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sábado, 6 de julho de 2013

FAB TUR - AGÊNCIA DE VIAGENS DO DESGOVERNO BRASILEIRO

05/07/2013
 às 22:48 \ Direto ao Ponto

A FABTur agora transporta de graça até sócio de filho de ministro

Glauber Gentil e Garibaldi Alves
Por ter conseguido ampliar a fortuna juntada pelo pai, Glauber Gentil, hoje com 35 anos, é um empresário muito conhecido no Rio Grande do Norte. Com a importação de franquias nascidas no sul do país, como a grife de perfumes e cosméticos O Boticário e a rede de lanchonetes Habib’s, ganhou bastante dinheiro. Lucrou menos com a BRJM Seguros, que fundou em sociedade com Bruno Alves. Em compensação, ganhou a amizade do filho do ministro Garibaldi Alves, ganhou a simpatia do poderoso clã potiguar e acaba de ganhar o tipo de notoriedade nacional só proporcionado por aterrissagens nas páginas dos grandes jornais.
Glauber pousou no noticiário político-policial a bordo do avião da Força Aérea Brasileira requisitado por Garibaldi Alves para encurtar a viagem entre Fortaleza e Brasília. Valendo-se das prerrogativas do cargo, o ministro da Previdência ordenou ao piloto que fizesse uma escala no Rio. Mais precisamente no Maracanã, palco da final da Copa das Confederações. Domingo é dia de descanso até para incansáveis servidores da pátria. “Me senti no direito de o avião me deixar onde eu quisesse ficar”, explicou Garibaldi. Ele também acha que pode dar carona a quem quiser. A um sócio do filho, por exemplo.
O premiado com a carona jura que foi coisa do destino. No dia 29 de junho, um sábado, ele estava no aeroporto da capital cearense, onde fechara alguns negócios, quando resolveu ligar para o sócio. “Temos um contato diário por causa da empresa”, confirmou Bruno Alves nesta sexta-feira. “Ele já tinha passagem aérea, só que era para mais tarde”. Ao saber que um jatinho roncava por perto, quis saber se havia lugar para mais um. “O Glauber me pediu que intermediasse a carona”, ratificou o filho de Garibaldi. “Temos uma relação de amizade”.
Além de amizades providenciais, Glauber também tem sorte. Como o ministro seguiria para Brasília, ele já se conformara com a volta num avião de carreira quando soube que o destino continuava conspirando a seu favor. Na segunda-feira, outro jato da FAB a serviço de outro Alves (Henrique, primo de Garibaldi) voaria para Natal levando um filho do presidente da Câmara, a noiva e cinco parentes da noiva. Sete agregados. Que viraram oito com a anexação do primeiro civil a testar a tripulação e o serviço de dois diferentes jatinhos da FABTur no curto período de três dias.
As afrontas ao país que presta começaram com a utilização da frota por pais-da-pátria que levam vida de rico torrando o dinheiro de quem paga imposto. A freguesia foi expandida com a liberação do portão de embarque para mulheres e filhos. Depois subiram a bordo as amantes. Agora viajam de graça até parente de noiva e sócio de filho. Antes que coloque em risco as empresas aéreas privadas, os brasileiros indignados precisam voltar às ruas e liquidar no grito a farra obscena da FABTur.

quinta-feira, 4 de julho de 2013

RENAN CALHEIROS E FERNANDO COLLOR: VIEJOS AMIGOS!

Senadores Renan Calheiros e Fernando Collor no Conselho de Ética e Decoro Parlamentar do Senado durante depoimento do ex-senador Demóstenes Torres

04/07/2013
 às 4:55

Eis Renan Calheiros, o homem do “Passe Livre” nos aviões da FAB para ir a festa de casamento com bundalelê e tudo!

O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), anda animadíssimo. O que o povo quiser ele vota. Virou um verdadeiro “amigo do povo”. Mas também não se pode exigir dele que mude a sua natureza.
O presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), já vimos, usou um avião da FAB para transportar a namorada e alguns parentes para assistir à Copa das Confederações no Rio. Ele chamou de “carona indevida” e pagou aos cofres públicos pouco mais de R$ 9 mil. Na Folha de hoje, a coluna “Painel”, editada por Vera Magalhães, informa:
O presidente do Congresso Nacional, senador Renan Calheiros (PMDB-AL), a exemplo de seu colega da Câmara, Henrique Alves (PMDB-RN), usou aeronave da FAB para fins particulares. Renan requisitou um avião modelo C-99 para ir de Maceió a Porto Seguro às 15h do dia 15 de junho, um sábado. Ele participou do casamento da filha mais velha do líder do governo no Senado, Eduardo Braga (PMDB-AM), em Trancoso. O voo de volta foi às 3h da manhã do domingo, para Brasília.
Outro lado - As informações foram confirmadas pela FAB. A assessoria do Senado não se manifestou até o fechamento desta edição. A agenda de Renan não previa compromissos em 15 de junho.
Regra - O decreto 4244 de 2002 diz que aviões da FAB podem ser requisitados por autoridades por “motivo de segurança e emergência médica, em viagens a serviço e deslocamentos para o local de residência permanente”.
Badalação - O casamento de Brenda Braga, filha do líder do governo, reuniu políticos e empresários. O cantor Latino foi contratado para fazer show privativo.
Voltei
Sabem o que é mais impressionante? No dia 15, quando Renan foi prestigiar o bundadalelê de Latino (ah, a nossa elite!!!), o país já estava pegando fogo. Dois dias depois, o Rio colocaria mais de 100 mil pessoas na rua.
No fim de semana passado, quando Alves decidiu dar uma “carona” à namorada e sua família em avião público, o Congresso já havia passado por algumas tentativas de invasão. Nada intimida, nada constrange.
Renan está mais amigo do povo do que nunca! Quer porque quer, por exemplo, o passe livre estudantil. Para os políticos graúdos como ele, serve o Passe Livre senatorial em aviões da FAB.
Por Reinaldo Azevedo

terça-feira, 2 de julho de 2013

RENAN CALHEIROS, FORAAAAA!

Enviado por Jorge Antonio Barros - 
2.7.2013
 | 
0h46m
POLÍTICA

Petição on-line volta a pedir saída de Renan

A ONG Rio de Paz volta a pedir a saída do Senador Renan Calheiros na presidência do Senado Federal, por meio de uma petição on-line lançada agora há pouco.

"A permanência do Senador Renan Calheiros na presidência do Senado é péssima para o atual momento da democracia brasileira. A recusa do Senado de encarar esse grave problema, criado pela maioria esmagadora dos senadores que elegeram Calheiros presidente, é um menosprezo à vontade do povo brasileiro. Milhares, nesses últimos dias, pediram nas manifestações de rua a sua renúncia", afirma o documento publicado no site Chance.org

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

RENAN CALHEIROS, O ENCARREGADO DA POCILGA NACIONAL


Renan diz que assinaturas pró-renúncia não importam

“O que importa é saber que a sociedade quer um Congresso mais ágil e preocupado com os problemas dos cidadãos. E assim o será”, garantiu o presidente do Senado, após mais de 1,5 milhão de pessoas exigirem seu impeachment
Marcos Oliveira/Ag.Senado
"Número de assinaturas não é tão importante", afirmou Renan
O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), disse nesta sexta-feira (15) que “não é tão importante” a quantidade de mais de 1,5 milhão de assinaturas em abaixo-assinado por sua renúncia. “O número de assinaturas não é tão importante quanto a mensagem”, afirmou ele, em nota distribuída hoje. Ele disse que o importante é “a mensagem” passada pela sociedade, que deseja um Congresso melhor e “preocupado” com os cidadãos. Renan prometeu trabalhar para satisfazer essa necessidade.
É a primeira vez que Renan se manifesta a respeito de críticas contra si depois que ganhou as eleições da Mesa, em 1º de fevereiro. Em 2007, renunciou à Presidência do Senado para manter o mandato, depois de se tornar alvo de seis representações de cassação no Conselho de Ética. Na nota, Renan classificou como “lícita e saudável” a coleta de adesões na internet contra sua permanência no cargo. “Fui líder estudantil, todos sabem, e também usei as ferramentas da época para pressionar.”
Na nota, Renan prometeu conversar com o presidente da Câmara, Henrique Alves (PMDB-RN), para montar uma agenda que garanta “o maior desenvolvimento do Brasil”. “Temos que tornar o Brasil mais fácil, fazer a reforma tributária, política, propor medidas de combate à criminalidade, enfrentar a questão dos vetos”, disse, repisando tópicos de seu discurso no dia em que foi eleito presidente do Senado.
Às voltas com três inquéritos do Ministério Público que podem virar ação penal no Supremo Tribunal Federal, Renan promete o que seu antecessor no cargo, José Sarney (PMDB-AP), também havia prometido por diversas vezes, mas sem avanço prático em nenhuma delas. “Do ponto de vista administrativo, teremos no Senado uma gestão austera, com corte de gastos, transparência e o fim da redundância de estruturas”, discursou, referindo-se ao excesso de diretorias e setores obsoletos há décadas em funcionamento na Casa.
Pela legislação atual, um processo de cassação só pode começar por iniciativa de um parlamentar ou de um partido político. Ou seja, a petição não tem poder legal, mas representa um recado de parte da sociedade. Renan é acusado pela Procuradoria-Geral da República de ter cometido três crimes: peculato (desvio de dinheiro público ou bem público por funcionário público), falsidade ideológica e uso de documento falso.
A íntegra da nota
“Presidente Renan fala sobre manifestação do site da Avaaz e aponta desafios à frente da Presidência do Senado
A mobilização na Internet é lícita e saudável, principalmente, entre os jovens. Fui líder estudantil, todos sabem, e também usei as ferramentas da época para pressionar. O número de assinaturas não é tão importante quanto a mensagem, o que importa é saber que a sociedade quer um Congresso mais ágil e preocupado com os problemas dos cidadãos. E assim o será.
O Congresso Nacional vai trabalhar para garantir o maior desenvolvimento do Brasil. Vou conversar na segunda-feira com o presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves, para que possamos colocar em votação as matérias necessárias ao crescimento do país, de forma sustentável e duradoura.
Temos que tornar o Brasil mais fácil, fazer a reforma tributária, política, propor medidas de combate à criminalidade, enfrentar a questão dos vetos.
Do ponto de vista administrativo, teremos no Senado uma gestão austera, com corte de gastos, transparência e o fim da redundância de estruturas.
Vamos convidar o ministro da Fazenda, Guido Mantega, e o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, para avaliar como, juntos, poderemos ajudar a economia do país, ajudar na geração de empregos e renda e afastar o fantasma da inflação.
Nas últimas décadas, o Brasil avançou bastante nos conceitos modernos, ganhamos prestígio internacional. E o Congresso Nacional teve papel decisivo nesse processo. Não podemos recuar no tempo e abrir mão dos avanços conquistados.
Renan Calheiros
Presidente do Senado Federal”

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

RENAN CALHEIROS, O HIPÓCRITA


Alheio a protestos, Renan gasta R$ 22 mil em spa antiestresse

  • Petição on-line por seu impeachment tem 1,5 milhão de assinaturas


Estudante protesta contra o novo presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), durante cerimônia de abertura do ano legislativo no Congresso Ueslei Marcelino / REUTERS
BRASÍLIA e PORTO ALEGRE - Isolado do barulho dos protestos nas ruas de cidadãos que nesta quarta-feira cravaram 1,48 milhão de assinaturas na internet pedindo seu impeachment, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), relaxa com a mulher, Verônica, desde a semana passada no spa do Kurotel, em Gramado (RS), um dos dez melhores spas médicos do mundo, e que tem em sua clientela mais cativa milionários e políticos brasileiros. Por R$ 22,2 mil, o casal Renan comprou o pacote antiestresse e ficou hospedado até hoje numa das quatro suítes mais caras, localizada num andar exclusivo com elevador privativo, espaço com business center, DVD, sala de massagem, serviço de abrir mala, lençol de algodão egípcio, cobertor de pluma de ganso e menu de travesseiros.
Do estresse causado pelos ataques e pela insistência dos que querem vê-lo longe da presidência do Senado, Renan está se tratando com a ajuda de psicólogos, nutricionistas, fisioterapeutas, dermatologistas, sessões de cinema, aulas de culinária, jantares especiais, apresentações culturais, música ao vivo, recitais de piano, aulas de dança de salão e jogos. Renan e a mulher estavam acompanhados do também senador Gim Argello (PTB-AL), um dos seus mais fiéis aliados.
O pacote antiestresse inclui ainda sequência de banhos de lodo e sal, saunas, alimentação funcional, caminhadas externas, aulas de dança, dinâmica corporal e massagens terapêuticas indicada para alívio de tensões para maior relaxamento físico e mental, banheira com 100 jatos que massageiam o corpo durante 20 minutos, proporcionando intenso relaxamento, e banhos de extremidades — atividades com contrastes térmicos e aparelhos do Centro de Controle do Estresse com salas repletas de estímulos visuais e sonoros. Ducha de espuma antioxidante e piscina ozonizada com jatos de água e correnteza completam o serviço.
Pedido de impeachment
Enquanto isso, a petição criada pelo representante comercial Emiliano Magalhães Netto, de Ribeirão Preto, ganha apoiadores num ritmo frenético. A ONG Rio de Paz iniciou o movimento na internet antes da eleição de Renan Calheiros, dia 2, e chegou a cerca de 400 mil assinaturas. Inspirando-se na iniciativa, Emiliano Netto criou a petição pedindo o impeachment, que já ultrapassava hoje 1,5 milhão de assinaturas. O objetivo é chegar a 1,6 milhão para que seja levada ao Senado.
A legislação prevê projetos de lei de iniciativa popular apenas com assinaturas físicas, não virtuais. Mas o autor considera que sua petição vai chamar a atenção.
— Sou o criador da petição. Quero um ficha-limpa no Senado. Não sou filiado a nenhum partido. Defendo o Valor de “e-petições” como ferramenta de voz para a população. Não podem ignorar a voz do povo. Sou apenas uma das assinaturas na petição — disse Netto, ao defender sua iniciativa.
O juiz Marlon Reis, do comitê nacional do Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral (MCCE) e um dos redatores da Lei da Ficha Limpa, diz que esse movimento acende uma luz amarela no Congresso:
— Como observador da realidade de movimentos de mobilização social nos últimos anos, estou impressionado com isso. Nem na campanha da Ficha Limpa conseguimos essa avalanche de apoios na internet. O processo de quebra de decoro é político, e essa manifestação da sociedade é relevante, não é possível ser ignorada. No mínimo, vai servir para acender uma luz amarela para o Congresso rever suas práticas.
Emiliano Netto pretende alcançar 1,6 milhão de assinaturas virtuais, para mostrar a revolta dos eleitores brasileiros com a eleição de Renan:
— Infelizmente, essa ferramenta popular foi criada apenas para propor leis e com requisitos tão complexos que quase ninguém consegue fazer uso dela. Mas poderemos causar um rebuliço na mídia, desafiar as restrições desta iniciativa popular e exigir a revogação da eleição de Renan Calheiros. Vamos usar o poder do povo agora para exigir um Senado limpo.
Procurada pelo GLOBO, a assessoria de Renan não retornou até o fechamento desta edição.

Estudante protesta contra o novo presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), durante cerimônia de abertura do ano legislativo no Congresso Foto: Ueslei Marcelino / REUTERS

sábado, 2 de fevereiro de 2013

RENAN CALHEIROS, PRESIDENTE DO SENADO BRASILEIRO É UM FALSIFICADOR, SEGUNDO A PGR


PGR acusa Renan de desviar dinheiro do Senado e falsificar documentos

Denúncia de Gurgel ao Supremo, à qual ÉPOCA teve acesso, revela que o senador forjou notas fiscais para justificar operações com lobista – Renan responderá pelos crimes de peculato, falsidade ideológica e uso de documentos falsos; pena pode chegar a 23 anos de prisão

DIEGO ESCOSTEGUY
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Senador Renan Calheiros (PMDB-AL) encaminha voto favorável ao projeto (PLS 278/2009) que garante remuneração e direitos trabalhistas básicos aos conselheiros tutelares de todos os municípios brasileiros e do Distrito Federal (Foto: Jonas Pereira/Agência Senado)

Os 81 senadores da República irão eleger daqui a pouco (atualização: Renan foi eleito às 14h30 com 56 votos) como presidente da Casa um colega denunciado na última semana pela Procuradoria-Geral da República ao Supremo Tribunal Federal pelos crimes de peculato (desvio de dinheiro público, 2 a 12 anos de cadeia), falsidade ideológica (1 a 5 anos de cadeia) e uso de documento falso (2 a 6 anos de cadeia). ÉPOCA teve acesso na noite de quinta-feira (31), com exclusividade e na íntegra, à devastadora denúncia oferecida pelo procurador-Geral da República, Roberto Gurgel, contra o senador Renan Calheiros, do PMDB de Alagoas, no dia 24 de janeiro. Gurgel é taxativo: Renan apresentou, ao Senado da República, notas frias e documentos falsificados para justificar a origem dos recursos que o lobista de uma grande empreiteira entregava, em dinheiro vivo, à mãe de sua filha, a título de pensão. Está provado, finalmente, que Renan não tinha condições financeiras de arcar com a pensão – e que não fez, de fato, esses pagamentos à mãe de sua filha. De quebra, descobre-se na denúncia que Renan desviou R$ 44,8 mil do Senado. Nesse caso, também usou notas frias para justificar o desfalque nos cofres públicos.
Se condenado pelos três crimes no STF, o novo presidente do Senado poderá pegar, somente nesse processo, de 5 a 23 anos de cadeia – além de pagar multa aos cofres públicos, a ser estipulada pela corte. (Há, ainda, outros dois inquéritos tramitando contra Renan no STF.) A denúncia de Gurgel está no gabinete do ministro Ricardo Lewandowski desde segunda-feira. Caberá a ele encaminhar, aos demais ministros do STF, voto favorável ou contrário à denúncia. Lewandowski não tem prazo para dar seu voto. 
Peculato, falsidade ideológica e documento falso (Foto: Reprodução)

A denúncia de Gurgel, fundamentada em anos de investigação da PGR e da PF, centra-se no episódio que deu início ao calvário de Renan, em 2007, quando ele era presidente do Senado e, após meses de incessantes denúncias, viu-se obrigado a renunciar ao cargo – mas não ao mandato. Naquele ano, descobriu-se que o lobista Cláudio Gontijo, da empreiteira Mendes Júnior, pagava, em dinheiro vivo, R$ 16,5 mil mensais à jornalista Mônica Veloso, com quem o senador tivera uma filha. No mesmo período em que o lobista Gontijo bancava as despesas de Renan, entre 2004 e 2006, a Mendes Júnior recebia R$ 13,2 milhões em emendas parlamentares de Renan destinadas a uma obra no Porto de Maceió – obra tocada pela mesma Mendes Júnior. Abriu-se um processo no Conselho de Ética no Senado. Renan assegurou aos colegas que bancara a pensão do próprio bolso, e apresentou documentos bancários e fiscais que comprovariam sua versão. O dinheiro seria proveniente de investimentos do senador em gado. A denúncia da PGR derruba por completo a versão bovina de Renan – e mostra que, para se montar a versão fajuta, Renan cometeu muitos crimes.  
Espantosa lucratividade (Foto: Reprodução)

“Em síntese, apurou-se que Renan Calheiros não possuía recursos disponíveis para custear os pagamentos feitos a Mônica Veloso no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, e que inseriu e fez inserir em documentos públicos e particulares informações diversas das que deveriam ser escritas sobre seus ganhos com atividade rural, com o fim de alterar a verdade sobre fato juridicamente relevante, qual seja, sua capacidade financeira”, diz Gurgel na denúncia (leia o trecho abaixo). Para piorar: “Além disso, o denunciado utilizou tais documentos ideologicamente falsos perante o Senado Federal para embasar sua defesa apresentada (ao Conselho de Ética)”. “Assim agindo”, diz Gurgel, “Renan Calheiros praticou os delitos previstos nos artigos 299 (falsidade ideológica) e 304 (uso de documento falso), ambos do Código Penal.” 
Defesa com documentos falsos (Foto: Reprodução)

"Espantosa lucratividade"
Como Renan apresentara ao Senado extratos bancários capengas, sem identificação de entradas e saídas de recursos, a PGR conseguiu, com permissão do Supremo, quebrar o sigilo bancário dele. Uma perícia da Polícia Federal nas contas do senador apontou que “os recursos indicados por Renan Calheiros como sacados em dinheiro não poderiam amparar os supostos pagamentos a Mônica Veloso no mesmo período, seja porque não foi mencionada a destinação a Mônica, seja porque os valores destinados ao denunciado não seriam suficientes para suportar os pagamentos”. Em português claro: Renan não tinha saldo em conta para pagar a pensão, ao contrário do que alegara.
Nesse caso, os peritos da PF não deixaram margem à dúvida. Em 2009, esmiuçaram detidamente os documentos bancários e fiscais. Dos 118 cheques relacionados por Renan como fontes dos pagamentos da pensão, 66 foram destinados a outras pessoas e empresas, e outros 39 tinham como beneficiários o próprio senador. “No verso de alguns destes cheques destinados ao próprio Renan, havia manuscritos que indicam o provável destino do dinheiro, tais como ‘mão de obra reforma da casa’, ‘reforma Barra’ e ‘folha de pagamento’, o que diminui ainda mais sua capacidade de pagamento”, escreve Gurgel. 
Fazenda Santa Rosa (conhecida também como Tapado), em Alagoas (Foto: Dida Sampaio/AE)
Renan garantira ao Senado que sua “capacidade de pagamento” advinha de seus investimentos em gado. A investigação da PGR demonstra que a versão de Renan é um disparate fiscal, bancário e até mesmo matemático. Há discrepâncias na quantidade de animais vendidos, assim como nos destinos deles. Em 2006, por exemplo, as notas de Renan registram a venda de 765 animais, mas as chamadas guias de trânsito animal – um documento adicional a esse tipo de transação – informam que 908 foram transportados. Ao confrontar datas e quantidades, peritos da PF descobriram que as informações de venda e entrega coincidem apenas no caso de 220 animais. Há mais irregularidades. Algumas guias de trânsito de animal apresentadas por Renan nem eram dele, mas de outros vendedores de gado. As notas fiscais apresentam falhas, como falta de selos fiscais de autenticidade, campos deixados em branco e informações rasuradas. Duas empresas que, segundo os documentos, teriam comprado gado de Renan, nem estavam habilitadas para isso – e estavam envolvidas em fraudes tributárias. José Leodácio de Souza, que teria comprado 45 bois, negou, em depoimento, ter tido qualquer negócio com Renan – o que “confirma a falsidade ideológica dos documentos apresentados”, nas palavras de Gurgel.
Segundo a investigação da PGR, Renan não registrou quaisquer despesas com o custeio de suas atividades como pecuarista. É como se os 1.950 bois de Renan, por mágica, pastassem durante anos sozinhos, abandonados – sem precisar, por exemplo, do trabalho de peões ou veterinários. “A ausência de registro de despesas de custeio (…) implica resultado fictício da atividade rural, o que explica a espantosa ‘lucratividade’ obtida pelo denunciado entre 2002 e 2006”, diz Gurgel. Em 2002, Renan declarou lucros de 85% com os bois; em 2006, 80%. Era, presume-se, o rei do gado.
A PGR descobriu inconsistências semelhantes na evolução do patrimônio declarado oficialmente por Renan. A se acreditar nas declarações de Imposto de Renda do senador, diz a PGR, Renan viveria em regime espartano para os padrões de um senador. Mal teria dinheiro para “sua subsistência e de sua família”, diz a PGR. Em 2002, por exemplo, a família de Renan teria apenas R$ 2,3 mil mensais para viver. Em 2004, um pouco mais: R$ 8,5 mil mensais.
  
Desfalque no Senado” (Foto: Reprodução)

Tunga no Senado
Renan não usou apenas bois para tentar justificar de onde tirava dinheiro para pagar a pensão da filha. Usou também uma empresa que pertence ao primo – e que recebia do gabinete de Renan por “serviços”. Trata-se da Costa Dourada, uma locadora de carros de Alagoas que está em nome de Tito Uchôa – este não apenas primo, mas também laranja de Renan em rádios e TVs. Renan, ainda para justificar como pagara a pensão da filha, disse ter recebido R$ 687 mil da empresa, por meio de supostos empréstimos.
Tito Uchôa, primo de Renan (Foto: Marco Borelli/O Jornal)
A PGR descobriu, porém, que os empréstimos não foram declarados à Receita e que o dinheiro supostamente proveniente deles “não transitou pelas contas apresentadas”. No papel, Renan recebia mais dinheiro da Costa Dourada do que o lucro que a empresa tinha. Em 2005, por exemplo, Renan recebeu R$ 99,3 mil da Costa Dourada – mesmo ano em que a empresa declarou lucro de R$ 71,4 mil. E quanto aos supostos empréstimos da Costa Dourada a Renan, contraídos em 2005? Não foram pagos pelo senador. “Passados mais de três anos desde o início dos empréstimos, não houve registros de pagamentos ou amortizações parciais dos recursos”, diz Gurgel.
A PGR descobriu muito mais, após quebrar os sigilos bancários dos envolvidos: havia saques, em espécie, das contas da Costa Dourada, enquanto a empresa supostamente prestava serviços ao gabinete do senador. O dinheiro saída da conta do Senado, ia para a conta da empresa do laranja de Renan, era sacado em espécie – e sumia. As gambiarras entre Renan e a empresa do primo-laranja levaram a PGR a descobrir outro crime cometido pelo senador: peculato, ou desvio de dinheiro público.“No curso deste inquérito, também ficou comprovado que, no período de janeiro a julho de 2005, Renan Calheiros desviou, em proveito próprio e alheio, recursos públicos do Senado Federal da chamada verba indenizatória, destinada ao pagamento de despesas relacionadas ao exercício do mandato parlamentar”, diz Gurgel na denúncia.
Era um esquema prosaico. O gabinete de Renan desviava recursos da verba indenizatória e apresentava ao Senado notas fiscais da Costa Dourada. No total, R$ 44,8 mil. Ao analisar as contas bancárias da Costa Dourada e de Renan, porém, a PGR nada encontrou. “Não há registro de pagamento e recebimento dos valores expressos nas referidas notas fiscais, o que demonstra que a prestação de serviços não ocorreu (…) servindo apenas para desviar os recursos da verba indenizatória paga pelo Senado Federal”, diz Gurgel. E onde foi parar o dinheiro do Senado? A PGR não conseguiu descobrir ainda. Por quê? Porque o Senado recusou-se a fornecer os documentos que comprovariam o destino dos recursos. Para a PGR, “o denunciado (Renan) praticou o delito previsto no artigo 312 (peculato), do Código Penal”.
O Senado não se recusou apenas a encaminhar ao Supremo as provas sobre o destino da verba indenizatória de Renan. Sequer encaminhou a íntegra da papelada fornecida por Renan ao Conselho de Ética para justificar o patrimônio, conforme pedira a PGR. Diante da postura do Senado, Gurgel pede na denúncia que o Supremo ordene à Casa que envie a documentação necessária ao avanço das investigações.
Desde que as primeiras acusações sobre seu patrimônio vieram a público, Renan mantém sua inocência. Mesmo com o acúmulo de evidências contrárias à versão dele, Renan insiste que o dinheiro para pagar a pensão de sua filha não viera da Mendes Júnior – e, sim, dos tais rendimentos que ele teria obtido com a venda de gado. Entre 2003 e 2006, esses investimentos teriam lhe rendido R$ 1,9 milhão. Na semana passada, após se descobrir que Gurgel apresentara a denúncia à qual agora ÉPOCA tem acesso, Renan afirmou em nota: “Ela (a denúncia) padece de suspeição e possui natureza nitidamente política. A denúncia foi protocolada exatamente na sexta-feira anterior à eleição para a presidência do Senado Federal. Trata-se de atitude incompatível com o habitual cuidado do Ministério Público no exercício de suas nobres funções”. Renan disse ainda que foi ele quem solicitou as investigações ao Ministério Público e à Receita Federal, e que forneceu os documentos (“todos verdadeiros”), além de sigilos bancário, fiscal e telefônico. “O senador Renan Calheiros lamenta a injustificável demora e agora a acusação, já julgada pelo Senado Federal, também será apreciada pelo Supremo Tribunal Federal, num ambiente de imparcialidade”, diz a nota.
Documentos sonegados (Foto: Reprodução)

Assim que obteve cópia da denúncia da PGR, na quinta-feira, ÉPOCA telefonou para Renan, mas o senador não atendeu à reportagem. Na caixa postal de seu telefone celular, foi deixada uma solicitação de entrevista para que o senador pudesse comentar a denúncia do procurador Roberto Gurgel. Cinco minutos após o contato feito por ÉPOCA, uma mulher ligou, a partir do telefone celular do senador Renan Calheiros, e identificou-se como Dilene, secretária do senador. Mais uma vez, ÉPOCA solicitou uma entrevista com o senador. Até o fechamento da reportagem, o senador Renan Calheiros e sua assessoria de imprensa não responderam aos pedidos de entrevista.  

A LATA DE LIXO DA HISTÓRIA BRASILEIRA TEM UM DETRITO DE NOME RENAN CALHEIROS ( TEM MAIS 56 OUTROS)


02/02/2013
 às 4:21 \ Direto ao Ponto


Renan Calheiros substitui José Sarney na presidência do Senado
Foto: Gustavo Miranda / Agência O Globo
Renan Calheiros substitui José Sarney na presidência do Senado Gustavo Miranda / Agência O Globo ( Os "jacarés" em atitude suspeita)

Os 18 do Senado se livraram da lata de lixo da História reservada ao bando vitorioso

Tanto a Câmara quanto o Senado ofereceram ao país que presta, nesta sexta-feira, uma notícia boa e outra má. Depois de dois anos na presidência, o companheiro gaúcho Marco Maia voltou ao baixo clero e ao convívio com a multidão de nulidades condenadas à obscuridade. É a boa notícia. A má: o novo gerente do Feirão da Bandidagem é Henrique Alves, que tentou livrar-se do último escândalo em que se meteu com a demissão do bode Galeguinho. É bom saber que o senador José Sarney acabou de deixar o comando da Casa do Espanto. Ruim é saber que o sucessor é Renan Calheiros.
Como registra o comentário de 1 minuto para o site de VEJA, o Congresso mudou para que tudo fique igual: sairam dois casos de polícia, entraram dois prontuários de dimensões amazônicas. Todos estão lá por decisão de milhões de eleitores que votam como se estivessem escolhendo sócios do clube dos cafajestes. O bando que controla o Poder Legislativo faz o que quer por confiar na mansidão bovina do grande rebanho. Enquanto os brasileiros elegerem os sarneys, renans, maias ou alves, não haverá perigo de melhorar.
Políticos são todos iguais, recitam os omissos profissionais, os cansados de nascença ou os que simulam ceticismo para manter em segredo o voto em figuras abjetas. Não são iguais. Os 11 senadores que há dois anos se recusaram a engolir José Sarney são muito diferentes dos que se ajoelharam diante de Madre Superiora. Além de reiterar tal diferença, a eleição desta sexta-feira comprovou o crescimento da bancada dos acreditam que a atividade política não é incompatível com a honradez. Pedro Taques não é igual a Renan Calheiros. Os 18 senadores que apoiaram o senador do PDT de Mato Grosso  são diferentes dos que devolveram à presidência o alagoano apeado do cargo há cinco anos por ter feito sem a devida cautela o que continua fazendo com mais cuidado.
No discurso em que justificou a candidatura sem chances de vitória, Pedro Taques evocou a lição extraída por Darcy Ribeiro dos fracassos que acumulou. Ele tentou e não conseguiu, por exemplo, fazer uma universidade séria.  Nem por isso sucumbiu à amargura. E jamais capitulou. “Os fracassos são minhas vitórias”, ensinou Darcy Ribeiro e repetiu o candidato do Brasil decente. “Eu detestaria estar no lugar de quem venceu.” A resistência democrática tem de decorar a mensagem e entender que não tem o direito de render-se.
Dos 78 presentes, 56 senadores ignoraram o  recado do candidato do Brasil decente. Coisa de otário, conversa de noviço, devem ter achado. As imagens de Renan Calheiros confraternizando com seus eleitores gritam que o cangaceiro governista seus eleitores se merecem. Não importa quanto tempo demore, acabarão juntos para sempre na mesma lata de lixo da História. Desse destino escaparam os 18 do Senado.