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segunda-feira, 30 de setembro de 2013

LADRÕES E MAIS LADRÕES. O BRASIL ESTÁ SENDO DELAPIDADO!


LADRÕES E MAIS LADRÕES - Família é suspeita de receber R$ 1,6 mi da Assembleia Legislativa de AL
Ministério Público investiga o pagamento de super salários a funcionários públicos do estado. Desvio de dinheiro pode passar dos R$ 70 milhões.

http://g1.globo.com/fantastico/noticia/2013/09/familia-e-suspeita-de-receber-r-16-mi-da-assembleia-legislativa-de-al.html

domingo, 20 de janeiro de 2013

XUXA E O ASSÉDIO SEXUAL DE UM GENERAL GRADUADO


08/01/2013
 às 17:00 \ Política & Cia

Além do que contou ao “Fantástico”, Xuxa tem outra história — do assédio sexual que sofreu de um general graduado, durante a ditadura. Confira

Xuxa durante a entrevista ao "Fantástico" em que revelou ter sofrido abusos sexuais até os 13 anos de idade (Reprodução Rede Globo)
Publicado originalmente em 21 de maio de 2012.
A grande repercussão da entrevista no Fantástico em que Xuxa contou dos abusos sexuais que sofreu quando adolescente – inclusive do melhor amigo do pai — me fez recordar de um caso na mesma linha que ela contou na entrevista principal da edição de agosto de 1996, celebrando o 21º aniversário dePlayboy, revista de que eu era diretor de Redação.
A longa e reveladora entrevista foi realizada pelo jornalista Guilherme Cunha Pinto, o “Jovem Gui”, profissional de primeiríssima, dos melhores com que convivi, e amigo querido, que teve morte precoce e absurda, naquele mesmo ano. E traz um episódio grave, ocorrido durante a ditadura. Xuxa ainda não tinha 18 anos quando sofreu assédio sexual de um general graduado, num episódio que incluiu limusine posta à disposição e vigia na porta de um hotel.
Leia o trecho da entrevista sobre esse episódio:
 Ingênua do jeito que era, como você enfrentou o assédio que deve ter acontecido depois que virou sex symbol? Houve inclusive um episódio dramático em Cleveland, nos Estados Unidos, que até hoje nunca ficou muito bem explicado. Como foi aquilo?
XUXA — Fui chamada para fazer umas fotos nos Estados Unidos, em janeiro ou fevereiro de 1980. Lembro da data porque estava para fazer 18 anos. Meu pai teve de assinar uma autorização, uma pessoa levou o contrato até em casa, no Grajaú, depositaram no banco 50% do valor e eu viajei.
No avião conversei com um militar brasileiro que me perguntou o que eu ia fazer em Cleveland. Disse que ia fotografar e ele estranhou. Me deu um cartão com o telefone dele e o nome de uma secretária. Falou: “Se precisar de alguma coisa, entre em contato comigo.” Cheguei e tinha uma limusine me esperando, com um motorista brasileiro. Eu estava toda feliz na limusine, pulando de um banco para o outro.
Falei alguma coisa com o motorista e ele perguntou: “Você sabe por que está aqui?”
Respondi: “Vou fotografar.”
Ele riu: “Te disseram que é pra fotografar? Olha, é bom saber: acho que não é isso não.”
Fiquei com um pouco de medo, mas estava me divertindo tanto… Chegando no hotel, ele perguntou se eu queria alguma coisa, e comprei um monte de pipocas, de vários sabores, e muitos doces. Quando cheguei ao quarto, tinha um guarda na porta, fardado.
O motorista disse: “Pronto. Está entregue.”
Me explicou que eu iria receber uma visita às 4 da tarde e que não poderia sair até lá. O guarda ficou do lado de fora, sem dizer uma palavra. Eu queria tomar banho, mas não achava a água quente. Abri a porta, para ver se o homem me ajudava, mas ele não se mexia. Eu disse: “O senhor não pode entrar pra arrumar o meu chuveiro? O senhor fala português?”
O motorista acabou me ligando para me alertar que não haveria foto nenhuma e que um militar graduado iria entrar no quarto. Comecei a chorar, desesperada, mas não consegui ligar para a minha família no Brasil. Estava num terceiro andar. Pensei: “Meu Deus, vou pular daqui!”
Aí me lembrei de ligar para aquele outro militar, que tinha me dado o cartão no avião. No cartão tinha o nome da secretária, Bárbara. Liguei e ela atendeu: “Bárbara?”, perguntei. Ela disse: “É.” Comecei a chorar: “Pelo amor de Deus…” Ela perguntou a minha idade. Eu disse: “Quase 18.” Ela falava: “Calma, Calma.”
Em 1980 estávamos no fim da ditadura. Hoje, passados dezesseis anos, você pode dizer o nome desse militar que chegaria às 4 da tarde em seu quarto?
XUXA — Não tive contato com essa pessoa. Não sei se o motorista falou o nome certo. Não posso falar uma coisa que não tenho certeza.
Mas era uma pessoa ligada ao governo do então presidente João Figueiredo?
Como assim, uma pessoa do governo? Era um militar. E foi um outro militar que me tirou de lá…
Sim, o governo estava cheio de militares. Esse que ia chegar [a seu quarto] era ministro?
Bá, não vou dizer o nome. Era um militar.
Do alto escalão?
Alto escalão, mesmo. Cheio de estrelona.
Está vivo?
Não sei. [Rindo, com ar impaciente.] Não sei se está vivo. Não vou falar mais sobre isso.

Leia também:

sexta-feira, 20 de julho de 2012

FERNANDO COLLOR PARA ROSANE COLLOR: PEÇA PARA JESUS!!!


Com os dias contados?


Rosane: pensão em risco
A já célebre pensão alimentícia  de 18 000 reais que Rosane Collor recebe do ex, Fernando Collor, revelada no Fantástico de domingo passado, pode estar com dias contados.
Há um recurso no STJ, impetrado por Collor no ano passado, requerendo a anulação do pagamento da pensão, decidido pelo TJ de Alagoas em 2007. Collor não topa pagar nem meio centavo.
Por Lauro Jardim

terça-feira, 13 de setembro de 2011

PATRICIA POETA, DILMA E OS OVOS REVUELTOS



12/09/2011
 às 20:45 \ Direto ao Ponto
Augusto Nunes - VEJA

Nunca houve no Brasil uma figura tão despreparada para a chefia do governo

“A Dilma precisa concluir o raciocínio”, disse Lula em maio de 2010, um tanto confuso com as primeiras apresentações no palanque da sucessora que escolhera. O caso é bem mais grave, registrou um post aqui publicado. Só pode ser concluído o que começa, e o neurônio solitário é incapaz de esboçar algum pensamento com começo, meio, fim e consistência. Desde a primeira frase pronunciada em público, todas as falas de Dilma Rousseff escancararam a mistura de indigência intelectual e ausência de raciocínio lógico. Desde o primeiro dia, esta coluna denunciou a fraude forjada para vender como executiva superdotada uma formidável mediocridade.
É provável que Lula nem saiba disso. Ele não conseguiria enxergar diferenças entre um Franklin Roosevelt e um Evo Morales. É compreensível que o rebanho engula o embuste sem engasgos. Os devotos da seita engoliram até José Sarney fantasiado de homem incomum. É natural que milhões de eleitores façam de conta que estão entendendo: eles não sabem o que fazem também porque não compreendem o que ouvem. O espantoso é o comportamento dos jornalistas ─ sobretudo os que já lidavam com política e políticos quando a Era da Mediocridade ainda era apenas um brilho no olhar dos fundadores do PT.
O que houve com profissionais que antes precisavam de poucos segundos para reconhecer cretinos fundamentais ou mentes brilhantes? Se dirigissem um telejornal, eles reprovariam Dilma Rousseff no primeiro minuto do teste de vídeo. Se comandassem uma redação, ela perderia na primeira linha do texto a disputa pela vaga de estagiária. Como entender o comportamento abúlico, cúmplice, pusilânime de jornalistas que escrevem bem e se expressam com clareza?
Por que não reagem com estranheza ao palavrório indecifrável? Por que os entrevistadores não pedem à entrevistada que explique melhor o que tentou dizer? Por que não exibem a altivez essencial no trato com a mulher sempre à beira de um ataque de nervos, como atesta o vídeo abaixo? A soma das interrogações compõe um enigma mais perturbador que o palavrório sem pé nem cabeça novamente servido ao país neste domingo.
Ainda hoje, o jornalista Celso Arnaldo Araújo comentará neste espaço a performance de Dilma no Fantástico. Enquanto espero o texto do nosso especialista em dilmês, revejo a apresentação de 20 minutos, lembro conversas com chefes de governo que conheci, penso no que sei sobre os mais antigos e constato, sem alegria, que a coluna esteve certa desde sempre: jamais a Presidência da República foi exercida por uma figura tão dramaticamente despreparada para o cargo. Nunca houve alguém como Dilma Rousseff.



Patrícia: A senhora sabe cozinhar?
Dilma: Eu sei. Algumas coisas eu faço direito; outras, não.
Patrícia: Eu sei uma coisa que a senhora sabe fazer.
Dilma: O quê?
Patrícia: Omelete.
Dilma: Ah, omelete. O problema meu com omelete é que ele gruda. Eu não sou boa de omelete, não. Sou boa de ovos revueltos.
(Um assessor palaciano revelaria mais tarde que, na saída, Dilma tirou satisfação com Patricia: “Você prometeu que não ia falar do omelete. Tive de mentir, para consertar sua pergunta maldosa: também não sei fazer ovos revueltos. Aliás, nem sei o que são revueltos”)



segunda-feira, 5 de setembro de 2011

CUIDADO! FIQUE ATENTO AOS ESTELIONATÁRIOS E NÃO CAIA NO CONTO!!!


Quadrilha negocia dados confidenciais e forja ações na Justiça


FANTÁSTICO /   G1
A PF, o MP e a Polícia Civil de São Paulo investigam há mais de um ano denúncias de um grande esquema de vazamento de informações sigilosas de cadastros de automóveis, da previdência e de bancos.

O Fantástico traz uma grande investigação jornalística. Quadrilhas negociam dados confidenciais de aposentados, donos de automóveis e clientes de bancos. Os criminosos forjam ações na Justiça e pegam dinheiro sem que os donos percebam. A reportagem é de Bruno Ferraz e Maurício Tavares.

Se você tem carro, preste atenção na conversa a seguir:

Homem: Estou precisando de uma base de dados de nome e placa de veículo do Brasil inteiro.
Fornecedor: Vai negociando que eu consigo.


A partir de informações confidenciais como essa, as quadrilhas podem aplicar golpes e, em tese, até planejar sequestros. Trata-se de um perigo também para os aposentados. “’Tu’ digita a cidade, aparece todo mundo que está aposentado”, disse o fornecedor.

A Polícia Federal, o Ministério Público e o setor de inteligência da Polícia Civil de São Paulo investigam há mais de um ano denúncias de um grande esquema de vazamento de informações sigilosas de cadastros de automóveis, da previdência e de bancos.

Homem: Qualquer banco que você tiver interessa.
Fornecedor: Eu posso conseguir para você.

Em gravações autorizadas pela Justiça, os criminosos se vangloriam dizendo ter acesso a dados dos principais bancos do país.

“Estão ativos e inativos na mesma relação. Deve ter quase um milhão de nomes. Teria que pensar, talvez, em R$ 100mil ou R$ 200 mil”, continuou o fornecedor.

Em São Paulo, pelo menos 12 pessoas estão sendo investigadas. O advogado Carlos Alberto Martins, que mora em Lençóis Paulista, interior do estado, é acusado pelo Ministério Público de ser um dos compradores das informações sigilosas. Em gravações telefônicas, ele foi flagrado negociando bancos de dados com um homem identificado pela polícia como César Mansani.

César Mansani: Carlos?
Carlos Alberto Martins: Oi.
César Mansani: César. Carlos, eu estou com uma base de dados. Eu queria mostrar pra você.
Carlos Alberto Martins: Isso me interessa, sim.
César Mansani: Te vendo por R$ 15 mil. Daí, levo para você amanhã à noite.

Segundo as investigações, o advogado Carlos Alberto Martins, que foi duas vezes vereador de Lençóis Paulista, usou dados sigilosos para aplicar um golpe milionário. Em apenas um ano, o de 2010, a Justiça de Birigui, a 220 quilômetros de Lençóis Paulista, recebeu 192 ações suspeitas. Todas com o mesmo objetivo: cobrar as perdas de quem tinha caderneta de poupança na época do Plano Collor 1, de 1990.

O Fantástico teve acesso a toda essa papelada e foi conferir os dados informados à Justiça. No endereço que deveria ser de um homem casado e aposentado, não tem nada construído, e ninguém conhece essa pessoa na região. Encontramos essa mesma situação em todos os endereços.

Somando as 192 ações, o valor solicitado passa de R$ 1.250 milhão. Anexados aos processos, estão extratos bancários informando quanto o cliente tinha na época. Segundo a investigação, os papéis são verdadeiros e fazem parte dos dados sigilosos comprados pelo advogado Carlos Alberto Martins.

“A obtenção desses dados se deram em relação a milhares de cidadãos, possibilitaram o ajuizamento de centenas de ações fraudulentas”, afirmou o promotor de Justiça Rafael Abujamra.

Indignadas e surpresas – assim ficaram as pessoas localizadas pelo Fantástico que tiveram o nome e os extratos usados indevidamente. A dona de casa Maria Margarida Miranda mora em Natal (RN). “Meu CPF andando por aí afora, é trambicagem”, reclamou.

A dona de casa Vanya Toscano da Nóbrega é de João Pessoa (PB). “Foi como um golpe, um tsunami que cai na sua cabeça e até hoje estou tentando me recuperar”, disse.

As vítimas do golpe confirmam que os extratos são verdadeiros. Já o número da identidade e a assinatura... “Não é minha assinatura e não entrei com ação, de jeito nenhum”, afirma a aposentada Maria Martins Lopes de Lima, de Ourinhos (SP).

Surpresa maior teve a comerciante Maria Helena Garcia, de Ourinhos, interior de São Paulo. A ação, que é do ano passado, está em nome do tio dela, Luiz Garcia. “Deve fazer uns dez anos que o meu tio morreu”, conta. Os golpistas falsificaram até a assinatura do morto. “Era analfabeto”, afirma a comerciante.

Em todas as 192 ações, há uma procuração, também falsa, dando amplos poderes ao advogado Carlos Pasqual Júnior. Segundo as investigações, ele também faz parte da quadrilha. “Nunca ouvi falar”, disse a dona de casa Mariane Oda.

Ao ter certeza da fraude, o juiz Carlos Gustavo de Souza Miranda, de Birigui (SP), não autorizou o pagamento das ações e descobriu que o golpe era bem maior. “Constatei que em várias outras comarcas, milhares de ações também tinham sido ajuizadas em nome desse advogado”, afirmou.

O Ministério Público estima que o golpe das ações tenha rendido cerca de R$ 20 milhões à quadrilha. A Justiça de Birigui condenou Carlos Pasqual Júnior a pagar multa e indenizações equivalentes a R$ 263 mil. “Esse advogado, ficou provado que ele fazia parte do esquema”, contou o delegado Nelson Barbosa Filho, da seccional de Araçatuba (SP).

Em 15 de julho de 2009, Carlos Pasqual Júnior registrou boletim de ocorrência dizendo que tinha perdido a carteira da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e que alguém usou o documento dele para entrar com as ações falsas. Para a polícia, essa foi uma estratégia da quadrilha para aplicar o golpe e escapar da acusação.

“Esse boletim de ocorrência ele apresentou justamente para dizer que é inocente. Ficou provado também que é mentira”, acrescentou o delegado Nelson Barbosa Filho.

Fomos até Ibitinga, no interior paulista, onde fica o escritório de Carlos Pasqual Junior. O advogado alegou inocência, disse que falsificaram a assinatura dele nas ações e preferiu não gravar entrevista. “Eu prefiro esperar calado o desfecho disso”, disse.

Contra o outro advogado, Carlos Alberto Martins, apontado como chefe da quadrilha de golpistas, pesam outras acusações. Ele é fundador do Instituto Nacional de Proteção e Defesa dos Direitos do Cidadão (Inapadec), que tem 23 escritórios em três estados.

O Inapadec é uma entidade particular que oferece assistência jurídica para quem tinha poupança na época dos planos Collor I, Verão e Bresser. Mas, segundo a investigação, o Inapadec servia para driblar uma norma da OAB.

“Nosso código de ética proíbe, de forma muito expressa, a captação de clientela, o oferecimento de serviço ao mercado. A punição vai de censura à própria exclusão dos quadros da OAB”, declarou Marcos da Costa, vice-presidente da OAB em São Paulo.

O advogado Marcelo Oliveira, que trabalhou dois anos no Inapadec, confirma a irregularidade. “O Carlos Alberto Martins liga, manda carta. Ele chegava: ‘Olha, eu represento a associação, a associação que está indo atrás. Não sou eu’”, contou.

Marcelo Oliveira diz que existem cerca de 200 ações fraudulentas em que ele aparece como o advogado que deu entrada no processo, mas alega que não sabia de nada. “Carlos Alberto Martins e os seus comparsas falsificavam minha assinatura”, disse Marcelo Oliveira, que também é investigado.

Em troca de redução da pena, o advogado contou à polícia que recebia de Carlos Alberto Martins relações de clientes de bancos feitas a partir do vazamento das informações sigilosas. “Esse aqui é o saldo que as pessoas tinham: R$ 2.654 milhões”, aponta.

Marcelo Oliveira afirma que presenciou Carlos Alberto pagando por um pacote de dados secretos. “Ele parou em um posto. Uma pessoa veio e entregou para ele”, relatou.

Os bancos dizem que, nos últimos anos, identificaram diversas fraudes praticadas por advogados especializados em ações de planos econômicos, como adulteração de extratos e apresentação de procuração falsa na agência bancária para conseguir informações dos clientes.

“Houve outro caso, em Maringá, onde uma instituição procurava obter ilegalmente informações sobre clientes para repassar a escritórios de advogados. Infelizmente, há essas quadrilhas organizadas para fraudar os bancos e fraudar também os consumidores”, afirmou Murilo Portugal, presidente da Federação Brasileira de Bancos (Febraban).

Mas por que as ações que cobram perdas da poupança de 20 anos atrás ainda despertam tanto interesse dos advogados? O principal motivo é que ainda é possível recorrer à Justiça.

“Veja se existe alguma ação civil pública em seu beneficio e recorra à Justiça, pedindo a satisfação do seu crédito. Na época, havia 70 milhões de cadernetas de poupança. No entanto, estima-se que pouco mais de um milhão de pessoas recorreram à Justiça”, estima Maria Elisa Cesar Novais, gerente jurídica do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec).

Na quinta-feira passada (1º), uma grande operação policial cumpriu mandados de busca e apreensão em seis cidades paulistas. As principais apreensões da semana aconteceram na casa e no escritório do advogado Carlos Alberto Martins. Os policiais apreenderam computadores, documentos e mais de 20 microfilmes originais, que guardam informações bancárias sigilosas.

“Pode ser que tenha ocorrido um caso de corrupção com algum funcionário de um banco, algum ex-funcionário do banco. Pode ser que empresas que são contratadas para fazer outras coisas no banco tenham tido acesso fraudulento a esse tipo de microfichas”, afirmou Murilo Portugal, presidente da Febraban.

Um ex-funcionário de banco é suspeito de ser um dos fornecedores dos dados sigilosos. Segundo o Ministério Público, João Manfredini trabalha atualmente em uma empresa que presta serviço para diversos bancos. Com ele, foram apreendidos computadores e documentos. Fomos à casa de Manfredini e deixamos recados no telefone. Ele não nos atendeu.

“Se ficar comprovado que há empresas que agiram inadequadamente, elas vão ser descredenciadas e vão ser processadas. Se ficar comprovado que houve envolvimento de funcionários, eles vão ser demitidos, punidos e também processados”, garantiu o presidente da Febraban, Murilo Portugal.

Carlos Alberto Martins, acusado de ser um dos compradores dos bancos de dados, teve a prisão decretada esta semana. Ele está foragido. Deixamos recados para o advogado nos ligar e na noite de sábado (3) ele ligou. E reconheceu que existe a venda de informações bancárias.

Repórter: O César que repassaria, para o senhor, os dados.
Carlos Alberto Martins: César passava pra mim? César deve passar. Os ‘cara’ vende isso daí pra tudo canto. A única informação que eu tinha, que eu tive, foi só de uma microficha que encontraram. É ficha antiga.
Repórter: Mas é sigiloso, doutor.
Carlos Alberto Martins: Mas não importa. E daí se é sigiloso? Se alguém chega e te fornece pra você, você tem os dados. Eu não comprei. Isso daí veio para o instituto.

A polícia já sabe que advogados de outros estados também compraram informações sigilosas. Há conversas de César Mansani, o negociador dos dados, com pessoas do Paraná.

César Mansani: É um negócio bom, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. É extrato mesmo.

Murilo Portugal, presidente da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), tranquiliza os clientes. “Os investimentos para proteger esses dados são elevados. Os dados mais modernos são todos mantidos em bases eletrônicas. Tem sistemas bastante seguros, com índices de 99,99% de segurança”, garante.

O Fantástico investigou quem é o negociador César Mansani e como ele atua no mercado clandestino de informações sigilosas. Ele mora na Zona Oeste da capital paulista. Por telefone, o produtor de reportagem do Fantástico simula interesse em abrir um escritório de advocacia e marca um encontro.

O encontro foi marcado em um shopping da Zona Oeste de São Paulo às 14h30. Vamos tentar negociar alguns dados sigilosos com ele. César Mansani chega em um carro importado, avaliado em mais de R$ 200 mil. Ele diz que consegue os bancos de dados e propõe uma sociedade.

César Mansani: Depois, no recebimento, a gente racha. Meu 1/3, por exemplo, dos honorários advocatícios. Banco de dados é normal. Isso daí é para localizar uma pessoa, poupadores. Eu consigo o banco de dados.

Nas interceptações telefônicas, César Mansani negocia também informações da Previdência.

Fornecedor: Até 2008 esse programa do INSS. Tem o número do benefício, nome, telefone, endereço, CPF da pessoa. Sabe quanto o cara me pagou nesse programa que eu peguei? R$ 100 mil.
César Mansani: Nossa.

Em nota, o INSS informou que denúncias de fraudes são encaminhadas ao Ministério Público e à Polícia Federal. Disse ainda que atualiza sistematicamente as soluções de segurança para evitar acessos indevidos e vazamentos de dados.

Nas escutas telefônicas, César Mansani também pede a uma pessoa as informações de todos os donos de carros do Brasil: “Placa de automóveis e endereço do proprietário. Os dados do proprietário“.

A resposta é que alguém do Departamento Nacional de Trânsito (Denatran) pode conseguir os dados.

Homem: Ele vai ver lá, viu? Ele fica em Brasília, entendeu? Lá no Denatran.
César Mansani: A gente senta e fecha o negócio.
Homem: Está bom. Beleza.

O Denatran informou que os critério de acesso às bases de dados são revisados periodicamente e que o acesso a informações pessoais, como nome e endereço, é restrito aos órgãos públicos.

Tentamos falar com César Mansani. Fomos à casa dele, deixamos nossos dados e ligamos várias vezes. Neste domingo (4), por telefone, uma pessoa informou que Mansani só vai se pronunciar depois que souber exatamente do que está sendo acusado.

O setor de inteligência da Polícia Civil de Araçatuba, interior de São Paulo, informou que vai indiciar esta semana César e, pelo menos, outras dez pessoas pela participação nas fraudes e no vazamento de bancos de dados.

A polícia apura se as informações sigilosas também foram repassadas para assaltantes e sequestradores. A Justiça já bloqueou as contas bancárias dos suspeitos. “Eu me senti roubada. Usando meu nome, meus dados. Nem tanto pelo dinheiro, mas por estar usando meus dados para fazer coisa errada”, comentou a dona de casa Mariane Oda. 

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

FANTÁSTICO - LADRÕES DO DINHEIRO PÚBLICO - BRASIL








Fantástico visita cidades com casos mais graves de desvio de dinheiro público

Em Curralinho (PA), São Sebastião (PA) e Tefé (AM), os milhões de reais que deveriam ir para saúde e educação são desviados.
O Fantástico traz uma reportagem capaz de causar indignação. Ela mostra até que ponto o desvio de dinheiro público deixa populações inteiras sem saúde, sem educação, vivendo em condições sub-humanas. São milhões de reais que o Governo Federal libera para a saúde, a educação, o saneamento em cidades do interior, mas esse dinheiro some, e ninguém sabe direito para onde vai. Veja na reportagem de Eduardo Faustini.

Acesse os relatórios da CGU sobre todos os municípios fiscalizados.

No Hospital Municipal de Curralinho, no estado do Pará, uma mulher se indigna: “Todo mundo se esconde”. Ela não consegue ser atendida. “O hospital está jogado às traças, não tem ninguém”, reclama.

Os cidadãos do município vizinho, São Sebastião da Boa Vista, e de Tefé, no estado do Amazonas, também sofrem com o mesmo abandono do poder público. “Aqui é lixão do hospital, é lixão da cidade e é lixão do matadouro. Tudo vem ser jogado aqui”, revela Berenice.

“Não tinha legumes. Eu tinha que levar de casa, senão a criança não merendava”, afirma uma mulher.

Essas três cidades – Curralinho (PA), São Sebastião (PA) e Tefé (AM) - recebem dinheiro do Governo Federal, mas milhões de reais que deveriam ir para a saúde, educação e saneamento são desviados. Os municípios brasileiros são fiscalizados pela Controladoria Geral da União (CGU), por sorteio. Uma das missões da CGU é defender o dinheiro público.

“Nós sorteamos 60 municípios de cada vez, no auditório da Caixa Econômica, no mesmo lugar onde se faz o sorteio da Mega-Sena, aberto para a imprensa, para todo mundo que quiser ver”, afirma o ministro Jorge Hage Sobrinho, da Controladoria Geral da União.

No último sorteio, os relatórios da CGU apontaram São Sebastião da Boa Vista, Curralinho e Tefé como os casos mais graves de desvio de dinheiro público. E o Fantástico mostra como esses desvios prejudicam a população.

São Sebastião da Boa Vista é uma cidade de 22 mil habitantes que fica a 12 horas de barco de Belém, a capital do Pará. No hospital da cidade, funcionárias jogam fora o lixo hospitalar como se fosse lixo comum.

“É um absurdo. A universidade está ali, o prédio do INSS que estão construindo lá, o estádio lá, a quadra aqui: tudo próximo do lixão, tudo no lado do lixão, e o lixão no meu quintal, praticamente”, conta a dona de casa Benedita Magalhães.

No local, estão seringas usadas, com as agulhas prontas para espetar, ferir e contaminar. O carpinteiro Sebastião Pinto conta que o filho já se feriu no lixão. “Meu filho, o Júlio, já foi furado com agulha umas duas vezes já, com seringa. E ninguém toma providência nenhuma”, diz,

“A seringa desse jeito ou qualquer outro material perfuro-cortante no ambiente hospitalar tem que ser acondicionado em uma caixa apropriada. Essa caixa tem que ser transportada de forma apropriada, por uma equipe que foi treinada, para ser incinerado”, explica o professor de infectologia Edmilson Migowski, da UFRJ.

Curralinho, com 28 mil habitantes, fica a 12 horas de barco de Belém. O repórter Eduardo Faustini encontra o mesmo problema: seringas usadas misturadas ao lixo comum.

“Já sou vereador nesse município há seis anos. São seis anos cobrando, colocando no orçamento a construção do forno crematório, e até agora nada. Não tem resposta nenhuma”, aponta o vereador Marquinho, de Curralinho (PA).

Segundo a CGU, Curralinho não conseguiu comprovar como gastou R$ 9,7 milhões.

Vamos à cidade de Tefé, que tem 65 mil habitantes e fica a 36 horas de barco de Manaus. O perigo aumenta quando as chuvas escondem as seringas na lama.

“Alguém que for tentar catar lixo ali para poder reciclar uma garrafa Pet, por exemplo, pode se ferir. Ao se ferir, pode então adquirir algumas doenças. As principais são hepatite B, hepatite C ou o próprio HIV”, ressalta o professor de infectologia Edmilson Migowski, da UFRJ.

Em São Sebastião da Boa Vista, você conheceu Benedita, a vizinha do lixão. Pois quando ela sai de casa para cuidar da saúde, encontra mais dificuldade. Ela e outros cidadãos tentam marcar consulta no hospital público.

“Nós ficamos aqui até 23h para pegar a ficha para vir se consultar”, revela uma menina. “Eu vou ficar aqui até 23h para pegar uma ficha para o meu esposo, que está doente, precisando de médico”, diz uma senhora.

Em Tefé, a agricultora Neide da Costa de Castro não conseguiu ser atendida nem marcar consulta. “Eu fui ao médico, só que o médico não me atendeu, porque não tinha médico, tinha só uma enfermeira no hospital”, revela.

Em Tefé, como nas outras duas cidades, enfermeiros e técnicos de enfermagem trabalham no lugar de médicos. Eles fazem consultas e prescrevem remédios sem um diagnóstico feito por um médico.

“A verdade é que, no município, a maior parte do serviço do médico quem faz são os técnicos de enfermagem, não por irresponsabilidade, mas por não querer se omitir ao atendimento”, aponta o vereador Reinaldo de Souza e Silva, de São Sebastião da Boa Vista (PA).

Veja o que acontece em um atendimento feito sem a orientação de um médico: “Esse remédio, a gentamicina, é usado diariamente aqui. Tudo foi receitado por um enfermeiro”, comenta uma técnica em enfermagem.

Em um único dia, esse antibiótico foi receitado pelo menos 21 vezes. “A gentamicina pode provocar dano tanto ao rim quanto ao ouvido. Não pode ser passado de qualquer maneira”, alerta o presidente da Associação Médica do Estado do Rio de Janeiro, Carlindo Machado e Silva.

Em Curralinho, milhares de remédios são desperdiçados. Pílulas, ampolas e vacinas, muitos comprados pelo Ministério da Saúde, estão com a validade vencida.

O que é jogado fora faz falta no posto de saúde, fechado há quatro meses. “Porque a gente não tem medicamento. Não tem como atender uma pessoa caso aconteça um acidente com corte. Não tem para a gente fazer curativo”, destaca o agente de saúde Jaime Pantoja, de Tefé (AM).

O repórter Eduardo Faustini chega à outra comunidade. Nela, as condições de trabalho da técnica de enfermagem Francisca Sá Barreto são as piores possíveis. Ela não tem nem luvas para tirar os pontos da cesariana de uma paciente. “Não estou com luva, porque não tem”, afirma. “Já costurei oito pessoas com agulha de costurar roupa”.

Francisca explica que limpa o material hospitalar em uma pia e que a torneira não tem água. Então, enche um balde com a água do rio: “Acabou o procedimento, eu venho para cá, coloco aqui e pego o sabão. Eu tenho que encher com a água do rio. Eu pego, coloco o material de molho aqui por uns 20 minutos, depois eu venho, meto a escovinha e vou colocar nesse fogão para esterilizar”, explica.

“É feito tudo de uma maneira muito rudimentar, colocando em risco os próximos pacientes, nos quais ela for usar esse material, que certamente estará contaminado”, afirma o presidente da Associação Médica do Estado do Rio de Janeiro, Carlindo Machado e Silva.

Mas por que técnicos e enfermeiros fazem o papel de médicos? “Os médicos não querem vir para o interior”, justifica o prefeito de Tefé (AM), Jucimar de Oliveira Veloso.

E os salários são bons. Muitos médicos aceitam, e um ou outro aproveita para ganhar mais um dinheirinho extra. “Um médico ganha cerca de R$ 1,3 mil por dia, para consultar 15 pessoas de manhã e 10 à tarde. Depois, ele não atende mais e vai para o consultório dele particular”, diz o prefeito interino de São Sebastião da Boa Vista (PA), Doriedson Teixeira da Silva.

Esse é o caso do médico Itamar Cardoso. Em um mesmo dia, ele atende no hospital público e depois no consultório particular, onde está o único aparelho de ultrassonografia do município.

“No dia em que ele está batendo ultrassom, ele ganha como médico de ultrassom e ganha também como médico do nosso município. Ele acumula dois salários só em um dia”, destaca o prefeito interino.

O Fantástico foi atrás do doutor Itamar. Ele marcou no hospital público às 15h, mas um funcionário do hospital não permite a entrada da equipe do Fantástico.

Funcionário: Fica lá fora.
Fantástico: Eu vou ficar lá fora, mas ele marcou comigo às 15h.
Funcionário: Quando ele chegar, eu mando vocês entrar.
Fantástico: Está bom. Estou aqui fora, aqui na porta.

O funcionário tenta impedir a nossa equipe de trabalhar. Ele coloca a mão na câmera tentando impedir a filmagem. O doutor Itamar acaba dizendo que não quer gravar entrevista.

A falta de equipamentos é uma realidade também nos laboratórios públicos, que não têm aparelhos nem materiais para garantir a segurança do técnico e do paciente. “A gente coloca cloro, detergente e fica até soltar o material. Depois, a gente ainda escova com sabão. E assim a gente faz uma mistura para poder limpar. Não é o ideal. Tinha que ser descartável”, revela uma funcionária.

As lâminas são lavadas no banheiro. “Se você tiver que reutilizar um material. Uma lâmina de vidro, por exemplo, tem que ser autoclavado. Autoclavar é um aparelho que esteriliza. Ele usa a uma temperatura extremamente elevada que mata vírus e mata bactéria”, explica o professor de infectologia Edmilson Migowski, da UFRJ.

Toda essa precariedade ocorre em um município com altíssimo índice de malária, cerca de metade dos 28 mil moradores já contraiu a doença. Muitos, mais de uma vez.

“Aqui na minha casa todo mundo já pegou malária. Meu pai pegou 14 vezes. Eu peguei cinco. Todos os anos, nós pegamos. Minha mãe pegou oito”, revela o estudante Michel Gonçalves.

“Em 2010, nós tivemos quase 13 mil casos de malária. Em 2011, se medidas não forem tomadas, certamente nós vamos aumentar esse número. E isso é muito alarmante para um município do tamanho de Curralinho”, destaca o coordenador de endemias do Pará, Luiz Roberto Pereira.

Alarmante também é um matadouro municipal. “O pessoal não tem o equipamento de proteção individual. O chão está totalmente imundo. As paredes e o chão não são apropriados. O transporte é totalmente irregular. A carne tem que ser transportada sob proteção, refrigerada. Não tem muita diferença do ponto de vista sanitário você transportar a carne na carroça e em uma caçamba de lixo”, aponta o professor de infectologia Edmilson Migowski, da UFRJ.

O que os funcionários entendem como higiene é lavar o estabelecimento com água, e tudo vai parar no rio que é de onde sai a água usada pela população. “Quando você joga sangue in natura na água, você acaba favorecendo a proliferação de bactérias”, explica o infectologista.

Segundo a Controladoria Geral da União, o município de São Sebastião da Boa Vista recebeu do Ministério da Saúde R$ 1,2 milhão para implantar o sistema de esgoto. Uma construtora recebeu o dinheiro, mas a prefeitura não comprovou a execução dos serviços.

“Nós não ficamos só no processo para ver a comprovação da despesa, para ver se houve a licitação ou não, porque, às vezes, o processo está muito bonitinho. Quando veem no processo que houve uma licitação, quais as empresas que ali apareceram como tendo participado, os nossos auditores vão procurar a empresa no endereço”, afirma o ministro Jorge Hage Sobrinho, da Controladoria Geral da União.

Nosso repórter vai até duas empresas que venceram licitações da prefeitura de Curralinho, no Pará. Uma foi convidada a disputar o fornecimento de materiais de escritório; a outra, o de materiais de higiene e limpeza.

Fantástico: Vocês fizeram negócio na prefeitura?
Anisérgio da Silva Oliveira: Meu pai fez.
Fantástico: Mas a empresa é tua ou do teu pai?
Anisérgio da Silva Oliveira: É dele.
Fantástico: Todas elas?
Anisérgio da Silva Oliveira: Não. Essa aqui é dele. Essa aqui é minha.

A empresa de Anisérgio da Silva Oliveira tem o nome dele. Ela foi uma das vencedoras da licitação para fornecer material de escritório. Sobre a empresa do pai, ele diz que não sabe nada. “É parte de papelaria. Do meu pai, eu não sei. Só sei da minha”, diz Anisérgio.

Como ele não sabe? As duas empresas ficam lado a lado. A empresa do pai se chama Oliver Comércio e Serviços de Obras e foi uma das escolhidas para fornecer material de higiene e limpeza.

A CGU desconfia que o processo foi fraudado, porque as compras custaram mais R$ 200 mil para cada tipo de material. A lei diz que, se o valor passa de R$ 80 mil, não pode haver licitação por convite. O que a prefeitura tinha que ter feito era outro tipo de licitação, a chamada tomada de preços.

O ex-prefeito de Tefé Sidônio Gonçalves perdeu o mandato no ano passado, porque foi eleito prefeito pela quarta vez, o que é proibido. Quando ele era prefeito, a cidade recebeu do Governo Federal R$ 24,6 milhões para a educação. A CGU descobriu que a prefeitura não comprovou como gastou quase a metade desse dinheiro: R$ 11 milhões.

Segundo o novo prefeito, Jucimar de Oliveira Veloso, que tomou posse esta semana, a situação das escolas é péssima. “Nós temos mais de 48 escolas sem condições, totalmente sem condições de ter aula. Infelizmente, é essa a nossa realidade”, destaca.

O aluno que não leva comida de casa passa fome. “Não tinha legumes para fazer sopa. Tinha que levar de casa, senão a criança não merendava, para fazer a sopa. Quando tinha, quando não era rapadura, banana verde que eles davam para a criança”, conta Susimara Silva da Cruz, mãe de aluno. “Chegava lá e, às vezes, não tinha merenda. Voltava e não tinha merenda”, comenta Neide da Costa de Castro, mãe de alunos.

A situação não é melhor nas outras duas cidades fiscalizadas pela CGU.

“Não tem carteira para todos. A carteira que tem são poucas, não é para todos. Quando vêm todos os alunos, tem uns que têm que sentar no chão”, conta a professora Maria do Socorro de Farias, de Curralinho (PA).

“Quando chove, enche, e a gente tem que pular pela janela para poder dar aula, para os alunos terem acesso à sala de aula. As salas enchem. Está precisando de uma boa reforma”, diz a professora Francisca Rodrigues da Costa, de São Sebastião da Boa Vista (PA).

Procuramos o prefeito de São Sebastião da Boa Vista (PA), e ele não quis receber a nossa equipe.

Já o prefeito de Curralinho começa dizendo que todo o dinheiro recebido do Governo Federal foi aplicado corretamente. “O recurso da educação foi aplicado na educação. Os outros recursos, no caso, da saúde, mesma coisa”, diz o prefeito de Curralinho (PA), Miguel Santa Maria.

Mas, em seguida, ele admite que as contas da cidade não fecham: “Quando a CGU vai ao nosso município, é bom. Ela achou os problemas, e a gente vai responder já consertando”.

“Eu diria que hoje nenhum gestor, seja prefeito de município, seja dirigente de órgãos estadual ou federal, pode mais confiar integralmente na impunidade. Não pode. Mesmo que o processo judicial demore, que ele possa confiar que dificilmente chegará a se posto na cadeia, mas há outros tipos de sanções. São punições administrativas, são providências que o obrigam a devolver ao erário o dinheiro desviado. Além disso, há aquela sanção difusa da opinião pública, da sociedade, porque a imprensa divulga, toda a população fica sabendo o que aconteceu”, afirma o ministro Jorge Hage Sobrinho, da Controladoria Geral da União.

“Cada relatório de cada auditoria que se conclui, nós encaminhamos para todo mundo que tenha alguma coisa a ver com o assunto: a Câmara do município, o prefeito municipal e o ministério que repassou os recursos para que ele tome as providências”, destaca o ministro.