Sobram corruptos porque falta cadeia
Coluna do Augusto Nunes
Revista VEJA
Depois de ter esvaziado parcialmente os cofres do Ministério do Trabalho, Carlos Lupi esvaziou de vez as gavetas do gabinete em que permaneceu homiziado por quase cinco anos. Só não consegue esvaziar o pote até aqui de mágoa. “Com vocês da imprensa agora eu só falo por meio de nota oficial”, rosnou o ex-jornaleiro para os jornalistas que tentaram ouvi-lo nesta segunda-feira. “Vocês já destilaram todo o seu ódio. Agora só por nota”. Dado o aviso, caminhou em direção à garagem do ministério ─ e à lata de lixo da história.
Não faz tanto tempo assim, meliantes surpreendidos na cena do crime saíam em desabalada carreira. Agora, capricham na pose de injustiçados e tratam com arrogância os que garantiram a supremacia da lei e da verdade. Se o Ministério Público e o Judiciário cumprirem seu dever, Lupi logo descobrirá que não é possível responder a interrogatórios com notas oficiais. O país que presta não está interessado em saber o que pensa o mentiroso compulsivo. Quer saber o que tem a dizer na delegacia e no tribunal. Delinquentes não concedem entrevistas. Prestam depoimentos. Não acusam. Defendem-se.
Cumpre à Justiça deixar claro que pedidos de demissão não anulam crimes nem anistiam culpados. A perda do emprego não pode impedir nem retardar ações penais. Ex-ministros precisam aprender que não existem condenados à perpétua impunidade. No Brasil Maravilha, sobram corruptos porque falta cadeia.
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terça-feira, 6 de dezembro de 2011
terça-feira, 13 de setembro de 2011
PATRICIA POETA, DILMA E OS OVOS REVUELTOS
12/09/2011
às 20:45 \ Direto ao PontoAugusto Nunes - VEJA
Nunca houve no Brasil uma figura tão despreparada para a chefia do governo
“A Dilma precisa concluir o raciocínio”, disse Lula em maio de 2010, um tanto confuso com as primeiras apresentações no palanque da sucessora que escolhera. O caso é bem mais grave, registrou um post aqui publicado. Só pode ser concluído o que começa, e o neurônio solitário é incapaz de esboçar algum pensamento com começo, meio, fim e consistência. Desde a primeira frase pronunciada em público, todas as falas de Dilma Rousseff escancararam a mistura de indigência intelectual e ausência de raciocínio lógico. Desde o primeiro dia, esta coluna denunciou a fraude forjada para vender como executiva superdotada uma formidável mediocridade.
É provável que Lula nem saiba disso. Ele não conseguiria enxergar diferenças entre um Franklin Roosevelt e um Evo Morales. É compreensível que o rebanho engula o embuste sem engasgos. Os devotos da seita engoliram até José Sarney fantasiado de homem incomum. É natural que milhões de eleitores façam de conta que estão entendendo: eles não sabem o que fazem também porque não compreendem o que ouvem. O espantoso é o comportamento dos jornalistas ─ sobretudo os que já lidavam com política e políticos quando a Era da Mediocridade ainda era apenas um brilho no olhar dos fundadores do PT.
O que houve com profissionais que antes precisavam de poucos segundos para reconhecer cretinos fundamentais ou mentes brilhantes? Se dirigissem um telejornal, eles reprovariam Dilma Rousseff no primeiro minuto do teste de vídeo. Se comandassem uma redação, ela perderia na primeira linha do texto a disputa pela vaga de estagiária. Como entender o comportamento abúlico, cúmplice, pusilânime de jornalistas que escrevem bem e se expressam com clareza?
Por que não reagem com estranheza ao palavrório indecifrável? Por que os entrevistadores não pedem à entrevistada que explique melhor o que tentou dizer? Por que não exibem a altivez essencial no trato com a mulher sempre à beira de um ataque de nervos, como atesta o vídeo abaixo? A soma das interrogações compõe um enigma mais perturbador que o palavrório sem pé nem cabeça novamente servido ao país neste domingo.
Ainda hoje, o jornalista Celso Arnaldo Araújo comentará neste espaço a performance de Dilma no Fantástico. Enquanto espero o texto do nosso especialista em dilmês, revejo a apresentação de 20 minutos, lembro conversas com chefes de governo que conheci, penso no que sei sobre os mais antigos e constato, sem alegria, que a coluna esteve certa desde sempre: jamais a Presidência da República foi exercida por uma figura tão dramaticamente despreparada para o cargo. Nunca houve alguém como Dilma Rousseff.
Patrícia: A senhora sabe cozinhar?
Dilma: Eu sei. Algumas coisas eu faço direito; outras, não.
Patrícia: Eu sei uma coisa que a senhora sabe fazer.
Dilma: O quê?
Patrícia: Omelete.
Dilma: Ah, omelete. O problema meu com omelete é que ele gruda. Eu não sou boa de omelete, não. Sou boa de ovos revueltos.
(Um assessor palaciano revelaria mais tarde que, na saída, Dilma tirou satisfação com Patricia: “Você prometeu que não ia falar do omelete. Tive de mentir, para consertar sua pergunta maldosa: também não sei fazer ovos revueltos. Aliás, nem sei o que são revueltos”)
sábado, 2 de julho de 2011
QUEM É O IDIOTA???
Revista VEJA
Jobim tenta se justificar: “Idiota é quem faz intrigas”
“Estão querendo criar intriga entre a gente”, afirmou a presidente Dilma Rousseff ao receber o ministro da Defesa, Nelson Jobim, no Palácio da Alvorada nesta sexta-feira. O ministro respondeu prontamente: “Isso justifica (o termo) idiotas”.
Com esse argumento – de que idiotas seriam os jornalistas que teriam noticiado de forma distorcida suas declarações – Jobim quis desfazer o mal-estar que criou ao discursar durante homenagem aos 80 anos de Fernando Henrique Cardoso, nesta quinta-feira. As declarações do ministro na ocasião foram consideradas uma indireta contra a gestão da presidente Dilma Rousseff.
“O que se percebe hoje, Fernando, é que os idiotas perderam a modéstia. E nós temos de ter tolerância e compreensão também com os idiotas, que são exatamente aqueles que escrevem para o esquecimento”, afirmou Jobim, parafraseando o dramaturgo Nelson Rodrigues.
A assessoria do ministro informou que o ministro chamou de idiotas “as pessoas que se utilizam da imprensa para fazer intrigas”. Entre essas pessoas haveria alguns jornalistas. Em contrapartida, completa a assessoria, a palavra “idiota” não seria uma referência a toda a classe jornalística.
Curiosidade - Essa não é a primeira vez que Jobim cita o texto de Nelson Rodrigues. Em 2005, quando era presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro ficou irritado com as suspeitas de que estaria atuando em defesa de petistas no tribunal. “Os idiotas perderam a modéstia”, atacou Jobim na época.
O ministro chegou ao STF em abril de 1997, por indicação do então presidente FHC. Ganhou o apelido de “líder do governo tucano” na Suprema Corte.
(Luciana Marques, de Brasília)
Governo Dilma
Dilma manda Nelson Jobim se explicar sobre 'idiotas'
Declarações do ministro da Defesa durante comemoração dos 80 anos de FHC irritaram a presidente; Ele afirma ter sido mal-interpretado
Luciana Marques
Jobim citou Nelson Rodrigues: "Ele dizia que, os idiotas chegavam devagar e ficavam quietos. Temos de ter tolerância"(André Dusek/AE)
A presidente Dilma Rousseff exigiu explicações do ministro da Defesa, Nelson Jobim, sobre as declarações dele durante cerimônia de comemoração dos 80 anos de Fernando Henrique Cardoso, nesta quinta-feira. Na ocasião, Jobim disse que "os idiotas perderam a modéstia", o que foi interpretado como uma referência a representantes do governo. A declaração gerou mal-estar no Planalto. Irritada, a presidente Dilma chamou Jobim para uma conversa no Palácio da Alvorada na manhã desta sexta-feira.
Segundo a ministra da Secretaria de Relações Institucionais (SRI), Ideli Salvatti, o ministro disse que houve um "mal-entendido" e que iria se explicar publicamente por meio de uma nota. O discurso de Jobim durante homenagem a FHC foi tido como uma indireta contra a gestão da presidente Dilma. Ele afirmou que os "tempos mudaram" e citou que o ex-presidente nunca "levantou a voz para ninguém". Disse ainda que chegou ao cargo atual por causa do tucano.
Para espanto dos governistas presentes no evento, Jobim completou: "Ele [Nelson Rodrigues] dizia que, no seu tempo, os idiotas chegavam devagar e ficavam quietos. O que se percebe hoje, Fernando, é que os idiotas perderam a modéstia. E nós temos de ter tolerância e compreensão também com os idiotas, que são exatamente aqueles que escrevem para o esquecimento", afirmou.
Crise - O recém-nomeado líder do governo no Congresso, deputado Mendes Ribeiro (PMDB-RS), saiu em defesa de Jobim, seu correligionário. Questionado por um jornalista se há uma crise no Planalto por causa das declarações do ministro, foi irônico: “Por que crise? Isso nós também temos [que conviver com idiotas]. Agora quais são eles, onde estão?.”
Mendes Ribeiro negou que a declaração de Jobim tenha sido uma referência à presidente Dilma e disse que sua "inteligência" não permitiria tal indireta.
Indagada se Jobim poderia ser demitido, a ministra Ideli Salvatti respondeu: "Ele está tranquilo".
Resposta - Por meio de sua assessoria, o ministro informou que o encontro com Dilma já estava agendado e que a conversa entre eles foi "amena". A avaliação de Jobim é de que suas declarações tiveram uma "amplitude demasiada". O ministro disse ainda que está satisfeito com o governo da presidente Dilma e que não quer deixar o ministério. Ele avisou também que tem colaborado com o Planalto, inclusive para a articulação política.
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