quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Abetar, VOCÊ CONHECE???


REGIÃO
Jornal OVALE
August 11, 2011 - 04:00

Abetar usou empresas fantasmas para desviar verbas federais

XPOAERO JOBIM CARLINHOS E LACK
Thiago Leon
Aliado do PT em S. José teria criado firmas de fachada para desviar verbas do Ministério do Turismo, de acordo com inquérito do Ministério Público Federal; convênios suspeitos somam mais de R$ 4,3 milhões
Filipe Manoukian
São José dos Campos

A Abetar (Associação Brasileira das Empresas de Transporte Aéreo Regional) é acusada pelo Ministério Público Federal de usar empresas de fachada, registradas em nome de ‘laranjas’, para desviar verbas do Ministério do Turismo.

A entidade, fundada em São José dos Campos, é presidida por Apóstole Lazaro Chryssafidis, o Lack, aliado político do deputado federal Carlinhos Almeida (PT) --em 2008, ele chegou a coordenar a campanha do petista à prefeitura da cidade.

Segundo inquérito do MPF, Lack teria usado empresas de fachada para tirar proveito de repasses do governo à Abetar.

Ao todo, 15 convênios estão sendo investigados pelos procuradores federais Ricardo Baldani Oquendo e Fernando Lacerda Dias. Juntos, somam R$ 4,3 milhões.

Os convênios teriam como escopo capacitar mão de obra na área de turismo, realizar eventos do setor de aviação, produzir guias de turismo, além de estudos sobre transporte aéreo regional.

As investigações, que somam centenas de páginas em três inquéritos civis, apontam que Lack coordenaria um grupo de empresas fantasmas, em nomes de parentes ou laranjas, para desviar recursos públicos.

Ao firmar convênios com o Ministério do Turismo, Lack subcontrataria essas empresas para execução de serviços por valores superiores ao preço de mercado.

Ao menos cinco empresas figuram como terceirizadas da Abetar na maioria dos convênios junto ao governo, “sem a devida formalização de procedimentos prévios de licitação”, segundo os inquéritos.

“As investigações indicam um esquema bem parecido com o atual”, disse Oquendo, em referência à operação Voucher, da Polícia Federal, que investiga possíveis irregularidades em convênios do Ministério do Turismo.

Lack nega o suposto desvio de verbas (leia ao lado).

Empresas. Dos 15 convênios, sete já estão com a investigação mais avançada.
Desses, que somam repasses de R$ 2,3 milhões, uma das empresas que mais se beneficiou foi a CH2 Comunicação.

O sócio majoritário da firma é Andreas Lazaros Chryssafidis. Quando constituída, a ficha cadastral da empresa indicava o mesmo endereço residencial de Lack. [TXT]Ela recebeu R$ 326.970 da Abetar em cinco convênios.[/TXT]

Outra firma, a Tosi Treinamentos, funcionou por mais de dois anos em sede fantasma. À Junta Comercial, a empresa informou um endereço que é ocupado por uma família há mais de 20 anos.

Um dos sócios da Tosi, Renata Silva Lourenço, afirmou ao MPF que assinou a abertura da firma a pedido da mãe, Hellem Maria de Lima e Silva.

Hellem foi candidata a vereadora pelo PP --partido que era presidido por Lack até o mês passado-- em São José nas eleições de 2008.

Além disso, Hellem faz a contabilidade da Abetar e de diversas outras empresas constantemente subcontratadas pela entidade presidida por Lack, como a CH2.

Hellem também é proprietária da HC Comunicação & Marketing, outra empresa terceirizada pela Abetar.

Mudança. A Abetar funcionava em um prédio comercial no bairro Jardim Aquarius. Em maio, ela se transferiu para Brasília.

Presidente diz que serviços foram feitosSão José dos Campos

Apóstole Chryssafidis negou, por meio de sua assessoria, que tenha desviado recursos públicos. “Todos os trabalhos realizados pela entidade cumpriram e ainda cumprem o seu papel, de levar desenvolvimento a todo o país”.

Questionado sobre sua relação com empresas constantemente contratadas pela Abetar, Lack disse que a mesma é “estritamente empresarial” e que “o inquérito no MPF ainda está em andamento”.

Perguntado sobre seu parentesco com Andreas Lazaros Chryssafidis, Lack se limitou a dizer que “ele \[Andreas\] era um dos sócios de uma empresa que prestou serviços de publicidade e comunicação”.

Hellem Maria de Lima e Silva, que teria ajudado na criação da Tosi Treinamentos, não foi localizada ontem.

Carlinhos Almeida afirmou que, por não ser da Abetar e nem do Ministério do Turismo, não tem relação com o assunto. Mesmo assim, ele disse defender a apuração.

O Ministério do Turismo se comprometeu a dar um posicionamento sobre as investigações hoje.

Os convênios
Feira em Londres
Apoio à promoção do Brasil em feira de aviões, com repasse de R$ 56 mil

Guia do viajante
Confecção de guia de turismo, com repasses federais de R$ 447.480

Congresso AbetarRealização de congresso da entidade em 2006. Repasse de R$ 80 mil

Congresso AbetarCongresso de 2007. Repasse de R$ 100 mil

Estudo técnicoEstudo sobre transporte aéreo. Repasse de R$ 322 mil

Guia Abetar 2008Guia Turístico com repasses de R$ 200 mil

Copa 2014Capacitação profissional para a Copa de 2014. Repasse de R$ 1,095 milhão

Outros contratosOutros oito convênios da entidade, totalizando R$ 2,058 milhões, estão sob a mira da Procuradoria Federal

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