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terça-feira, 22 de novembro de 2011

O LIXO E A FAXINEIRA


21/11/2011
 às 19:37 \ Direto ao Ponto

Depois do doutor que não lê, o Brasil inventa a faxineira que gosta de lixo

Além do brasileiro, o Brasil já inventou o analista de juiz de futebol, o jurado de escola de samba, o despachante, o senador biônico, o flanelinha, o comunista capitalista, o cabo eleitoral de ofício, o guerrilheiro que não sabe atirar e a família Sarney, fora o resto. Deve achar pouco, sugerem as duas singularidades incorporadas em 2011 ao vastíssimo acervo de assombros. No começo do ano, o País do Carnaval pariu o único doutor do mundo que nunca leu um livro e não sabe escrever. Em seguida, decidiu que Dilma Rousseff seria a primeira faxineira da história que odeia vassoura e gosta de lixo.
Promovida a ministra de Minas e Energia em 2003, Dilma fez mais que conviver anos a fio, sem qualquer vestígio de desconforto, com o lixo amontoado por Lula no primeiro escalão federal. Como atestam três ítens no prontuário, a chefe da Casa Civil fez o que pôde para piorar o que já estava péssimo. Com o dossiê forjado contra Fernando Henrique e Ruth Cardoso, Dilma aumentou o lixo. Com a conversa em que tentou induzir Lina Vieira a indultar a Famiglia Sarney, escondeu o lixo. E intensificou extraordinariamente a produção de lixo ao transformar em sucessora a melhor amiga Erenice Guerra.
“A corrupção será combatida permanentemente”, mentiu no discurso de posse. Se pensasse assim, seriam outros os ministros na plateia. Ao chamar de volta Antonio Palocci e Alfredo Nascimento, por exemplo, trouxe para dentro de casa o entulho já depositado na caçamba. Ao nomear Pedro Novais e manter no emprego Wagner Rossi e Orlando Silva, afastou do aterro sanitário algumas pilhas de detritos. Ao prorrogar o prazo de validade de Carlos Lupi, revelou que já existe até o lixo de estimação.
Como atestam as fotos feitas no dia da posse, Dilma ficou muito feliz com a escolha dos seis ministros localizados pela imprensa no pântano das maracutaias. Lamentou a partida de cinco e faz o que pode para não se desfazer do sexto. A permanência de Carlos Lupi no Ministério do Trabalho transforma a antiga suspeita em certeza: a faxineira do Brasil Maravilha não consegue viver sem lixo por perto.

sábado, 17 de setembro de 2011

DON SARNEY MARIMBONDOS DE FUEGO, O DONO DO BRASIL!


16/09/2011
 às 22:17 \ Direto ao Ponto
Augusto Nunes

Um ano depois da partida de Erenice, o primeiro escalão do governo atinge a alta rotatividade do mais barato dos motéis

Sugerida por Lula e encampada por Dilma Rousseff, a instalação de Antonio Palocci na chefia da Casa Civil foi mais uma ideia de jerico da dupla que inaugurou o Brasil Maravilha do cartório. Não é pouca coisa entregar o cargo de primeiro-ministro a um estuprador de sigilo bancário que virou traficante de influência. Pois poderia ter sido pior: se as denúncias de VEJA não tivessem desmontado a quadrilha em ação no 4° andar do Palácio do Planalto, formada por filhos, parentes e agregados de Erenice Guerra, a melhor amiga de Dilma Rousseff continuaria acampada no gabinete que teve de abandonar em 16 de setembro de 2010.
Faz exatamente um ano que a chefe do bando aceitou deixar a chefia da Casa Civil em troca da mudez premiada ─ uma brasileirice que livra da demissão por justa causa, de temporadas na cadeia e da devolução do dinheiro criminosamente tungado quem não revela os nomes dos mandantes, comparsas ou padrinhos. Erenice, por exemplo, topou esquecer a montagem do dossiê cafajeste sobre Fernando Henrique e Ruth Cardoso, o teor da conversa semiclandestina entre Dilma e Lina Vieira e outras bandalheiras que produziu em parceria com a atual presidente. Em contrapartida, pôde fingir que pediu demissão, voltar para casa sem escalas em delegacias ou tribunais e gastar sem sobressaltos a fortuna arrecadada com taxas de sucesso e outros codinomes da velha negociata. Na festa da posse, voltou ao local do crime como convidada especial.
Passados 12 meses, o grande viveiro de desmemoriados de nascença e amnésicos por vigarice faz de conta que nunca existiu uma Erenice, muito menos a terna amizade que desqualifica Dilma Rousseff para o papel de defensora da moral e dos bons costumes. A mãe de Israel Guerra deve achar divertida a fantasia da presidente com uma vassoura na mão. E decerto considerou tão previsível quanto a mudança das estações a anexação do Ministério do Turismo à capitania hereditária do Maranhão. Erenice sabe que Dilma faz o que José Sarney deseja desde os tempos da Casa Civil. Foi ela quem articulou a audiência em que a chefe recomendou a Lina Vieira que a Receita Federal tratasse com muita gentileza as trapaças fiscais da Famiglia.
Os que veem as coisas como as coisas são, esses só enxergaram a saída de um protegido de Sarney e a entrada de outro protegido de Sarney. Como boa parte da imprensa não costuma contentar-se com fatos, muitos jornalistas voltaram a vislumbrar a faxineira que nunca houve, agora exigindo do PMDB a indicação de um deputado sem prontuário por sofrer de alergia a gatunos. Os laços que prendem Dilma a Erenice e Sarney implodem a falácia. Quem engole sem engasgos afilhados ou exigências de Madre Superiora engole o que vier. Quem conviveu tão docemente com uma meliante juramentada é capaz de achar que Fernandinho Beira-Mar não seria um mau genro.
Dilma pediu ao PMDB que escolhesse a menos constrangedora das folhas corridas não por critérios éticos, mas por motivos práticos: é preciso fazer com que os nomeados durem mais tempo no cargo.  Neste 16 de setembro, nem teve tempo para chorar a partida de Erenice, consumada um ano atrás: precisava aplaudir e explicar a chegada de Gastão Vieira. Com o despejo de Pedro Novais, foi atingida a marca extraordinária: a cada 25 dias, um ministro desocupa seus aposentos. A altíssima rotatividade pode ter produzido uma reforma administrativa vergonhosa até para os padrões da Era da Mediocridade.
Em vez de uma presidente no comando do ministério, o Brasil tem uma gerente tentando descobrir como se administra um primeiro escalão que lembra o mais barato dos motéis.

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

MINISTROS E O DELEGADO, CASOS DE POLÍCIA!!!


14/09/2011
 às 18:08 \ Direto ao Ponto

A queda do ministro do Turismo confirma que a faxina rejeitada pelo governo é feita pela imprensa independente e pelo Brasil que lê

A queda de Pedro Novais transformou o Brasil no novo recordista mundial da modalidade não-olímpica arremesso de ministros bandalhos: com o maranhense que pendura no cabideiro de empregos públicos até a governanta e o motorista da patroa, quatro pais-da-pátria perderam o emprego por envolvimento em casos de corrupção no período de 100 dias. Uma baixa a cada 25 dias é uma proeza de bom tamanho. Mas a presidente Dilma Rousseff não tem nada a ver com a medalha de ouro. A marca foi estabelecida em parceria pela liberdade de imprensa e pela indignação do país que lê. O Brasil é recordista não por causa do governo, mas apesar dele.
Como Antonio Palocci, Alfredo Nascimento e Wagner Rossi, também Novais foi autorizado a despedir-se do cargo com pompas e fitas. Oficialmente, nenhum ministro foi demitido. Todos pediram demissão por escrito, em cartas repletas de referências elogiosas à presidente e si próprios. Todos mereceram afagos retóricos da chefe. Embora sejam todos casos de polícia, até agora nenhum foi convidado a explicar-se ao delegado. Liberado de audiências em tribunais, Novais logo estará exercendo o direito de ir e vir no Congresso. E o substituto terá sido indicado pela mesma turma do PMDB que pinçou do baixo clero da Câmara o inverossímil festeiro de motel.
Na entrevista ao Fantástico, Dilma reafirmou que perdem tempo os que insistem em vê-la de vassoura em punho. Se dependesse dela, reiterou, nenhum ministro seria demitido. Só continuarão a enxergar faxinas éticas, portanto, os ingênuos incuráveis e os cínicos demais. As ações de despejo vão prosseguir porque a imprensa independente seguirá publicando a verdade. E mais despejos serão consumados porque, como alerta uma das frases emblemáticas do movimento contra a corrupção, os padrinhos dos bandidos de estimação podem muito, mas não podem tudo.

domingo, 12 de junho de 2011

DILMA ESTÁ " CHUTANDO " O PT?


Governo
Estilo solitário de Dilma aumenta desarmonia com PT

Escolha das substitutas de Palocci e Luiz Sérgio não levou em conta a opinião de aliados; ofuscada por Lula, a presidente tenta demonstrar autonomia

Luciana Marques e Gabriel Castro




Acostumados ao estilo Lula, petistas se assustaram ao ouvir de Dilma: "Não troco Código Florestal por cargos" (Evaristo Sá/AFP)

As intervenções do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no governo atual feriram o ego da presidente Dilma. O recibo de inabilidade política não agradou a presidente, que passou a tomar decisões de forma cada vez mais solitária para se afastar do espelho do antecessor. Embora tenha demorado para bater o martelo no caso Palocci, ela tentou demonstrar autonomia na escolha dos novos nomes de sua equipe.

Antonio Cruz/ABr

A nova ministra das Relações Institucionais, Ideli Salvatti, ganhou a coordenação política do governo

No governo de transição, Dilma repartiu o bolo da Esplanada dos Ministérios após longas reuniões com os caciques de cada legenda aliada. Cinco meses depois de tomar posse, ela foi obrigada a fazer uma minirreforma ministerial - após a crise envolvendo Antonio Palocci e a falta de articulação política do governo em consequência da queda dele do poderoso posto de comandante da Casa Civil. Mas, desta vez, a presidente não levou em consideração nem mesmo a opinião do PT. O governo passou a ser menos do partido e mais da presidente.

Apesar do discurso oficial de que queria ouvir as sugestões do PMDB, o que Dilma fez foi comunicar aos caciques do partido a decisão tomada: chamou o vice-presidente, Michel Temer (PMDB-SP), e o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), pessoalmente no Palácio do Planalto apenas para avisá-los. Publicamente, quis passar a impressão de que a escolha foi feita por meio de uma "negociação". Mas, desde que Palocci ficou imobilizado pela crise que o derrubou, o diálogo se tornou mais raro no Executivo. Aparentemente, o quadro do PT não muda com o troca-troca de ministros: o partido mantém 17 dos 37 ministérios. Ainda assim, os petistas estão insatisfeitos com as decisões solitárias.

O PT vive uma disputa interna, principalmente na Câmara dos Deputados. A presidente tem evitado ao máximo entrar nessa rixa. E por isso mesmo não escolheu o líder do governo, Cândido Vaccarezza (PT-SP), para ocupar a Secretaria de Relações Institucionais (SRI), responsável pela coordenação política do governo, após a queda de Luiz Sérgio. Vaccarezza se envolveu em um conflito com as alas petistas ligadas ao deputado Arlindo Chinaglia (SP) e ao líder do partido na Casa, Paulo Teixeira (SP). O motivo é sempre o mesmo: disputa de poder. Na Câmara, a avaliação é de que a briga reforçou a escolha da presidente por Ideli.

Fernando Bizerra Jr./EFE

Ministra da Casa Civil, Gleisi Hoffmann: petista de carteirinha, mas com foco em programas de governo

Teimosia - A tentativa de demonstrar autonomia, aliás, marcou as últimas decisões da presidente. A bolsa de apostas fala em Paulo Bernardo e Miriam Belchior na Casa Civil? Dilma sai-se com a improvável Gleisi Hoffmann. O PT briga para emplacar Cândido Vaccarezza, Arlindo Chinaglia ou Pepe Vargas na articulação política? A presidente tira Ideli Salvatti da cartola. A imprensa e os aliados já dão como certa a queda de Luiz Sérgio? Pois Dilma dá um jeito de mantê-lo na equipe, comandando o desprestigiado Ministério da Pesca.

Sem interferir na briga do PT, a comandante acabou se afastando do partido. E escolheu para o primeiro escalão do governo mulheres com seu perfil. Todas as indicadas, que já têm o estilo "dilmista", tendem a adotar uma postura cada vez mais técnica. Gleisi e Ideli são petistas de carteirinha. Mas, assim como Dilma, devem passar a se preocupar mais com os programas de governo do que com a política partidária e com a distribuição de cargos e o loteamento de órgãos públicos - marcas da administração petista.

As bandeiras do governo e do PT são as mesmas – os petistas não deixarão de apostar no sucesso do recém-lançado programa Brasil sem Miséria, por exemplo. A questão é saber quem será o responsável por levar os objetivos do governo adiante, ou seja, quem terá o poder em mãos. “Não vou trocar o Código Florestal por cargos”, disse Dilma a um senador. A frase assustou os petistas e acendeu o sinal vermelho. Eles estavam acostumados com o estilo Lula de governar: farta distribuição de cargos em troca da aprovação de projetos emblemáticos e de importância para o país.

Embora a postura solitária de Dilma não tenha tido, até agora, nenhum impacto positivo no andamento do governo, os petistas vão mesmo ter de se adaptar. Até porque, de agora em diante, terão de engolir não mais uma, mas três “Dilmas” no Palácio do Planalto.

quarta-feira, 8 de junho de 2011

A ESQUENTADINHA E O PMDB


Crise no governo

Chegada de Gleisi piora relação entre Congresso e Planalto

Nova ministra da Casa Civil colecionou inimizades e apelidos - como Lady Gaga - em quatro meses de Senado; PMDB diz que interlocução será impossível

Gabriel Castro
A nova ministra da Casa Civil, Gleisi Hoffmann: coleção de inimizades na passagem pelo Senado
A nova ministra da Casa Civil, Gleisi Hoffmann: coleção de inimizades na passagem pelo Senado (Renato Araújo/ABr)
Ao escolher Gleisi Hoffman para comandar a Casa Civil, Dilma Rousseff preferiu mexer apenas em uma peça do tabuleiro federal. Por isso, optou por Gleisi em vez de outros nomes especulados, como o atual ministro das Comunicações, Paulo Bernardo (marido de Gleisi), e o da ministra do Planejamento, Miriam Belchior. Por trás da decisão de Dilma, também está a tentativa de atribuir à Casa Civil um perfil que a pasta possuía quando estava justamente sob o comando da atual presidente da República: o de coordenação dos programas de governo.
A presidente conheceu a sucessora de Antonio Palocci de perto durante o governo Lula: enquanto Dilma comandava o Ministério de Minas e Energia, Gleisi era diretora financeira da usina de Itaipu. Gostou do que viu. No aspecto político, entretanto, a senadora reuniu inimizades de todos os lados, em quatro meses de mandato no Senado. Apesar do comportamento aparentemente sereno, ela é vista como alguém que se irrita facilmente. "A ministra é preparada, mas muito esquentadinha", define o senador Demóstenes Torres (DEM-GO). 
Gleisi é filiada ao PT há 22 anos, e percorreu os atalhos da política em parte por causa da figura do marido. A oposição a classifica como alguém radical, que partidariza cada mínimo debate e prefere o "tratoraço" da maioria governista ao diálogo. Parlamentares ouvidos pelo site de VEJA acreditam que a relação entre Planalto e Congresso tende a piorar, justamente num período em que os ânimos já estão exaltados.
Peemedebistas atribuem a Gleisi uma operação para retirar das mãos de Romero Jucá (PMDB-RR) a liderança do governo no Senado em 2012. De fato, a senadora vinha tentando minar o trabalho de Jucá em algumas votações, numa disputa que tinha potencial para abrir uma guerra declarada entre as bancadas. Parlamentares do PMDB consideram impossível que a nova ministra seja responsável pela interlocução do Planalto com o Congresso.
Alguns petistas e integrantes de outros partidos aliados já foram apresentados aos modos, por assim dizer, pouco democráticos da nova ministra. Na semana passada, ela chegou a retirar o microfone da boca de dois colegas: os senadores Inácio Arruda (PC do B-CE) e Aníbal Diniz (PT-AC). Gleisi tentava apressar a votação de duas medidas provisórias que perderiam o efeito se não fossem votadas até meia-noite do dia 1º de junho. Fracassou na missão e saiu dela com a imagem arranhada entre aliados e oposicionistas.
As inimizades já renderam dois apelidos a Gleisi, que também se destaca como a figura mais bonita do Senado: Barbie e Lady Gaga. Ambos fazem troça com o apreço com o visual e aquilo que alguns chamam de pose demasiado altiva da petista.
Lacuna - A nova ministra também foi uma das vozes mais fortes dentro da bancada petista contra a blindagem ao ministro Antonio Palocci, o que alimentou rumores de que ela estaria trabalhando para que o marido ficasse com a vaga. Tida como alguém que tem lealdade canina ao partido, ela via em Palocci uma figura que construiu um projeto pessoal dentro do governo, o que seria inaceitável.
Gleisi Hoffmann já afirmou que sua tarefa no cargo será eminentemente técnica. Isso deve evitar atritos com o Congresso. Por outro lado, a escolha de Dilma Rousseff abre uma lacuna cujo preenchimento ainda é uma incógnita: quem fará a articulação política do governo? O ministro das Relações Institucionais, Luiz Sérgio, atuava apenas quando o tema em jogo era pouco relevante. Caso contrário, era Palocci quem resolvia. Agora, sem diálogo com a Casa Civil, o Congresso pode ficar órfão. Petistas minimizam a situação, alegando que a relação do governo com o Parlamento precisa apenas de "ajustes finos".  Na prática, ninguém acredita nisso.

domingo, 5 de junho de 2011

DR. GESMO SIQUEIRA SANTOS, O AMIGO DO PALOCCI

A penúltima do Palocci: o homem com quem o ministro diz ter fechado o contrato de aluguel é um velho conhecido da polícia

Intrigado com o caso do apartamento alugado em São Paulo por Antonio Palocci, e também com o estranho prenome do suposto proprietário, o jornalista Celso Arnaldo Araújo saiu à caça de informações sobre Gesmo Siqueira dos Santos. Acabou encontrando um velho conhecido da polícia. Vejam o prontuário resumido do homem com quem Palocci, na nota divulgada em resposta à reportagem de VEJA, confessou ter “firmado um contrato em bases regulares de mercado”.

POR CELSO ARNALDO ARAÚJO
VEJA
Foi só pesquisar a esmo – encontrou-se um Gesmo.

A casa própria – o apê de 7 milhões, por baixo – já não tinha mistério: ali está investida uma pequena parcela do dinheiro do tráfico da boca de Palocci, que funcionou a todo vapor por quatro anos.

Mas o imóvel alugado, do mesmo padrão da casa própria, era muito, muito esquisito – mesmo para o dono de uma clínica insalubre de economia sanitária. Vinte tantos mil por mês jogados pela janela, quando se tem um imóvel vago, todo seu? A descoberta do laranja Dayvini, por VEJA, é só o primeiro pesponto da costura que pode levar a um esquema muito mais suspeito que a Projeto.

É tentador classificar Dayvini como um novo Francenildo na vida de Palocci – o humilde capaz de abater o poderoso só por existir. A diferença, porém, é radical: Francenildo era crítico, Dayvini é cítrico. O primeiro não mercantilizou sua dignidade, embora pudesse. O segundo alugou o nome, embora não precisasse.

Mas se o primeiro escândalo palocciano acabou em Francenildo, o segundo, ao que parece, apenas começa em Dayvini. Porque outro nome esdrúxulo merece agora toda a atenção do mundo civilizado: Gesmo Siqueira dos Santos. Sem medo do clichê: guardem bem esse nome.

O Google já o guardou, para sempre, invariavelmente atrelado a malfeitos de toda ordem. Em 2006, por exemplo, os jornais noticiavam sua autuação por desobediência. Um de seus postos de gasolina, o Auto Posto Trevão – ah, esses nomes! – havia sido lacrado pela Polícia Civil e agentes da Fazenda Tributária por – adivinhem! – combustível adulterado. Mas o que é um lacre para Gesmo? Na calada da noite, encostou um caminhão no posto interdito, dele puxou uma vistosa mangueira e encheu o tanque com a gasolina bêbada e álcool inchado de água – 4 mil litros no total. Horas depois, ainda noite, descarregava o precioso líquido em outro posto de sua propriedade, o Morumbi, quando foi preso em flagrante.

Sim, o Dr. Gesmo Siqueira dos Santos — OAB/SP 161.145-1 – nunca foi, exatamente, um guardião da lei. Uma pesquisa perfunctória no site de busca o mostrará como réu também em inúmeros processos trabalhistas. Num deles, de 2010, na vara de São Carlos, ele a mulher Elizabete da Costa Garcia, são intimados à penhora de bem em ação movida por Cosme Rocha de Lima. Intimados, sim, porque Gesmo e Elizabete se encontravam em “lugar incerto e não sabido”.

Esse tem sido o lugar preferido do casal, enquanto enriquecem fazendo negócios escusos e deixando um rastro de ilegalidades pelo caminho – ambos são fiéis na riqueza e na riqueza e na comunhão de processos na Justiça: 35, até agora.

Mas o deputado federal Antonio Palocci não teve nenhum problema em localizar o incerto e o não-sabido. Em sua própria nota de defesa para a matéria de VEJA, que vai acabar por derrubá-lo, ele escreve: “O contrato foi firmado em bases regulares de mercado entre Antonio Palocci Filho e os proprietários Gesmo Siqueira dos Santos, sua mulher, Elisabeth (sic) Costa Garcia, e a Morumbi Administradora de Imóveis.”

Ou seja: Gesmo, confessadamente, é o dono de fato e direito do apartamento alugado que deu muita sorte a Palocci – morando ali, ele ficou podre de rico.

No ano passado, estreei na malha fina do IR porque um Jean Valjean da Receita descobriu – e nem eu sabia – que sou sócio com 1% de microempresa desativada, em nome de um de meus filhos, com capital de 1 real. Caí na malha, portanto, por 1 centavo.

Gesmo permanece ativo – comprando imóveis de milhões e alugando-os a deputados federais e ex-ministros da Fazenda. Declara-os à Receita, para perguntar o mínimo?

Palocci continua ministro – alugando imóveis milionários de plantadores de laranja e portadores de alentadas folhas corridas. A quem declara ele pagar os alugueres, para perguntar o mínimo?

Gesmo é personagem típico da era PT. Gesmo é mais do mesmo.



Dono de posto de combustível é autuado
por desobediência

O empresário do Auto Posto Trevão, Gesmo Siqueira Santos, 43
anos, de São Paulo foi autuado ontem por desobediência. Ocorre
que o delegado Seccional de Policia, Orlando Pandolfi Filho
recebeu uma denúncia anônima de que um caminhão estava retirando,
ontem, por volta das 10h30, através de uma bomba de sucção,
combustível do Auto Posto Trevão (via de acesso Hermínio Paizan)
- que havia sido lacrado no último dia 9 pela Polícia Civil e
agentes da Fazenda Tributária por vender gasolina e álcool
adulterados -, e transportando para o Auto Posto Morumbi, em
Guaiçara.
Diante dos fatos os, policiais foram constatar in loco e acabaram
surpreendendo o combustível sendo depositado nos tanques do Auto
Posto Morumbi, ordenando sua suspensão.
Durante a operação policial foram apreendidos um caminhão, uma
Saveiro e equipamentos utilizados pelos proprietários e
funcionários do posto de combustíveis. A polícia constatou que já
havia sido transportado do Posto Trevão para o Posto Morumbi mais
de 6 mil litros de gasolina e mais de 4 mil litros de álcool.
Trabalharam na ocorrência o Dr. Pandolfi, o investigador Ageo, o
delegado Flavio Cella e Santos, o investigador Nelson (Guaiçara),
além do delegado Welinton Martinez e os investigadores Perin e
Polon. Todo o expediente será encaminhado para a sede da Fazenda
Pública em Bauru.
Fonte:- Correio de Lins OnLine


ACESSE:-

http://diarios-oficiais.com/br/diarios-dos-tribunais-de-justica-tj/sao-paulo-tj-sp/5-editais-e-leiloes/2011-02-09/12571-pg.419



Donos de imóvel alugado por Palocci negam laranjas no negócio

FOLHA

FLÁVIO FERREIRA
DE SÃO PAULO

Os proprietários do apartamento que o ministro Antonio Palocci aluga em São Paulo disseram à Folha que a empresa em nome da qual o imóvel foi registrado não é administrada por laranjas.

A revista "Veja", em sua edição desta semana, apontou que um dos sócios da empresa vive na periferia de Mauá (SP) e teria admitido ser laranja da companhia.

O comerciante Gesmo Siqueira dos Santos, um dos donos do apartamento, disse que a empresa foi transferida para seu filho e um sobrinho, que foi o entrevistado pela "Veja", para evitar que seus problemas financeiros contaminassem seus negócios.

Segundo Santos, o imóvel foi adquirido com recursos de vários parentes. Ele afirmou que a administração e a renda do aluguel do apartamento são compartilhados entre os familiares.

Santos disse ainda que não conhece Palocci pessoalmente e a negociação da locação foi feita por uma imobiliária.

Em nota divulgada hoje, a Casa Civil informou que Palocci tratou do aluguel do apartamento com imobiliárias e nunca teve contato com os donos do imóvel. O apartamento, localizado numa área nobre de São Paulo, é avaliado em R$ 4 milhões por corretores.



sábado, 4 de junho de 2011

O que ainda falta para a demissão?



Coluna do
Augusto Nunes
VEJA

Com palavras e imagens, esta página tenta apressar a chegada do futuro que o Brasil espera deitado em berço esplêndido. E lembrar aos sem-memória o que não pode ser esquecido.

03/06/2011 às 21:48 \ Direto ao Ponto
O que ainda falta para a demissão?

O rosto pálido, as mãos trêmulas, os lábios secos, a voz gaguejante, os pigarros interrompendo a frase como vírgulas bêbadas, a impossibilidade de consumar o gesto de agarrar o copo d’água ─ os incontáveis sintomas de nervosismo bastariam para transformar a entrevista concedida por Antonio Palocci à TV Globo numa confissão de culpa. Mas o conteúdo foi pior que a forma: o chefe da Casa Civil não explicou nada. Enredou-se em fantasias desconexas, negou-se a revelar os nomes dos clientes, confundiu-se com números e porcentagens, buscou refúgio na amnésia malandra, inventou a única empresa do mundo que ganhou mais dinheiro quando resolveu fechar as portas. Palocci naufragou num palavrório tão raso que, na imagem de Nelson Rodrigues, uma formiga conseguiria atravessá-lo com água pelas canelas.

Em 17 de julho de 2005, levado às cordas pelo escândalo do mensalão, o presidente Lula fez de conta que aprendera a lição antiga como o mundo: “A desgraça da mentira é que, ao contar a primeira, você passa a vida inteira contando mentiras para justificar a primeira que você contou”, constatou numa entrevista ao Fantástico. “Trabalhar com a verdade é muito melhor”. O problema é que a verdade é incompatível com mitômanos e megalomaníacos. Portador das duas patologias, Lula seguiu contando um mentira atrás da outra. No momento, jura que o mensalão nem existiu.

Em 2006, no depoimento à Corregedoria do Senado, o caseiro Francenildo Costa repetiu, com sinceridade, a lição que Lula declamou por esperteza: “O lado mais fraco não é o do caseiro, é o da mentira”, ensinou a vítima de Palocci. “Duro é falar mentira que você tem que ficar pensando. A verdade é fácil”. Como Lula, Palocci foi longe demais para reconciliar-se com a verdade. Vai seguir mentindo até a queda, que só falta agora ser formalizada.

Se foram essas as explicações oferecidas à Procuradoria-Geral da República, Roberto Gurgel não pode alegar que ainda não conseguiu enxergar com nitidez um traficante de influência instalado na chefia da Casa Civil. Se o que tem a dizer é o que disse à Globo, a presidente Dilma Rousseff tem o dever de demiti-lo imediatamente. O que não pode ser repetido é o embuste desta sexta-feira.

Os brasileiros honestos não merecem ver pela segunda vez na TV, protagonizando o espetáculo do cinismo mal ensaiado, o homem que não merecia uma segunda chance.

sexta-feira, 27 de maio de 2011

ANTONIO PALOCCI, SEM VERGONHA E SEM VERGONHAS

Comportamento

Brasil, um país sem vergonha da corrupção

Cultura política brasileira dispensa de explicações autoridades como Palocci

Carolina Freitas



Tranquilidade: Presidência blindou o ministro Antonio Palocci (Sergio Dutti/Agência Estado)

gifNÃO ACREDITO!



"O Rei Tiago I, da Inglaterra, dizia que só respondia a Deus. Nossos políticos são piores: não respondem nem a Deus”, Roberto Romano

Flagrante desonestidade. Assim o juiz da corte criminal de Londres justificou na última sexta-feira a condenação do ex-parlamentar britânico Elliot Morley a um ano e quatro meses de prisão. Morley admitiu ter usado o auxílio-moradia para embolsar 30.000 libras de hipotecas já quitadas. Foi um dos 170 parlamentares acusados em 2009 de usar a verba de forma irregular. O escândalo provocou a renúncia do presidente da Câmara dos Comuns, Michael Martin, que assumiu ter falhado na tarefa de zelar pela ética no Parlamento.

No mesmo ano, no Brasil, outra flagrante desonestidade vinha à tona sem mobilizar a Justiça, motivar renúncias ou provocar punições. Mais de 200 parlamentares fizeram turismo com cotas de passagens aéreas exclusivas para viagens de trabalho. Fretaram jatinhos e bancaram o transporte de parentes, amigos e cabos eleitorais. Uma farra. Pressionados, alguns devolveram o valor das passagens, sem se desculpar. Foi como se tudo não passasse de um engano.

A comparação escancara: os políticos brasileiros ignoram a importância da transparência. “O Brasil herdou de Portugal a ética distorcida do autoritarismo, instaurado com a chegada da família real no século XIX”, afirma o filósofo Roberto Romano, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). “Os políticos brasileiros acham um insulto exigir deles explicações.”

É o caso de Antonio Palocci, ministro-chefe da Casa Civil, que agora se recusa a dizer como multiplicou, em quatro anos, seu patrimônio por vinte. Ao contrário dos liberais franceses e ingleses, os monarcas portugueses nos ensinaram a exercer o poder como um privilégio. “No liberalismo tem de ser possível explicar cada ato do governo. É o princípio de accountability”, diz Romano. “Não há divisão entre o governante e o governado. O privilégio de cargo não é admitido.”

Enquanto isso a estrutura do estado brasileiro garante privilégios aos detentores do poder. O maior exemplo é o foro privilegiado para integrantes do Executivo e do Legislativo. “Não importa se é de direita ou de esquerda. Todos seguem a mesma ética autoritária ao chegar ao poder”, afirma Romano. “Ética é um conjunto de atitudes automáticas e inconscientes. A pessoa age sem consciência de que está fazendo errado. Não pode se dar ao luxo de pensar ou sentir culpa.” Para mudar uma classe política de ética torta só um choque de realidade. E olhe lá. “O Rei Tiago I, da Inglaterra, dizia que só respondia a Deus. Nossos políticos são piores: não respondem nem a Deus”, diz Romano.

Foro íntimo – A falta de compromisso com a transparência fica evidente quando se analisa casos em que a vida pessoal de homens públicos está em jogo. Em 2009 o governador da Carolina do Sul, no Estados Unidos, Mark Sanford, sumiu por uma semana. Reapareceu e convocou uma coletiva de imprensa. Ninguém suspeitava do motivo. Queria pedir perdão à família e à população por ter passado a temporada com uma amante argentina, com quem mantinha um caso há dez anos.

No Brasil, foi necessária muita pressão da oposição e da imprensa para que o então presidente do Senado, Renan Calheiros, assumisse ter uma filha fora do casamento, fruto do relacionamento com a jornalista Monica Veloso. E, nesse caso, havia um componente indubitavelmente público: evidências de que um lobista pagava, em nome do senador, pensão à Monica. Renan renunciou à presidência da Casa. Escapou, no entanto, da cassação e, em 2010, foi reeleito.

Segundo filósofo Roberto Romano, a opinião dos eleitores não causa preocupação aos corruptos. A prioridade é convencer os colegas políticos a continuar lhe dando base de sustentação. Foi o que a Presidência fez quando veio a público o enriquecimento de Palocci. Dilma Rousseff reuniu seus melhores estrategistas para blindar o ministro e muniu os petistas de argumentos de defesa. A presidente mostrou que, a exemplo de seu antecessor, levará a situação até o limite do suportável. Como se nada tivesse acontecido.

quinta-feira, 26 de maio de 2011

LULA, SEU LUGAR NÃO É MAIS AÍ!

Presença de Lula no caso Palocci pode enfraquecer governo, diz pesquisador
Na avaliação de Marco Antonio Carvalho Teixeira, ao permitir atuação do ex-presidente como articulador pode passar a imagem de falta de capacidade política de Dilma
25 de maio de 2011 | 18h 03





Elizabeth Lopes, da Agência Estado
A entrada em cena do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para assumir, na prática, a articulação política do governo Dilma Rousseff, no auge da crise envolvendo o ministro-chefe da Casa Civil, Antonio Palocci, pode enfraquecer politicamente o atual governo e trazer consequências negativas para a imagem da presidente. Essa é a avaliação do cientista político e pesquisador Marco Antonio Carvalho Teixeira, da PUC de São Paulo e FGV de São Paulo.

"A maneira como o governo Dilma vem conduzindo o imbróglio do enriquecimento do ministro Palocci passa a imagem de que não está havendo capacidade para administrar a crise e que a coordenação deste processo não está nas mãos da presidente, por isso, foi necessário chamar um bombeiro para apagar o incêndio, neste caso o ex-presidente Lula", destacou Carvalho Teixeira. Para ele, este fato deve trazer consequências negativas para a imagem de Dilma, "justamente num momento em que ela estava fragilizada fisicamente por causa da pneumonia que contraiu".

Além do fato de precisar da ajuda de Lula para tentar estancar a crise relacionada a Palocci, o cientista político avalia que, ao colocar a "tropa de choque" para blindar o ministro-chefe da Casa Civil, o governo Dilma acabou levando a crise para dentro do próprio governo. "O que é muito complicado, porque o caso envolve muito dinheiro e, até o momento, o ministro Palocci não encontrou uma explicação lógica para explicar o enriquecimento."

Para Carvalho Teixeira, a maneira do governo Dilma conseguir superar essa crise é manter a coesão da base governista. "O que não deverá ser tarefa fácil", complementa ele, citando como exemplo a derrota que o governo sofreu ontem na Câmara dos Deputados, na aprovação do novo Código Florestal, cujo principal condutor do processo, o relator (deputado Aldo Rebelo, do PCdoB-SP) é da base governista.





terça-feira, 24 de maio de 2011

RENÚNCIA JÁ! A 2ª RENÚNCIA DE PALOCCI

Congresso
Jarbas Vasconcelos defende renúncia de Palocci

Para senador, ministro deveria agir agora da mesma forma que agiu no governo Lula

O senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) afirmou nesta segunda-feira, da tribuna do Senado, que o ministro-chefe da Casa Civil, Antonio Palocci, não tem mais condições de continuar no cargo, sob pena de deixar o governo da presidente Dilma Rousseff exposto, acuado e obrigado a adotar medidas que só pioram a situação. O senador apontou a renúncia do ministro como o melhor caminho para evitar constrangimentos à presidente, já que não conseguiu apresentar explicações convincentes para o seu enriquecimento.

"Amealhar 7 milhões de reais em quatro anos não é tarefa fácil, ainda mais quando essa façanha foi executada paralelamente ao trabalho de deputado federal", afirmou. "Não estou falando de um simples parlamentar, mas de um dos mais importantes quadros do PT no Congresso, envolvido diretamente nos projetos e propostas mais estratégicas para o governo Lula."

Jarbas reconheceu que será difícil obter no Senado as 27 assinaturas para criar uma CPI. Ainda assim, acha que a oposição deve insistir na busca de apoio para a investigação, em vez de se acomodar na "declaração infeliz" do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), de que o caso está encerrado.

"Palocci perdeu todas as condições de ocupar o cargo. Ele deve sair, até porque é quem desde o dia 1º de janeiro exerce a tarefa de indicar, de vetar, ocupantes para cargos públicos", reiterou.

O senador lembrou que, há pouco mais de cinco anos, Palocci foi obrigado a renunciar ao cargo de ministro da Fazenda para não comprometer ainda mais o governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. E disse que, ainda assim, "foi premiado com uma segunda chance para fazer a coisa certa", mas que, em vez disso, "incorreu novamente no erro".

Ele lembrou que o caseiro Francenildo dos Santos Costa teve de expor aspecto de sua vida privada para provar a origem legal do dinheiro encontrado na sua conta da Caixa Econômica Federal. E que, agora, resta ao ministro Palocci fazer mesma coisa, "se é que isso é possível".

(Com Agência Estado)

domingo, 22 de maio de 2011

O BRASIL QUE PREJUDICA OS HUMILDES - VERGONHOSO!



20/05/2011 às 20:24 \ Direto ao Ponto
Revista VEJA
Augusto Nunes
O caseiro do Piauí e a camareira da Guiné




Nascido no Piauí, Francenildo Costa era caseiro em Brasília. Em 2006, depois de confirmar que Antonio Palocci frequentava regularmente a mansão que fingia nem conhecer, teve o sigilo bancário estuprado a mando do ministro da Fazenda.

Nascida na Guiné, Nafissatou Diallo mudou-se para Nova York em 1998 e é camareira do Sofitel há três anos. Domingo passado, enquanto arrumava o apartamento em que se hospedava Dominique Strauss-Kahn, foi estuprada pelo diretor do FMI e candidato à presidência da França.

Consumado o crime em Brasília, a direção da Caixa Econômica Federal absolveu liminarmente o culpado e acusou a vítima de ter-se beneficiado de um estranho depósito no valor de R$ 30 mil. Francenildo explicou que o dinheiro fora enviado pelo pai. Por duvidar da palavra do caseiro, a Polícia Federal resolveu interrogá-lo até admitir, horas mais tarde, que o que disse desde sempre era verdade.

Consumado o crime em Nova York, a direção do hotel chamou a polícia, que ouviu o relato de Nafissatou. Confiantes na palavra da camareira, os agentes da lei descobriram o paradeiro do hóspede suspeito e conseguiram prendê-lo dois minutos antes da decolagem do avião que o levaria para Paris ─ e para a impunidade perpétua.

Até depor na CPI dos Bingos, Francenildo, hoje com 28 anos, não sabia quem era o homem que vira várias vezes chegando de carro à “República de Ribeirão Preto”. Informado de que se tratava do ministro da Fazenda, esperou sem medo a hora de confirmar na Justiça o que dissera no Congresso. Nunca foi chamado para detalhar o que testemunhou. Na sessão do Supremo Tribunal Federal que julgou o caso, ele se ofereceu para falar. Os juízes se dispensaram de ouvi-lo. Decidiram que Palocci não mentiu e engavetaram a história.

Depois da captura de Strauss, a camareira foi levada à polícia para fazer o reconhecimento formal do agressor. Só então descobriu que o estuprador é uma celebridade internacional. A irmã que a acompanhava assustou-se. Nafissatou, muçulmana de 32 anos, disse que acreditava na Justiça americana. Embora jurasse que tudo não passara de sexo consensual, o acusado foi recolhido a uma cela.

Nesta quinta-feira, Francenildo completou cinco anos sem emprego fixo. Palocci completou cinco dias de silêncio: perdeu a voz no domingo, quando o país soube do milagre da multiplicação do patrimônio. Pela terceira vez em oito anos, está de volta ao noticiário político-policial.

Enquanto se recupera do trauma, a camareira foi confortada por um comunicado da direção do hotel: “Estamos completamente satisfeitos com seu trabalho e seu comportamento”, diz um trecho. Nesta sexta-feira, depois de cinco noites num catre, Strauss pagou a fiança de 1 milhão de dólares para responder ao processo em prisão domiciliar. Até o julgamento, terá de usar uma tornozeleira eletrônica.

Livre de complicações judiciais, Palocci elegeu-se deputado, caiu nas graças de Dilma Rousseff e há quatro meses, na chefia da Casa Civil, faz e desfaz como primeiro-ministro. Atropelado pela descoberta de que andou ganhando pilhas de dinheiro como traficante de influência, tenta manter o emprego. Talvez consiga: desde 2003, não existe pecado do lado de baixo do equador. O Brasil dos delinquentes cinco estrelas é um convite à reincidência.

Enlaçado pelo braço da Justiça, Strauss renunciou à direção do FMI, sepultou o projeto presidencial e é forte candidato a uma longa temporada na gaiola. Descobriu tardiamente que, nos Estados Unidos, todos são iguais perante a lei. Não há diferenças entre o hóspede do apartamento de 3 mil dólares por dia e a imigrante africana incumbida de arrumá-lo.

Altos Companheiros do PT, esse viveiro de gigolôs da miséria, recitam de meia em meia hora que o Grande Satã ianque é o retrato do triunfo dos poderosos sobre os oprimidos. Lugar de pobre que sonha com o paraíso é o Brasil que Lula inventou. Colocados lado a lado, o caseiro do Piauí e a camareira da Guiné gritam o contrário.

Se tentasse fazer lá o que faz aqui, Palocci não teria ido além do primeiro item do prontuário. Se escolhesse o País do Carnaval para fazer o que fez nos Estados Unidos, Strauss só se arriscaria a ser convidado para comandar o Banco Central. O azar de Francenildo foi não ter tentado a vida em Nova York. A sorte de Nassifatou foi ter escapado de viver num Brasil que absolve o criminoso reincidente e castiga quem comete o pecado da honestidade.