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domingo, 19 de junho de 2011

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18/06/2011 - 12:46


 

Escândalo dos Aloprados

Mercadante e Quércia encabeçaram Aloprados, mostra reportagem de VEJA

Petista Expedito Veloso quebra pacto de silêncio e revela quem foram os mentores e os arrecadadores do dinheiro que financiaria uma das maiores fraudes eleitorais da história brasileira

O ministro da Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante, e o senador falecido Oréstes Quércia: união para bancar o dossiê dos aloprados

O ministro da Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante, e o senador falecido Oréstes Quércia: união para bancar o dossiê dos aloprados (Fábio Rodrigues Pozzebom/ABr e Ricardo Stuckert/PR)


Em 2006, às vésperas do primeiro turno das eleições, a Polícia Federal prendeu em um hotel de São Paulo petistas carregando uma mala com 1,7 milhão de reais. O dinheiro seria usado para a compra de documentos falsos que ligariam o tucano José Serra, candidato ao governo paulista, a um esquema de fraudes no Ministério da Saúde. O episódio ficou conhecido com escândalo do Dossiê dos Aloprados.


Nas investigações sobre o caso, a PF colheu 51 depoimentos, realizou 28 diligências, ordenou cinco prisões temporárias, quebrou o sigilo bancário e telefônico dos envolvidos, mas não chegou a lugar algum. Reportagem de VEJA desta semana desvenda o mistério cinco anos depois. A revista teve acesso às gravações de conversas de um dos acusados do crime, o bancário Expedito Veloso, atual secretário adjunto de Desenvolvimento Econômico do Distrito Federal. Procurado pela reportagem, Expedito confirmou o teor das conversas, ao mesmo tempo em que se mostrou surpreso com o fato de terem sido gravadas. "Era um desabafo dirigido a colegas do partido", disse.


 
VEJA demonstra que o mentor e principal beneficiário da farsa foi o ex-senador e atual ministro da Ciência e Tecnologia Aloizio Mercadante. Não é a primeira vez que o nome do ministro surge na investigação. A PF chegou a indiciá-lo por considerar que era o único beneficiado pelo esquema. Mas a acusação acabou anulada por falta de provas. "Agora surgem elementos mais do que concretos para esclarecer de uma vez  por todas a verdade sobre o caso", diz a reportagem.


 
Em seu "desabafo", Expedito conta que o ministro e o PT apostavam que a estratégia de envolver Serra num escândalo lhes garantiria os votos necessários para que Mercadante conquistasse o governado de São Paulo. Ele explica ainda que a compra do dossiê foi financiada por dinheiro do caixa dois da campanha petista e ainda, de maneira inusitada, pelo então candidato do PMDB ao governo paulista, Orestes Quércia. “Os dois (Mercadante e Quércia) fizeram essa parceria, inclusive financeira”, revela o bancário. “Parte vinha do PT de São Paulo. A mais significativa que eu sei era do Quércia.” Tratava-se de um pacto. “Em caso de vitória do PT, ele (Quércia) ficaria com um naco do governo.” Procurado por VEJA, o ministro Mercadante não quis comentar o episódio.


 
VEJA mostra ainda que a investida dos aloprados contra Serra não foi a primeira. Esquema semelhante já havia sido testado anteriormente - dessa vez com sucesso - em Mato Grosso. E nem os próprios petistas a bruxaria poupou: quando candidata ao governo matogrossense, a atual senadora Serys Slhessarenko, do PT, foi abatida por um dossiê fabricado e divulgado pelos aloprados.

domingo, 12 de junho de 2011

DILMA ESTÁ " CHUTANDO " O PT?


Governo
Estilo solitário de Dilma aumenta desarmonia com PT

Escolha das substitutas de Palocci e Luiz Sérgio não levou em conta a opinião de aliados; ofuscada por Lula, a presidente tenta demonstrar autonomia

Luciana Marques e Gabriel Castro




Acostumados ao estilo Lula, petistas se assustaram ao ouvir de Dilma: "Não troco Código Florestal por cargos" (Evaristo Sá/AFP)

As intervenções do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no governo atual feriram o ego da presidente Dilma. O recibo de inabilidade política não agradou a presidente, que passou a tomar decisões de forma cada vez mais solitária para se afastar do espelho do antecessor. Embora tenha demorado para bater o martelo no caso Palocci, ela tentou demonstrar autonomia na escolha dos novos nomes de sua equipe.

Antonio Cruz/ABr

A nova ministra das Relações Institucionais, Ideli Salvatti, ganhou a coordenação política do governo

No governo de transição, Dilma repartiu o bolo da Esplanada dos Ministérios após longas reuniões com os caciques de cada legenda aliada. Cinco meses depois de tomar posse, ela foi obrigada a fazer uma minirreforma ministerial - após a crise envolvendo Antonio Palocci e a falta de articulação política do governo em consequência da queda dele do poderoso posto de comandante da Casa Civil. Mas, desta vez, a presidente não levou em consideração nem mesmo a opinião do PT. O governo passou a ser menos do partido e mais da presidente.

Apesar do discurso oficial de que queria ouvir as sugestões do PMDB, o que Dilma fez foi comunicar aos caciques do partido a decisão tomada: chamou o vice-presidente, Michel Temer (PMDB-SP), e o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), pessoalmente no Palácio do Planalto apenas para avisá-los. Publicamente, quis passar a impressão de que a escolha foi feita por meio de uma "negociação". Mas, desde que Palocci ficou imobilizado pela crise que o derrubou, o diálogo se tornou mais raro no Executivo. Aparentemente, o quadro do PT não muda com o troca-troca de ministros: o partido mantém 17 dos 37 ministérios. Ainda assim, os petistas estão insatisfeitos com as decisões solitárias.

O PT vive uma disputa interna, principalmente na Câmara dos Deputados. A presidente tem evitado ao máximo entrar nessa rixa. E por isso mesmo não escolheu o líder do governo, Cândido Vaccarezza (PT-SP), para ocupar a Secretaria de Relações Institucionais (SRI), responsável pela coordenação política do governo, após a queda de Luiz Sérgio. Vaccarezza se envolveu em um conflito com as alas petistas ligadas ao deputado Arlindo Chinaglia (SP) e ao líder do partido na Casa, Paulo Teixeira (SP). O motivo é sempre o mesmo: disputa de poder. Na Câmara, a avaliação é de que a briga reforçou a escolha da presidente por Ideli.

Fernando Bizerra Jr./EFE

Ministra da Casa Civil, Gleisi Hoffmann: petista de carteirinha, mas com foco em programas de governo

Teimosia - A tentativa de demonstrar autonomia, aliás, marcou as últimas decisões da presidente. A bolsa de apostas fala em Paulo Bernardo e Miriam Belchior na Casa Civil? Dilma sai-se com a improvável Gleisi Hoffmann. O PT briga para emplacar Cândido Vaccarezza, Arlindo Chinaglia ou Pepe Vargas na articulação política? A presidente tira Ideli Salvatti da cartola. A imprensa e os aliados já dão como certa a queda de Luiz Sérgio? Pois Dilma dá um jeito de mantê-lo na equipe, comandando o desprestigiado Ministério da Pesca.

Sem interferir na briga do PT, a comandante acabou se afastando do partido. E escolheu para o primeiro escalão do governo mulheres com seu perfil. Todas as indicadas, que já têm o estilo "dilmista", tendem a adotar uma postura cada vez mais técnica. Gleisi e Ideli são petistas de carteirinha. Mas, assim como Dilma, devem passar a se preocupar mais com os programas de governo do que com a política partidária e com a distribuição de cargos e o loteamento de órgãos públicos - marcas da administração petista.

As bandeiras do governo e do PT são as mesmas – os petistas não deixarão de apostar no sucesso do recém-lançado programa Brasil sem Miséria, por exemplo. A questão é saber quem será o responsável por levar os objetivos do governo adiante, ou seja, quem terá o poder em mãos. “Não vou trocar o Código Florestal por cargos”, disse Dilma a um senador. A frase assustou os petistas e acendeu o sinal vermelho. Eles estavam acostumados com o estilo Lula de governar: farta distribuição de cargos em troca da aprovação de projetos emblemáticos e de importância para o país.

Embora a postura solitária de Dilma não tenha tido, até agora, nenhum impacto positivo no andamento do governo, os petistas vão mesmo ter de se adaptar. Até porque, de agora em diante, terão de engolir não mais uma, mas três “Dilmas” no Palácio do Planalto.