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quinta-feira, 17 de novembro de 2011

HIPERMERCADO EXTRA, CARRO É FURTADO EM ESTACIONAMENTO!

NOSSA REGIÃO
Jornal O VALE
November 17, 2011 - 04:01

Carro é furtado em estacionamento de hipermercado

Cliente deixou o veículo estacionado para fazer compras e, quando voltou, ele não estava mais lá
São José dos Campos

Uma cliente do hipermercado Extra, na região central de São José dos Campos, reclama que teve o veículo furtado de dentro do estabelecimento no último sábado.
A autônoma Eliane da Silva Gomes, 28 anos, afirma que buscou o hipermercado para resolver o problema, mas não recebeu retorno.

A empresa informou por meio de nota que o caso está em análise.
Eliane é moradora de Jacareí e costuma fazer as compras do mês no supermercado em São José. No sábado, ela teria deixado o carro no estacionamento do Extra enquanto fazia as compras.

Ao sair, não encontrou o veículo. Perguntou aos seguranças, mas não recebeu nenhuma informação e registrou um Boletim de Ocorrência pela internet, no Batalhão da Polícia Militar.

Segundo o Procon, todo estacionamento de empresa privada tem que cuidar do patrimônio do cliente. Por isso, caso comprovado o furto do veículo no estacionamento do hipermercado, a vítima teria que ser ressarcida.

Outro lado. Em nota, o Extra informou que “analisa o caso relatado” por Eliane antes de tomar as medidas cabíveis.

A empresa também informa que possui imagens do circuito interno de câmeras que podem ajudar a identificar o carro.

Eu estou passando pelo mesmo problema.No dia 01/11 meu veiculo foi furtado dentro do estacionamento do Carrefour, acionei a PM, fiz B.O na Policia Civil e no mesmo dia encaminhei todas as copias necessarias para obter uma solução do supermercado.Depois de muito desentendimento e mal atendimento na loja, parece que agora o Carrefour vai arcar com as responsabilidades.Vale lembrar que pela Sumula 130 do STJ e artigo 186 do Codigo Civil, as empresas que oferecem estacionamento, seja pago ou gratuito, tem o dever de indenizar seus clientes por qualquer dano que venha a ocorrer com o mesmo.Não importa que tenha ou nao as cancelas ou tickets, a partir do momento em que o comercio disponiliza o estacionamento ele é responsavel pela guarda do bem.
Comentado por Fabiana, 17/11/2011 08:22
Os hipermercados que lucram estrondosamente, ainda mais os do Grupo Pão de Açucar, que cobram preços absurdos nos seus produtos, não estão dando cartões comprovando a entrada e saída dos estacionamentos de seus estabelecimentos justamente porque foram orientados erroneamente por alguns advogados que não são responsáveis por veículos estacionados nesses locais. Porém a Justiça está entendo ao contrário das más orientações desses advogados e está punindo estes hipermercados a ressarcirem os danos causados ao proprietário do veículo, inclusive indenizações por dano moral. No silêncio dos orgãos do Consumidor, basta a Sra. Eliane, procurar um advogado de sua confiança e ingressar compedido de indenização do bem que lhe foi subtraído. Recentemente o TJ-SC condenou o Carrefour a ressarcir um consumidor que teve o carro roubado dentro do estacionamento do hipermercado.
Comentado por Cadu SJC, 17/11/2011 07:16

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

CARREFOUR, SINAL VERMELHO!!!


Carrefour fecha cinco lojas no país e muda outras duas



TONI SCIARRETTA
DE SÃO PAULO
O Carrefour, segundo maior grupo supermercadista no país, decidiu fechar cinco hipermercados. Pelo menos 600 funcionários foram demitidos só na cidade de São Paulo, segundo o Sindicato dos Comerciários.
Em São Paulo, foram encerradas ontem as atividades das lojas do Ipiranga (zona sul) e do Morumbi (zona oeste). Também foram fechadas as unidades de Uberaba (MG), Vitória (ES) e Brasília (DF).
Mercado espera por planos para Brasil em resultado do Carrefour
Walmart sempre quis comprar Carrefour, diz presidente
Veja como foi a negociação para a fusão Pão de Açúcar/Carrefour
Família Diniz diz que fusão com Carrefour não é mais viável
Já os hipermercados de Novo Hamburgo (RS) e de Franca (SP) serão transformados em unidades do Atacadão, bandeira supermercadista que vende aos consumidores e empresas.
O grupo tem cerca de 170 lojas no Brasil.
Segundo o Carrefour, o fechamento dos cinco hipermercados e a transformação dos outros dois decorre de uma "reestruturação" das atividades no país, que envolve também a reforma de 20 outras unidades e a abertura de 17 lojas do Atacadão.
"O Carrefour Brasil vem realizando um amplo processo de reestruturação de suas operações. Essas mudanças na rede estão alinhadas com o redesenho do modelo de negócio iniciado em 2010. A implementação das medidas contribuirá para que o Carrefour Brasil fortaleça sua posição de líder no varejo alimentar nacional", afirmou o Carrefour, em nota.
De acordo com o Sindicato dos Comerciários de São Paulo, o Carrefour demitiu mais de mil funcionários desde o início do ano na capital paulista. O presidente do sindicato, Ricardo Patah, se reuniu hoje com representantes do Carrefour e pediu uma reunião com o presidente da empresa, Luiz Fazzio.
Alvo de uma proposta fracassada de fusão com o Pão de Açúcar, a unidade brasileira do Carrefour é cobiçada também pelo Walmart e pela rede chilena Cencosud, que adquiriu o GBarbosa e a Bretas.
No ano passado, o Carrefour descobriu um rombo contábil de 500 milhões de euros no Brasil e substituiu toda a diretoria local. Desde então aumentaram os rumores sobre um possível negócio envolvendo a filial brasileira.

Há duas semanas, o presidente mundial da varejista, Lars Olofsson, esteve no Brasil e negou que a unidade brasileira esteja a venda. Olofsson disse que o Brasil faz parte do "coração" da estratégia do Carrefour.

terça-feira, 12 de julho de 2011

WALMART IRÁ COMPRAR O CARREFOUR NO BRASIL???


Carrefour

Walmart. Save Money. Live Better.

CARREFOUR, BNDES, PÃO DE AÇÚCAR, ABÍLIO DINIZ, GLOBO, O ASTRO...

'MERCHAN'
O Carrefour estará no centro da novela "O Astro", que estreia hoje, na Globo. A família Hayalla, comandada por Salomão (Daniel Filho), será dona da rede. Por um patrocínio milionário, a trama vai destacar que a empresa tem preços atraentes e competitivos.

sábado, 2 de julho de 2011

ABÍLIO DINIZ, O ESPERTALHÃO QUERIDINHO DOS GOVERNANTES BRASILEIROS QUE LHE DEVEM " FAVORES"!!!


01/07/2011
 às 18:08 \ Direto ao Ponto
Coluna do Augusto Nunes
Revista VEJA

A fusão do Pão de Açucar com o Carrefour: o BNDES entra com R$4 bilhões para favorecer um empresário de estimação

Ao implodir todas as falácias forjadas pelo governo e pela direção do BNDES para explicar a inexplicável injeção de R$4 bilhões na fusão do Pão de Açúcar e do Carrefour, o artigo de Carlos Alberto Sardenbergpublicado na seção Feira Livre deixou claro que a operação foi montada para favorecer o empresário Abílio Diniz. Para confirmar em última instância o curto e preciso diagnóstico do senador Aloysio Nunes Ferreira, que qualificou o negócio de “absurdo e escandaloso”, só faltava a entrada em cena do advogado Márcio Thomaz Bastos. Agora não falta mais nada: ao contratar o advogado-geral do Planalto para representá-lo, Abílio produziu simultaneamente uma confissão de culpa e outro indício veemente  de que o governo se meteu em outra enrascada de bom tamanho.
Criminalista talentoso, Márcio vem esbanjando inventividade desde 2005, quando abandonou as funções de ministro da Justiça para livrar da cadeia os quadrilheiros do mensalão. Transformou crime em erro, ladrão em tesoureiro distraído e produto do roubo em recursos não-contabilizados. Decerto encontrará alquimias menos bisonhas que as apresentadas pelos trapalhões federais. O mais recente se ampara na necessidade de defender a pátria ameaçada por vorazes concorrentes internacionais. “O patriotismo é o último reduto dos canalhas”, disse o escritor inglês Samuel Johnson. Como qualquer generalização, essa também é perigosa. Mas se aplica exemplarmente aos nacionalistas de araque em ação neste início de inverno.
“O mérito da operação é criar maioria nacional num conglomerado internacional”, recitou nesta quinta-feira o mineiro Fernando Pimentel, que ganhou o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior por ter naufragado na tentativa de virar senador. O fervor nacionalista contagiou o vice-presidente do BNDES, João Carlos Ferraz: “A bandeira verde e amarela é sempre importante”, declamou a jornalistas interessados em saber se a doação bilionária tem motivações técnicas ou políticas. Se fosse tão importante assim, deixaram de replicar os repórteres, o banco não estaria financiando aventuras em Cuba, na Venezuela e em outras paragens controladas por parentes ideológicos do PT.
É muito cinismo, berram os fatos. Até as gôndolas dos supermercados sabem que Abílio Diniz foi um generoso patrocinador das campanhas eleitorais de Lula e Dilma Rousseff. Tornou-se amigo de infância de Lula e continua a entrar sem bater nos gabinetes federais ocupados por quem manda.  Por algum motivo, arrependeu-se de ter vendido o controle do Pão de Açúcar aos sócios franceses do grupo francês Casino, resolveu romper o contrato e, para manter-se entre os barões do reino, pensou na fusão com o Carrefour. Se a ideia fosse boa, não lhe faltariam parceiros na iniciativa privada. Como só ele sairá ganhando, foi cobrar a conta dos favores prestados aos amigos no poder.

quinta-feira, 30 de junho de 2011

BNDES, A SERVIÇO DOS PODEROSOS...



 
29/06/2011 - 10:17


 

Negócios

Revista VEJA

Novo Pão de Açúcar: um negócio em que o BNDES não deveria estar

Como entidade que trabalha com dinheiro público, o BNDESPar deveria seguir o interesse público na hora de fazer suas apostas. Não é o caso dessa fusão

Ana Clara Costa e Beatriz Ferrari
Abilio Diniz
Abilio Diniz, do Pão de Açúcar: jogada ousada (Edu Lopes)
A tese fraca da "internacionalização" é a única que pode ser esgrimida para justificar a presença do BNDESPar na transação
A fusão de Pão de Açúcar e Carrefour, em estudo oficialmente desde esta terça-feira, deverá contar, como já se tornou praxe em anos recentes, com a participação bilionária do BNDESPar, o braço de investimentos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O aporte, mais precisamente, será de cerca de 4 bilhões de reais (ou 1,7 bilhão de euros). Como todo fundo de investimentos, o BNDESPar rastreia o mercado em busca de oportunidades. Não há dúvida que participar da união de duas gigantes do varejo é uma oportunidade extraordinária. Como entidade que trabalha com dinheiro público, no entanto, o BNDESPar deveria obedecer também ao interesse público na hora de fazer suas apostas. E, a menos que se dê a ele uma definição muitíssimo ampla, esse interesse não entra na equação que reúne Pão de Açúcar e Carrefour. 

Em comunicado ao mercado, o BNDES procurou explicar as razões por que pretende apoiar o negócio. “Caso o projeto em questão se concretize", diz a nota, "o grupo assumirá uma posição estratégica no Carrefour, um dos maiores varejistas globais, abrindo caminho para maior inserção de produtos brasileiros no mercado internacional.” É um argumento duvidoso. O Carrefour global teria de se transformar, incondicionalmente, na Grande Distribuidora de Produtos Brasil para justificar um investimento tão volumoso de nosso banco estatal de fomento. Isso não vai acontecer. A venda de produtos brasileiros em supermercados estrangeiros da gigante que está nascendo deverá se observar na exata medida em que faça sentido econômico. Nem mais, nem menos.
Infográfico: o passo a passo da operação Carrefour-Pão de Açúcar

A tese fraca da "internacionalização" é a única que pode ser esgrimida para justificar a presença do BNDESPar na transação. Nenhum dos outros argumentos clássicos usados para defender a ideia - por si só questionável - da presença do estado no comando de empresas se aplica. O setor de varejo não traz o chamado "retorno social", ao contrário do de infraestrutura ou comunicações. Não precisa de fomento especial, como o de inovação tecnológica. E tem crescido a taxas expressivas sem ajuda: sua expansão chegou a 10,9% no ano passado - bem acima do crescimento do PIB, que ficou em 7,5%. O Grupo Pão de Açúcar faturou 37,8% a mais que no ano anterior (considerando a aquisição das Casas Bahia), enquanto o Carrefour cresceu 33,7%. 

Qual o tipo de interesse público contemplado pela compra de um naco do Novo Pão de Açúcar pelo BNDES? Segundo o economista Mansueto Almeida, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), um órgão do governo, a resposta é: “nenhum”. “Estamos falando de grandes empresas com boa saúde financeira. Não seria difícil encontrar parceiros privados para tomar parte nessa operação", diz Almeida. “Precisamos do BNDES para financiar projetos sociais, ou para ajudar áreas de ponta como a biotecnologia e a TI a progredir. Não para atuar no varejo.” Quando o estado decide ajudar o Pão de Açúcar e o Carrefour a vender papel higiênico, vinho francês, salsicha e televisores, são os donos do Pão de Açúcar e do Carrefour que mais se beneficiam, e não o contribuinte.
Leia também: Carrefour-Pão de Açúcar será desafio para o Cade

Sinal negativo - A operação tem mais um ponto problemático. Atualmente, o Pão de Açúcar tem outro sócio francês, o grupo Casino. Esse grupo não foi informado das negociações com o Carrefour. “Essa operação envia um sinal negativo ao mercado. Mostra que o governo aceita participar de um negócio que, até onde se sabe, foi feito em prejuízo de um investidor estrangeiro", diz o executivo de um banco de investimento que preferiu não ter seu nome revelado.

Teoricamente, a situação do Casino não seria tão ruim. Se o negócio se concretizar, ele poderá ficar com 29% do capital total do Novo Pão de Açúcar – o que o colocaria na confortável posição de maior acionista individual da empresa. No entanto, a proposta ganha ares de emboscada quando imagina que, alinhados na operação, Abílio Diniz e BNDES teriam, juntos, 35% do capital do total da empresa em gestação. Esse percentual seria suficiente para eleger, por exemplo, o presidente do conselho. “O Casino colocou muito dinheiro nessa empresa e agora está nessa situação. Fica uma interrogação na cabeça de que pretende investir no Brasil”, afirmou ao site de VEJA um executivo ligado ao Casino.
Leia também: "Carrepão" seria líder incontestável do varejo brasileiro

O BNDES vinha se reunindo com o Grupo Pão de Açúcar há mais de seis meses, com o objetivo de estudar "alternativas de expansão". Foi nesse período que a consultoria de fusões e aquisições Estáter e o BTG Pactual começaram a estruturar um plano de fusão, com o acompanhamento de Abílio Diniz, presidente do conselho do Pão de Açúcar, e do fundo Blue Capital – acionista majoritário do grupo francês Carrefour. Em maio, a informação das conversas vazou. Nas semanas seguintes, Diniz emitiu diversos comunicados ao mercado negando com veemência qualquer operação. Nesta terça-feira, uma proposta concreta foi anunciada. O desfecho do caso virá em 60 dias – provavelmente, com a participação do banco estatal brasileiro, que se prepara para dar cacife a mais um “campeão nacional”.
(Com reportagem de Derick Almeida)

terça-feira, 28 de junho de 2011

CARREPÃO - O NOVO CARREFOUR OU O NOVO PÃO DE AÇÚCAR


Defesa da Concorrência

Revista VEJA

Carrefour-Pão de Açúcar será desafio para o Cade

Há risco de a transação trazer danos aos fornecedores e consumidores finais; especialistas apontam que a análise do caso será extremamente complexa

Carolina Guerra
Supermercado Pão de Açúcar
Analistas apontam risco de fusão prejudicar os consumidores (Germano Luders)
Caso o varejista francês Casino e outros acionistas aceitem a incorporação do Grupo Pão de Açúcar pelo fundo Gama, do BTG Pactual, será dada a largada para a restruturação que culminará na fusão da rede fundada pela família Diniz com o Carrefour Brasil. Passado este desafio, restará outro: convencer o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) de que a operação trará mais benefícios que males para o mercado, com destaque para o consumidor. Analistas ouvidos pelo site de VEJA adiantam que a análise da operação será extremamente complexa e demorada por implicar sérios riscos à concorrência.
A nova empresa, fruto da fusão, teria vendas da ordem de 65 bilhões de reais e capacidade para dominar 28% do varejo. Na prática, o número 1 do setor, o Grupo Pão de Açúcar, com um faturamento de 36 bilhões de reais em 2010, juntaria forças com o número 2, o Carrefour Brasil, que tem vendas de 29 bilhões de reais. Na terceira posição, vêm o Wal Mart Brasil, com 22,3 bilhões de reais, e (bastante atrás) a rede sergipana GBarbosa, com 3,5 bilhões de reais. Os números dão uma ideia do abismo que se formará no mercado varejista nacional, com potencial para gerar algumas distorções. Especialistas argumentam que o ambiente competitivo pode ser prejudicado, já que os fornecedores, que teriam seu poder de barganha reduzido, ficariam em posição bastante fragilizada. Os ganhos nas negociações de preços não necessariamente seriam repassados aos consumidores, que a depender da região em que vivem, teriam suas opções de locais de compra reduzidas. “O que pode acontecer é que o nível de participação de mercado em algumas cidades fique muito elevado”, aponta Eugenio Foganholo, diretor da consultoria Mixxer, especializada em varejo. “Nestes casos, o Cade deve interferir”, completa Foganholo.
Demora usual – A análise da chamada "concentração geográfica" do mercado – que leva em conta, no caso das grandes cidades, o estudo bairro a bairro para apurar se há sobreposição de lojas – já faz parte da rotina do Cade, conforme verificado nos processos de aquisição das redes Bompreço, no Nordeste, e Sonae, no Sul do país. Nesta operação Carrefour-Pão de Açúcar serão 2.301 pontos-de-vendas, o que já permite intuir a dificuldade que imporá ao conselho.
A constatação é preocupante quando se trata de um órgão naturalmente lento para tomar decisões. No caso Brasil Foods (BRF), por exemplo, o processo só entrou em pauta dois anos após seu anúncio, quando Sadia e Perdigão já estavam mais integradas. “Esta demora é muito ruim, pois gera incerteza nos negócios”, disse Foganholo, especialista em varejo. O próprio Pão de Açúcar ainda tem assuntos pendentes no órgão antitruste, o que só piora a perspectiva para análise da operação com o Carrefour. Aquisições anteriores, como a das Casas Bahia e do Ponto Frio, sequer foram apreciadas.
Além da ‘análise geográfica’ – O principal ponto a ser destacado na transação que envolve as líderes do varejo nacional é que o grupo que se formará será tão forte que se faz necessário avaliar outros aspectos que vão além da mera sobreposição de lojas em alguns municípios.
O consultor Juan Ferres, que já foi economista-chefe da Secretaria de Direito Econômico (SDE), destaca que será preciso uma profunda análise da dinâmica competitiva do mercado, pois esta será modificada com a criação de uma empresa do porte do Novo Pão de Açúcar (NPA). “O Cade terá de medir qual será o efeito desta operação para o poder de comprar (da nova varejista) junto aos fabricantes; e saber como se formará o poder compensatório, isto é, a possível reação dos fornecedores ante a nova empresa. O órgão terá de estudar também se haverá possível elevação das ‘barreiras à entrada’, que são obstáculos que dificultam ou impedem que uma varejista passe a competir no mercado de outra. Por fim, terá de entender se haverá exercício coordenado de poder mercado, que não é um cartel, mas sim um conluio velado entre os competidores. É aquela velha história, diante de um competidor tão forte, o outro simplesmente pode não querer bater de frente”, analisa.
Em resumo, se as distorções geradas pela fusão se mostrarem muito expressivas, a simples venda de algumas lojas nos mercados com maior concentração, como São Paulo e Rio de Janeiro, será uma medida insuficiente. Nada impede que o Cade reprove a operação ou a sancione com duras restrições, com a imposição de alienação de toda uma rede. “O Cade tem de analisar toda a cadeia. Se a fusão se apresentar nociva ao consumidor, ela terá de agir”, aponta Olavo Henrique Furtado, coordenador de pór-graduação e MBA da Trevisan escola de negócios. O desfecho, contudo, poderá ser conhecido dentro de alguns anos.