessoria de imprensa do governo estadual, o corregedor não vai comentar a investigação até a conclusão dos trabalhos, que deve ocorrer em 30 dias.
Sônia Molina foi procurada pelo O VALE/BOM DIA ontem, mas novamente não atendeu as ligações. Além da Lider, ela também comanda o Clube de Ciclismo de São José (leia texto ao lado).
O Centro de Excelência de Judô de Bastos (SP) revela novos indícios de irregularidades em um dos convênios firmados entre o Estado e a Lider, ONG com sede fantasma presidida pela empresária Sônia Molina, de São José dos Campos.
Apesar de ter sido contratada para executar o projeto em Bastos, a Lider (Liga de Desportos de Rendimento e de Base da Capital, Vale do Paraíba e Litoral Norte) ‘terceirizou’ o projeto. Os trabalhos são realizados pela Associação de Judô de Bastos.
A ONG de São José recebeu em maio R$ 1,15 milhão para executar por um ano o projeto Centro de Excelência de Judô, da Secretaria de Esporte, Lazer e Juventude, na Capital e em Bastos.
O extrato do convênio não discrimina o valor destinado a cada cidade.
Bastos fica na região de Marília, a cerca de 500 quilômetros de São José --quase seis horas de viagem.
A Lider não possui funcionários em Bastos. Profissionais da associação que trabalham no projeto do Centro de Excelência de Judô afirmaram desconhecer a ONG.
“Nunca ouvi falar desta entidade \[Lider\]. Nós realizamos o projeto junto com a Associação, mas quem paga a gente é uma ONG de São Paulo”, disse um dos profissionais entrevistados pelo O VALE/BOM DIA, que pediu para não ser identificado.
Gastos. Ele afirmou que o gasto médio do projeto em Bastos fica em torno de R$ 14 mil, incluindo alimentação, coordenação, professor e administração.
“Quando gastamos mais com médicos e viagens para competição, esse valor sobe um pouco”, ressaltou.
Ele afirmou ainda que os profissionais recebem por RPA (Recibo de Profissional Autônomo) e que todos os comprovantes de despesas são encaminhados para São Paulo. Ele não informou o nome da pessoa que receberia os comprovantes.
De acordo com a Associação de Judô de Bastos, o projeto atende 27 atletas na cidade, sendo 12 residentes (que ficam no alojamento do centro) e 15 não-residentes.
A direção da associação não quis comentar o assunto. Segundo a secretária que se identificou como Jose, essa semana foi realizada uma reunião e todos foram orientados a não falar sobre o Centro de Excelência.
“É para procurar a Secretaria de Esportes do Estado. Eles são os responsáveis pelo projeto”, disse Jose.
A Lider, Lineri e a Federação Paulista de Ciclismo receberam este ano um total de R$ 12,3 milhões por meio de convênios firmados com a Secretaria de Esportes do Estado, sem licitação.
As três instituições têm ligação com Marcos Mazzaron, ex-candidato a deputado estadual pelo PTB (veja quadro ao lado)
Outro Lado. A assessoria de imprensa da Secretaria de Esportes, Lazer e Juventude do Estado não comentou a ‘terceirização’ do Centro de Excelência de Judô de Bastos. Segundo a pasta, todos os convênios foram realizados com base na legislação em vigor.
Na última segunda-feira, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) pediu um pente-fino nos convênios firmados com a Lider, a Lineri (Liga Nacional de Desportos deRendimento e Inclusivos) e a Federação Paulista de Ciclismo --as duas últimas, registradas em São Bernardo do Campo.
A investigação dos contratos será feita pela CGA (Corregedoria Geral da Administração). Segundo a assessoria de imprensa do governo estadual, o corregedor não vai comentar a investigação até a conclusão dos trabalhos, que deve ocorrer em 30 dias.
Sônia Molina foi procurada pelo O VALE/BOM DIA ontem, mas novamente não atendeu as ligações. Além da Lider, ela também comanda o Clube de Ciclismo de São José (leia texto ao lado).

Construtora suspende cota de patrocínioSão José dos Campos
A construtora Marcondes César suspendeu o patrocínio de R$ 5.000 mensais ao Clube de Ciclismo de São José, que é coordenado por Sônia Molina. A verba era dada havia cerca de quatro anos.
Sônia é presidente da Lider (Liga de Desportos de Rendimento e de Base da Capital, Vale do Paraíba e Litoral), entidade com sede fantasma que é investigada pelo governo do Estado por ter recebido R$ 2,6 milhões da Secretaria Estadual de Esporte neste ano sem concorrência pública.
A Marcondes César é uma das principais patrocinadoras do Clube de Ciclismo --a entidade recebe o apoio de pelo menos outras sete empresas, em dinheiro ou em serviços.
Segundo Frederico Marcondes César, diretor proprietário da construtora, a decisão de suspender o patrocínio foi tomada na última segunda-feira.
Ele diz que vai aguardar o desfecho da investigação aberta pelo governo do Estado.
“Depois que suspendi o cheque, ela \[Sônia\] me ligou para marcar uma reunião e disse que iria me explicar todas as denúncias”, afirmou.
Além do repasse mensal ao Clube de Ciclismo, a construtora custeava parte das despesas da Lider em eventos especiais, como campeonatos e corridas.
“Até provar os fatos, não quero mais a minha marca associada ao grupo. O meu objetivo sempre foi o de incentivar o esporte e o trabalho com crianças carentes”, afirmou.
O cardiologista André Luiz Vaitsman, dono da clínica Life Coach, afirmou que vai continuar oferecendo atendimento médico aos atletas do clube.
“Acompanho os atletas e vejo que os resultados práticos estão muito positivos, e que o clube está cumprindo seu papel”, afirmou.
A construtora Marcondes César suspendeu o patrocínio de R$ 5.000 mensais ao Clube de Ciclismo de São José, que é coordenado por Sônia Molina. A verba era dada havia cerca de quatro anos.
Sônia é presidente da Lider (Liga de Desportos de Rendimento e de Base da Capital, Vale do Paraíba e Litoral), entidade com sede fantasma que é investigada pelo governo do Estado por ter recebido R$ 2,6 milhões da Secretaria Estadual de Esporte neste ano sem concorrência pública.
A Marcondes César é uma das principais patrocinadoras do Clube de Ciclismo --a entidade recebe o apoio de pelo menos outras sete empresas, em dinheiro ou em serviços.
Segundo Frederico Marcondes César, diretor proprietário da construtora, a decisão de suspender o patrocínio foi tomada na última segunda-feira.
Ele diz que vai aguardar o desfecho da investigação aberta pelo governo do Estado.
“Depois que suspendi o cheque, ela \[Sônia\] me ligou para marcar uma reunião e disse que iria me explicar todas as denúncias”, afirmou.
Além do repasse mensal ao Clube de Ciclismo, a construtora custeava parte das despesas da Lider em eventos especiais, como campeonatos e corridas.
“Até provar os fatos, não quero mais a minha marca associada ao grupo. O meu objetivo sempre foi o de incentivar o esporte e o trabalho com crianças carentes”, afirmou.
O cardiologista André Luiz Vaitsman, dono da clínica Life Coach, afirmou que vai continuar oferecendo atendimento médico aos atletas do clube.
“Acompanho os atletas e vejo que os resultados práticos estão muito positivos, e que o clube está cumprindo seu papel”, afirmou.
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