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quinta-feira, 9 de maio de 2013

PATRÃO NÃO PODERÁ CHECAR NOME SUJO DE CANDIDATO A EMPREGO


Comissão proíbe patrão de checar “nome sujo” de candidato a emprego

Consulta a banco de dados e cadastros de proteção ao crédito de candidatos se tornaria ser crime de discriminação no trabalho. Proposta ainda vai ao plenário da Câmara
Antonio Augusto/Câmara dos Deputados
Vieira da Cunha, autor do projeto: consulta é violação de intimidade e privacidade do empregado
A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara aprovou na manhã desta quarta-feira (8) projeto de lei que proíbe patrões de verificarem se candidatos a emprego têm o “nome sujo” no comércio. Hoje, algumas empresas chegam a eliminar candidatos caso eles tenham dívidas não pagas. Pela proposta, ficaria proibida a simples consulta a quaisquer órgãos de proteção ao crédito para contratação de empregados. A proposta, de autoria do Senado, ainda será analisada pelos deputados em plenário.

O texto aprovado na comissão, de autoria do deputado Vieira da Cunha (PDT-RS), considera a consulta a banco de dados e cadastros de proteção ao crédito de candidatos a emprego crimes de discriminação no trabalho, e prevê pena de detenção de 1 a 2 anos, além de multa.
“O fato é que a utilização dessa consulta ao cadastro de proteção ao crédito para impedir a contratação de empregado caracteriza, a nosso ver, uma invasão à intimidade e à privacidade do empregado. E mais, usa a situação  econômico-financeira dos trabalhadores para limitar o seu acesso ao mercado de  trabalho em um momento de grande necessidade”, afirma Vieira da Cunha em seu substitutivo. “Veja o contra-senso da situação: o trabalhador inscrito no cadastro de proteção ao crédito estaria impedido de assumir um emprego que possibilitaria o pagamento das dívidas que o levaram a ser inscrito”, complementa.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

RENAN CALHEIROS, O ENCARREGADO DA POCILGA NACIONAL


Renan diz que assinaturas pró-renúncia não importam

“O que importa é saber que a sociedade quer um Congresso mais ágil e preocupado com os problemas dos cidadãos. E assim o será”, garantiu o presidente do Senado, após mais de 1,5 milhão de pessoas exigirem seu impeachment
Marcos Oliveira/Ag.Senado
"Número de assinaturas não é tão importante", afirmou Renan
O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), disse nesta sexta-feira (15) que “não é tão importante” a quantidade de mais de 1,5 milhão de assinaturas em abaixo-assinado por sua renúncia. “O número de assinaturas não é tão importante quanto a mensagem”, afirmou ele, em nota distribuída hoje. Ele disse que o importante é “a mensagem” passada pela sociedade, que deseja um Congresso melhor e “preocupado” com os cidadãos. Renan prometeu trabalhar para satisfazer essa necessidade.
É a primeira vez que Renan se manifesta a respeito de críticas contra si depois que ganhou as eleições da Mesa, em 1º de fevereiro. Em 2007, renunciou à Presidência do Senado para manter o mandato, depois de se tornar alvo de seis representações de cassação no Conselho de Ética. Na nota, Renan classificou como “lícita e saudável” a coleta de adesões na internet contra sua permanência no cargo. “Fui líder estudantil, todos sabem, e também usei as ferramentas da época para pressionar.”
Na nota, Renan prometeu conversar com o presidente da Câmara, Henrique Alves (PMDB-RN), para montar uma agenda que garanta “o maior desenvolvimento do Brasil”. “Temos que tornar o Brasil mais fácil, fazer a reforma tributária, política, propor medidas de combate à criminalidade, enfrentar a questão dos vetos”, disse, repisando tópicos de seu discurso no dia em que foi eleito presidente do Senado.
Às voltas com três inquéritos do Ministério Público que podem virar ação penal no Supremo Tribunal Federal, Renan promete o que seu antecessor no cargo, José Sarney (PMDB-AP), também havia prometido por diversas vezes, mas sem avanço prático em nenhuma delas. “Do ponto de vista administrativo, teremos no Senado uma gestão austera, com corte de gastos, transparência e o fim da redundância de estruturas”, discursou, referindo-se ao excesso de diretorias e setores obsoletos há décadas em funcionamento na Casa.
Pela legislação atual, um processo de cassação só pode começar por iniciativa de um parlamentar ou de um partido político. Ou seja, a petição não tem poder legal, mas representa um recado de parte da sociedade. Renan é acusado pela Procuradoria-Geral da República de ter cometido três crimes: peculato (desvio de dinheiro público ou bem público por funcionário público), falsidade ideológica e uso de documento falso.
A íntegra da nota
“Presidente Renan fala sobre manifestação do site da Avaaz e aponta desafios à frente da Presidência do Senado
A mobilização na Internet é lícita e saudável, principalmente, entre os jovens. Fui líder estudantil, todos sabem, e também usei as ferramentas da época para pressionar. O número de assinaturas não é tão importante quanto a mensagem, o que importa é saber que a sociedade quer um Congresso mais ágil e preocupado com os problemas dos cidadãos. E assim o será.
O Congresso Nacional vai trabalhar para garantir o maior desenvolvimento do Brasil. Vou conversar na segunda-feira com o presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves, para que possamos colocar em votação as matérias necessárias ao crescimento do país, de forma sustentável e duradoura.
Temos que tornar o Brasil mais fácil, fazer a reforma tributária, política, propor medidas de combate à criminalidade, enfrentar a questão dos vetos.
Do ponto de vista administrativo, teremos no Senado uma gestão austera, com corte de gastos, transparência e o fim da redundância de estruturas.
Vamos convidar o ministro da Fazenda, Guido Mantega, e o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, para avaliar como, juntos, poderemos ajudar a economia do país, ajudar na geração de empregos e renda e afastar o fantasma da inflação.
Nas últimas décadas, o Brasil avançou bastante nos conceitos modernos, ganhamos prestígio internacional. E o Congresso Nacional teve papel decisivo nesse processo. Não podemos recuar no tempo e abrir mão dos avanços conquistados.
Renan Calheiros
Presidente do Senado Federal”

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

SIM! NÓS SOMOS BANDIDOS!

Líderes no Congresso enrolados na Justiça

Parlamentares responsáveis por comandar bancadas são alvo de mais de 40 investigações no Supremo. Oito líderes no Senado e seis na Câmara respondem a inquéritos ou ações penais na mais alta corte do país
O início do ano legislativo não trouxe apenas a mudança no comando diretivo do Congresso. Os partidos também escolheram novos líderes para suas bancadas na Câmara e no Senado. E, a exemplo do que ocorre com as Mesas Diretorasdas duas Casas, boa parte dos parlamentares responsáveis pelas lideranças estão sob investigação no Supremo Tribunal Federal (STF).Atualmente, tramitam no Supremo 14 inquéritos contra oito líderes no Senado e 26 inquéritos e três ações penais contra seis líderes na Câmara. Ou seja, há 43 investigações envolvendo os líderes das duas Casas. Dois deles são réus no STF: os deputados Anthony Garotinho (PR-RJ) e Jânio Natal (PRP-BA) respondem a ações penais, processos que podem resultar em condenação. Os demais são alvos de inquéritos (investigações preliminares que podem resultar na abertura de ações penais).
Os dados do levantamento do Congresso em Foco são baseados em informações disponíveis na página do STF na internet. Por terem a chamada prerrogativa de foro, autoridades como deputados, senadores, ministros de Estado e o presidente da República só podem ser investigados e julgados por crimes no Supremo. Como mostrou este site na última terça-feira (5), dos 11 integrantes da nova Mesa do Senado, seis respondem a inquérito ou ação penal no Supremo. Na Câmara, três dos novos membros da direção também são investigados na corte.
Investigações
Entre os líderes no Senado, o que possui maior número de inquéritos em andamento é Gim Argello (PTB-DF). Há quatro investigações envolvendo o petebista. No mais antigo deles, o senador que lidera o PTB e o Bloco Parlamentar União e Força (PTB, PR e PSC) responde por apropriação indébita, lavagem de dinheiro, peculato e corrupção passiva. Nos outros, é investigado por crime da Lei de Licitações, crimes eleitorais e peculato.
Outro senador enrolado no STF é Alfredo Nascimento (PR-AM). Ex-ministro dos Transportes, ele possui três inquéritos abertos. No mais antigo, aberto em 2006, ele é investigado por crimes de responsabilidade. Nos outros dois, peculato e corrupção passiva. Sua assessoria disse aoCongresso em Foco, no ano passado, que “o senador não se manifesta sobre processos em tramitação no Poder Judiciário”.
Também sofrem investigações no STF os senadores Acir Gurgacz (PDT-RO), investigado por crime da Lei de Licitações desde 2011. Eduardo Amorim (PSC-SE) possui dois inquéritos em andamento. Em um deles, o líder do PSC é investigado por improbidade administrativa e no outro por captação ilícita de votos. O líder do governo no Senado, Eduardo Braga (PMDB-AM), também tem uma investigação em curso, por crime eleitoral.
Medicamentos
O líder da Minoria (oposição) no Senado, Mário Couto (PSDB-PA), também tem pendência judicial no Supremo. O senador cumpre acordo para encerrar o Inquérito 2539 por crimes eleitorais. Couto foi autuado por não ter retirado pichações de muros no prazo definido após determinação da Justiça eleitoral em 2006, quando era deputado estadual. Pelo acordo, distribui medicamentos regularmente a uma instituição hospitalar em Belém. O inquérito foi aberto em 2007 e é relatado pelo ministro Marco Aurélio Mello.
Em dezembro, o Ministério Público Federal (MPF) fez um acréscimo à denúncia. Disse que o tucano descumpriu a última notificação para retirada da propaganda política irregular. E acusou o tucano de não cumprir a entrega mensal de medicamentos estipulada no acordo, a chamada transação penal. Marco Aurélio, então, despachou uma intimação para o senador paraense responder.
No entanto, em resposta ao site, a assessoria do tucano negou qualquer problema: “Desde 2007 que o Congresso em Foco trata do referido inquérito contra o senador Mário Couto. Trata-se do caso de um muro pintado num município do Pará, durante as eleições de 2006 – quando ele foi candidato a senador –, que foi mantido com a propaganda eleitoral após o prazo previsto em lei. O senador foi multado, sendo que tal multa foi revertida na doação, durante dois anos, de cestas básicas para a Fundação Santa Casa de Misericórdia, situada em Belém do Pará”.
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sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

UM CHIQUEIRO CHAMADO CONGRESSO NACIONAL


A rendição do Congresso ao chiqueiro da política


Com um terço de seus parlamentares acusados criminalmente, o Congresso de Renan e Henrique dá sinais de preferir a imundície ao asseio das normas impostas pela moralidade pública


Agência Senado
Nossa opinião: no Congresso, cidadãos sob suspeita abusam da paciência de um povo tolerante demais com políticos bandidos
chiqueiro (sentido figurado) – casa ou lugar imundo”
Sintomático que o presidente do Senado, José Sarney, tenha proibido a manifestação contra o senador Renan Calheiros (PMDB-AL), convocada por várias entidades e apoiada peloCongresso em Foco.
Os manifestantes pretendiam fazer ontem a lavagem simbólica da rampa do Senado para expressar a indignação que levou, até o momento em que é publicado este texto, mais de 250  mil brasileiros a subscrever o abaixo-assinado contra a volta de Renan àpresidência do Senado.
O problema é que limpeza é algo que não combina muito com o Congresso. Nas  últimas duas décadas, ele proporcionou seguidas demonstrações de afronta aos cidadãos que custeiam suas bilionárias despesas (perto de R$ 8 bilhões no ano passado): escândalo do orçamento em 1993, compra de votos para aprovar a emenda da reeleição em 1997, violação do painel em 2001, mensalão em 2005, sanguessugas em 2006, farra das passagens e atos secretos em 2009… a lista é infindável.
Mas sempre pode ser enriquecida, aumentando o tamanho dos golpes contra a cidadania, prova agora o processo em curso de eleição das Mesas do Senado e da Câmara. Estamos diante de uma daquelas tristes situações que nos levam a constatar que, em se tratando do Congresso brasileiro, sempre é possível piorar.
Exemplar é o caso de Renan. Na iminência de receber a maioria folgada de votos dos seus pares, foi até agora incapaz de esclarecer as denúncias que, seis anos atrás, o obrigaram a renunciar à presidência do Senado para preservar o mandato de senador.
Reconduzir Renan ao posto, antes de eliminar todas as dúvidas quanto à sua conduta, põe sob suspeita todo o Legislativo. Um poder que já apresenta um gigantesco passivo no que se refere ao “controle interno” dos seus integrantes e das suas ações. E daí? O Congresso, que tem um terço de seus parlamentares às voltas com acusações criminais, continua a dar sinais de preferir a imundície dos chiqueiros ao asseio das normas impostas por aquilo que, algo pomposamente, poderíamos chamar de moralidade pública.
Com menos pompa, poderíamos dizer que se espera atenção a pelo menos duas normas básicas: não roubar o dinheiro dos contribuintes e investigar ou colaborar com a investigação de crimes contra a administração pública, sobretudo quando os acusados forem deputados e senadores.
Oposta é a regra que prevalece no Congresso. Ali, cidadãos sob suspeita gozam de proteção oficial, tapinhas solidários nas costas, carro e despesas pagas pelo erário, e abusam da paciência de um povo que demonstra excessiva complacência em relação a políticos bandidos.
Desfilam pelos corredores do Legislativo desde políticos condenados a prisão até a espantosa figura de Paulo Maluf, alvo de um mandado da Interpol que lhe impede de pisar em qualquer outro país do mundo, sem ir imediatamente para a cadeia, mas que pode, legalmente, ser deputado no Brasil.
A precária mobilização popular, muito aquém do tamanho dos desaforos que o Parlamento tem metido pela goela abaixo da sociedade, contribui para o escárnio não ter fim.
Apoiado por todos os grandes partidos, inclusive da oposição, é dado como favorito na disputa da presidência da Câmara outro político sob fortes suspeitas, o atual líder peemedebista, Henrique Eduardo Alves (RN).
Questionados sobre possíveis desvios de conduta, ele e Renan reagem de modo semelhante. Ignoram a denúncia, ao mesmo tempo em que instruem adversários a atribuir os graves questionamentos que lhes são feitos a meros preconceitos contra nordestinos. Esta, aliás, é uma das imbecilidades preferidas da meia dúzia de militantes pró-Renan que nos últimos dias tenta infestar este Congresso em Foco com centenas de comentários, invariavelmente usando nomes falsos e termos ofensivos.
Como não há limites para o abismo moral, o PMDB, outrora valente combatente da ditadura e hoje confortável abrigo para novos e velhos suspeitos, prepara-se para eleger como líder outro parlamentar sob investigação, Eduardo Cunha (RJ). Também deve explicações à Justiça seu rival na disputa, Sandro Mabel (GO).
Em comum a Renan, Henrique, Eduardo Cunha e Mabel, a facilidade com que se aliam aos governos de plantão, sempre multiplicando os instrumentos a serviço de um tipo de política que, definitivamente, não cheira bem.
Congresso em Foco sente-se no dever de manifestar perplexidade diante de tudo isso e se colocar à disposição dos brasileiros que pretendem ver um Congresso radicalmente diferente. Afinal, fazemos jornalismo na esperança de contribuir para as coisas mudarem para melhor – não para pior.

Veja ainda:

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

EU, EDUARDO CUNHA ( PMDB) BANDIDO? NÃO!!!


PGR acusa Eduardo Cunha de falsificar documento

Procurador-geral da República afirma que candidato a líder do PMDB na Câmara foi “único favorecido” com falsificação que barrou processo no TCE-RJ. Deputado diz que não sabia, à época, que papéis apresentados por ele eram falsos
Gustavo Lima/Ag. Câmara
Eduardo Cunha diz que não sabia de falsificação de documentos entregues por ele ao TCE-RJ
Na acirrada briga pela liderança do PMDB na Câmara, o deputado Sandro Mabel (GO) não é o único candidato com problemas na Justiça. Considerado um dos favoritos para liderar a segunda maior bancada da Casa, ao lado do próprio Mabel, o deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) responde a dois inquéritos no Supremo Tribunal Federal (STF). Num deles, oInquérito 2984, foi denunciado pelo procurador-geral da República, Roberto Gurgel, por usar, segundo a acusação, documentos falsos na tentativa – bem sucedida até o ano passado – de barrar uma investigação do Tribunal de Contas do Estado (TCE) do Rio de Janeiro sobre irregularidades atribuídas à sua gestão no comando de uma estatal fluminenseO caso é relatado no Supremo pelo ministro Gilmar Mendes, que ainda não se posicionou sobre o parecer enviado pelo procurador-geral da República, apresentado há dois anos. O deputado argumenta que não sabia que os documentos apresentados por ele eram falsos e diz que foi vítima de um estelionatário. Ele nega, ainda, ter ocorrido irregularidades na sua passagem pela direção da Companhia de Habitação do Estado do Rio de Janeiro (Cehab).
Os argumentos de Eduardo Cunha não convenceram Gurgel, que o denunciou por dois crimes: usar documento falso e fraudar papéis. No inquérito, ao qual o Congresso em Foco teve acesso, Gurgel diz que o deputado foi o “único favorecido” com a falsificação. O caso aguarda relatório e voto de Gilmar Mendes. Se o STF receber a denúncia, Cunha se tornará réu em uma ação penal.
O caso
AS ACUSAÇÕES DE GURGEL
Uso de documento falso
Pena: depende da falsificação
Código Penal, art. 304
Falsificação de documento 
Pena: prisão de 2 a 6 anos, e multa
Código Penal, art. 297
A denúncia remonta ao período em que Eduardo Cunha serviu ao governo de Anthony Garotinho no Rio de Janeiro. Na época, entre os anos de 1999 e 2000, ele presidiu a Companhia de Habitação do estado. O peemedebista deixou o cargo após denúncias de irregularidades em licitações. Uma delas envolvia uma empresa representada por um ex-procurador do empresário Paulo César Farias (já falecido àquela época), que ganhou uma concorrência para construir casas usando um atestado falso de capital social. PC Farias foi tesoureiro da campanha do ex-presidente Fernando Collor de Mello, eleito em 1989 pelo Partido da Reconstrução Nacional (PRN), partido ao qual Eduardo Cunha era filiado naquele ano. Ele participou, inclusive, do comitê eleitoral de Collor no Rio. As suspeitas passaram a ser investigadas pelo Ministério Público e pelo TCE do Rio.
Em 2002, Cunha obteve do procurador do Ministério Público Elio Fischberg cinco documentos que certificavam o arquivamento das investigações naquele órgão sobre a Cehab. Eram arquivamentos supostamente feitos por promotores e procuradores do MP sobre a companhia de habitação. Os papéis foram entregues ao deputado e a seu advogado, Jaime Samuel Cukier. Entretanto, eram falsos, como comprovaria em 2008 o Instituto de Criminalística Carlos Éboli, da Polícia do Rio.
Com os documentos fraudados em mãos, Cunha protocolou um pedido de manifestação no TCE em 24 de abril de 2002. O relator do caso era o conselheiro Jonas Lopes de Carvalho, chefe da Casa Civil do governo Garotinho e ex-colega de Cunha naquela administração. Ele votou pelo arquivamento do processo, ao contrário do que queriam os inspetores e os procuradores do TCE. Com base nesse voto, o plenário do tribunal de contas arquivou o processo. No ano passado, o próprio TCE reabriu as investigações. Hoje, o presidente daquela corte é o próprio Lopes de Carvalho.
Vítima?
Eduardo Cunha foi vítima de Fishberg ou utilizou, conscientemente, os documentos falsos? A Procuradoria-Geral da República assinala a segunda alternativa. “Existem indícios veementes da autoria do delito pelo denunciado”, escreveram Gurgel e a subprocuradora Cláudia Sampaio Marques, em réplica à defesa do deputado.
Os documentos foram fraudados, conforme a acusação, pelo procurador Elio Fischberg, que, por causa da falsificação, foi condenado em agosto do ano passado pelo Órgão Especial do Tribunal de Justiça do Rio a pagar multa de R$ 300 mil ao Instituto Nacional do Câncer e a prestar serviços comunitários. A acusação é que ele fabricou os papéis, forjou assinaturas de colegas da instituição e ainda rubricou os documentos com sua assinatura atestando-os como autênticos. Em 2002, Fishberg fez uma certidão em que diz que, “a pedido do sr. deputado estadual Eduardo Cosentino Cunha”, existiam investigações sobre a Cehab arquivadas pelos colegas do Ministério Público. Esse documento também foi usado pelo deputado e entregue ao TCE.
O procurador Roberto Gurgel afirma que Eduardo Cunha se associou a Fishberg e ao advogado Jaime Samuel Cukier para barrar as investigações no TCE. Mas Cukier, que também foi processado pelo TJ do Rio, acabou absolvido por falta de provas.
Em depoimento sobre o caso em 2007, Eduardo Cunha disse aos promotores do Ministério Público fluminense que recebeu R$ 5 mil de Cukier. O pagamento se deve a uma devolução de honorários pagos em virtude de os procedimentos estarem arquivados.
Pedras no caminho
Apesar do favoritismo para liderar a bancada do PMDB na Câmara, Eduardo Cunha não goza de simpatia do Palácio do Planalto. Em 2007, foi responsabilizado por integrantes do governo Lula pela derrubada da cobrança da CPMF. A demora do deputado em apresentar seu parecer à prorrogação da cobrança do chamado “imposto do cheque” atrasou a votação da proposta na Câmara. O atraso diminuiu a margem de negociação do governo no Senado, onde não tinha margem folgada de votos.
A CPMF acabou derrubada pelos senadores naquela que foi considerada a maior derrota do ex-presidente Lula no Congresso. Integrantes do governo acusaram Eduardo Cunha de atrasar a votação para pressionar o governo a nomear indicados por ele para a diretoria de Furnas.
O deputado também virou desafeto de Anthony Garotinho, seu antigo chefe no período em que passou pela Companhia de Habitação do Rio de Janeiro. Deputado pelo PR, Garotinho já questionou na internet a origem do patrimônio de Eduardo Cunha, que revidou, chamando-o de “quadrilheiro”.
Na disputa pela liderança do PMDB, Eduardo Cunha tem como principal concorrente o deputado Sandro Mabel. Como mostrou o Congresso em Foco na semana passada, um juiz da 10ª Vara Federal de Brasília remeteu ao Supremo inquérito do chamado “golpe da creche” por ver indícios de formação de quadrilha, falsidade e estelionato na contratação fantasmas pelo deputado.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

REINTEGRAÇÃO: CENAS QUE NÃO QUEREMOS VER EM S. JOSÉ DOS CAMPOS/SP

A retirada de moradores que invadiram um terreno particular, no interior de São Paulo, terminou em confronto com a polícia. Cerca de duzentas famílias viviam na área, que virou uma favela, em Ribeirão Preto