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terça-feira, 15 de novembro de 2011

O MINISTRO PINÓQUIO E METIDO A JOHN WAYNE DO PLANALTO

15/11/2011
 às 18:13 \ Direto ao Ponto
Coluna do Augusto Nunes

Lupi conta mentiras sem medo porque o governo teme as verdades que esconde



Em depoimento na Câmara dos Deputados, o ministro do Trabalho jurou que nem ouvira falar no explorador de ONGs Adair Meira. VEJA provou dois dias depois que o depoente só conseguira engordar o formidável prontuário com um crime de perjúrio. Carlos Lupi não só conhece Meira muito bem como os dois andaram viajando juntos num King Air providenciado pelo próspero comparsa. Nenhum passeio do gênero é gratuito. A forma de pagamento não foi revelada.
Como prometeu que só sairá do emprego à bala, Lupi mandou a assessoria de imprensa explicar que circulou pelo Maranhão em 2009, sim, mas num Sêneca fretado pelo PDT. Mentiu de novo, acaba de comprovar o site Grajaú de Fato, amparado numa coleção de imagens desmoralizantes. Algumas mostram o ministro desembarcando do avião do parceiro que jurou não saber quem era. Outras capturam a dupla exibindo o sorriso de negociata. O conjunto das fotos documenta a movimentação de uma quadrilha infiltrada na cúpula do governo federal.
Milhões de brasileiros foram apresentados só neste novembro a uma abjeção que Dilma Rousseff conhece bem demais e há muito tempo. Eles militaram juntos no PDT. Chegaram juntos à direção do partido. Conviveram quatro anos no ministério de Lula. E a renovação do contrato atesta que, para a supergerente de araque, o antigo parceiro fez o suficiente para permanecer onde estava.
Quando o escândalo explodiu, Lupi foi logo avisando que a chefe não teria coragem de afastá-lo. Embora esteja cansada de saber quem é o meliante que comanda o ministério arrendado ao PDT, a presidente quer adiar até janeiro a troca de Lupi por alguém escolhido por Lupi. “Conheço a Dilma bem demais”, preveniu o ministro logo depois de içado do pântano. Pelo que tem feito, o corrupto debochado parece mesmo convencido de que a melhor amiga de Erenice Guerra vai engolir sem engasgos bravatas grosseiras, fantasias delirantes, até um “eu te amo” de canastrão de cabaré.
O mistério aparente é um claro enigma: Lupi conta mentiras sem medo porque o governo teme as verdades que esconde.

sábado, 12 de novembro de 2011

CARLOS LUPI - O MINISTRO QUE JÁ ERA!

Sindicaista diz que equipe de Lupi lhe cobrou propina

Revista IstoÉ
Depois de passar uma semana negando a cobrança de propinas de até 10% de ONGs, o ministro Carlos Lupi (Trabalho) ganhou matéria prima para novas explicações.
A equipe de Lupi é acusada de extorquir também os sindicatos, num esquema que desvia verbas recolhidas de trabalhadores para as arcas da Força Sindical.
Chama-se João Carlos Cortez (na foto) o autor da nova denúncia. Ele falou ao repórter Claudio Dantas Sequeira.
Cortez preside o Sindrest (Sindicato de Trabalhadores em Bares e Restaurantes da Baixada Santista, Litoral Sul e Vale do Ribeira).
Falou diante de um gravador. O resultado da conversa foi às paginas da última edição da revista IstoÉ.
O sindicalista narrou episódio ocorrido em 2007, ano que que Lupi acomodado por Lula no comando da pasta do Trabalho.
“Exigiram-me propina numa sala do gabinete, onde funciona a Secretaria de Relações do Trabalho”, disse Cortez. De acordo com seu relato, deu-se o seguinte:
1. Interessado em regularizar o registro do seu sindicato, Cortez foi à presença do ministro Lupi. Da conversa resultou o agendamento de uma reunião.
2. O encontro ocorreu no quarto andar do ministério, numa sala onde despachava Luiz Antônio de Medeiros, então secretário de Relações do Trabalho.
3. Além de Cortez e Medeiros, sentaram-se ao redor de uma mesa de reuniões outros três personagens.
4. Quem? O deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), presidente da Força Sindical; Eudes Carneiro, assessor especial de Lupi; e Luciano Martins Lorenço, presidente do PDT de Santos.
5. O sindicalista Cortez perguntou o que deveria ser feito para regularizar seu sindicato. “Vamos resolver o problema”, teria dito Carneiro, o assessor de Lupi.
6. Coube a Lourenço, o mandachuva do PDT santista, esmiuçar os procedimentos “Me fizeram uma proposta indecente, um pedido de propina ali dentro do ministério”, relata Cortez na entrevista grava. “Eu não tinha outra saída”.
7. A “proposta indecente” consistia no pagamento de um pedágio de 60% de toda a arrecadação do imposto sindical recolhido pelo Sindrest nos três anos seguintes.
8. O dinheiro –coisa de mais R$ 12 milhões, segundo Cortez— deveria ser depositado numa da Força Sindical, controlada pelo PDT, já presidida por Medeiros e hoje comandada por Paulinho da Força, como é chamado o deputado presente à reunião.
9. “Saí de lá confiante de que estava resolvido”, diz Cortez na entrevista. Segundo ele, o negócio foi sacramentado noutro encontro, realizado duas semanas depois.
10. O sindicalista encontrou-se com Luciano Martins, o presidente do PDT de Santos, numa padaria tradicional de Santos.
11. O dirigente partidário retirou de uma pasta documento que anotava no cabeçalho: “Termo de Compromisso de Doação”. Pediu ao sindicalista Cortez que assinasse.
12. Cortez assionou. Com seu jamegão, comprometeu-se a repassar a propina, convenientemente batizada de “doação”, à conta da Força Sindical. Os depósitos seriam feitos em 2008 (30% das contribuições sindicais, 2009 (20%) e 2010 (10%).
13. “O Luciano [Martins] me disse que estava a mando do deputado [Paulinho] e do Medeiros, que falava em nome do ministro Lupi”, diz o sindicalista. “Ele levou os documentos prontos para eu assinar. O termo de compromisso, a título de doação à Força Sindical, servia para encobrir, na realidade, o pagamento da propina. Tudo foi presenciado por outro diretor do Sindrest, Luiz Claudino da Silva.”
14. Decorridos alguns meses, diz Cortez, o registro do sindicato não foi expedido. Por quê. Cortez diz suspeitar que o grupo de Lupi foi pressionado pelo PDT de São Paulo. Cita o nome de Francisco Calazans Lacerda, outro sindicalista, presidente do Sinhores (Sindicato de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares de São Paulo).
15. Declara que Francisco Lacerda defendia os interesses de um terceiro sindicado, o Sinthoresp, que disputa com a entidade sindical dirigida por Cortez a representação dos trabalhadores de bares e restaurants da Baixada Santista.
16. Cortez acusa: “Ouvi que eles pagaram mais para arquivar nosso pedido. Tudo no Ministério do Trabalho é movido a dinheiro”.
17. Em 2010, aproveitando-se da presença de Carlos Lupi nos festejos do Dia do Trabalho, Cortez diz ter levado às mãos do ministro um dossiê no qual relata o que se passou. Esparava obter providências. “Foi a mesma coisa que nada. Ele nunca deu retorno da denúncia. Logicamente, o ministro também está no esquema.”
18. O relato do sindicalista carrega o peso da auto-incriminação. Nele, Cortez admite ter compactuado com uma ilegalidade. A entrevista constitui matéria prima para uma boa investigação da Polícia Federal. Pedidos de propina, mesmo quando não consumados, constituem crime previsto no Código Penal brasileiro. De resto, ficou boiando na atmosfera a incômoda suspeita de que negócios bem sucedidos podem ter transitado pelo balcão sindical do ministério gerido pelo pedetê Carlos Lupi. 
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Escrito por Josias de Souza às 04h22

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

CARLOS LUPI, O EX DONO DE BANCA DE JORNAIS QUE VIROU MINISTRO


O ministro a caminho do despejo mostra como se conjuga o verbo ‘corrompor’

Por ser dono da banca de jornais de que Leonel Brizola se tornou freguês, Carlos Roberto Lupi virou em 1980 amigo do gaúcho que acabara de voltar do exílio para retomar a carreira política no Rio. Por ser amigo de Brizola, virou militante do PDT. Por ser homem de confiança do chefe, virou deputado federal, secretário municipal, secretário estadual e, depois da morte do fundador em 2004, presidente do partido. Por ser presidente do PDT, virou ministro do Trabalho em 29 de março de 2007. Por ser um bom companheiro da base alugada, virou bandido de estimação. Por ser protegido de Lula, continuou no cargo depois da posse de Dilma Rousseff.
Paulista de Campinas, 51 anos, Lupi não tem espaço na cabeça para alguma coisa que preste ─ só cifrões de origem obscura nascem e crescem em desertos de neurônios. A rasura do cérebro dificulta até a conjugação do verbo inseparável da própria biografia: corromper. No vídeo de 18 segundos, por exemplo, ele  tropeça espetacularmente na terceira pessoa do singular: “Quem corrompõe…”, derrapa o filhote da Era da Mediocridade. A caminho do despejo, Carlos Lupi criou o verbo “corrompor”. Significa, provavelmente, “propor alguma coisa a um ministro corrupto”.