Depois de Amsterdã, Maastricht estrangula o uso de maconha
Com um público de 1,4 milhão de turistas estrangeiros nos 14 coffee shops a cada ano, a cidade de Maastricht (a mais antiga da Holanda) optou por restringir o turismo da maconha em seu perímetro municipal, segundo informaram os donos desses estabelecimentos. Desde outubro do ano passado, o consumo da erva polêmica está reservado apenas a consumidores alemães, belgas e holandeses.Segundo a agência de notícias France Presse, autoridades da cidade já indicaram que os espaços devem ser deslocados para fora do centro da cidade em 2013, caso os problemas de trânsito (!), os distúrbios noturnos e a atração de traficantes de drogas não cessem.
Entretanto, elas negaram que a medida culmine na extinção desses espaços.

Turista fuma baseado em coffee shop Maastricht , onde o consumo é legal (France Presse/5.ago.11)
Espera-se que, com a medida, haja redução desses problemas pela metade. A ideia atinge principalmente as nacionalidades francesa, espanhola, italiana e luxemburguesa.
A decisão aparenta ter um viés econômico --já que os alemães, belgas e holandeses são os maiores consumidores de coffee shops na cidade.
O governo holandês deve implementar um “cartão de maconha” para os cidadãos daquele país, e cuja apresentação será obrigatória ao visitar os 670 coffee shops licenciados.
Trata-se de uma discussão que já ocorre há um certo tempo na Holanda, conforme antecipou a repórter Marina Della Vale neste mesmo espaço.
A Corte de Justiça Europeia também deu um parecer que endossa a medida do governo holandês: o banimento de estrangeiros é justificável “pelo objetivo de combater o turismo de drogas e o subsequente transtorno público”.
E você, acha que essa medida vai solucionar os problemas? Por puro silogismo: será que essa restrição não se aplicaria ao álcool também? Não estamos vendo, aí, um panorama semelhante ao dos EUA nos anos 20, que fez de Al Capone o astro de tráfico de bebidas (e de sonegação de impostos)? Isso poderia estrangular a renda do turismo da Holanda?
São muitas questões delicadas, mas dignas de reflexão.
Escrito por Marina Lang às 17h38
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