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terça-feira, 30 de outubro de 2012

ALEXANDRE DA FARMÁCIA, DEPUTADO???


Nossa Região
October 30, 2012 - 02:28

Alexandre da Farmácia ganha vaga de deputado

Alexandre da Farmácia Foto: Arquivo
Alexandre da Farmácia Foto: Arquivo
Vitória de deputados petistas a prefeituras garante suplência em coligação e beneficia o vereador
Beatriz Rosa
São José dos Campos

A vitória dos deputados estaduais petistas Carlos Grana e Donisete Braga para a prefeitura das cidades de Santo André e Mauá, respectivamente, abrem caminho para o vereador reeleito Alexandre da Farmácia (PP), de São José dos Campos, conquistar uma cadeira na Assembleia Legislativa. 
Alexandre da Farmácia é o primeiro suplente da coligação PRB/PT/PR/PTdoB que disputou a eleição ao Legislativo em 2010 e elegeu 24 deputados. À época, Alexandre estava no PR e obteve 66.295 votos. Desde 2011, ele está a frente do PP. 
A votação garantiu ao vereador a segunda suplência da coligação. A primeira suplente Beth Sahão (PT) assumiu uma cadeira de deputada em fevereiro desse ano, após a morte do deputado estadual José Candido (PT).
Ontem a assessoria da Assembleia Legislativa confirmou o nome de Alexandre entre os suplentes que serão convocados para assumir cadeiras a partir de janeiro de 2013. Francisco de Assis Campos, o Tito (PT) também irá assumir uma cadeira de deputado na coligação.
Ao todo, 11 suplentes de diversas coligações serão convocados. A Assembleia possui 94 deputados, três deles da região --Hélio Nishimoto (PSDB), Marco Aurélio Souza (PT) e Afonso Lobato (PV).

Câmara.Neste ano, Alexandre se reelegeu vereador em São José com 3.944 votos, mas afirmou que pretende deixar a Câmara pela Assembleia.
"Vou assumir. Já me ligaram hoje pedindo a documentação. A minha proposta sempre foi a de trazer maiores investimentos para os municípios da região. Será um ganho para região, que terá maior representatividade", disse Alexandre.

Reduto. Alexandre pretende montar um escritório político em São José. "Eu continuarei com atuação na cidade. Meu dia-a-dia estará aqui. Tenho três colegas vereadores para me ajudar. Minha ida para Assembleia acrescenta oferta de atendimento para a região", afirmou.
A ida de Alexandre para a Assembleia abre espaço para que o médico Roniel Faria (PP) assuma uma vaga na Câmara de São José.

Apoio.
Para o vereador, a mudança de legenda entre o PR e o PP, realizada em abril de 2011 não deve interferir em sua posse.
"Não haverá problema. Isso já passou e ficou para trás quando sai do partido que fiquei por 12 anos e tenho muito respeito. O PR não tem interesse em reivindicar essa vaga, assim como o PT também não tem nenhum interesse em me prejudicar", disse.
Procurado, o coordenador regional do PR, Andre do Prado, não foi localizado para comentar o caso.
O deputado estadual do PT, Marco Aurélio Souza, disse que o Vale ganha com um novo deputado estadual. “Ele foi eleito na coligação do PT e as suas emendas certamente irão para a nossa região, que irá se fortalecer politicamente”.
Segundo ele, havia um entendimento que o partido poderia perder cadeiras com a saída de deputados petistas para concorrer à eleição municipal. 
O cidadão decente, idôneo e trabalhador, quando lê uma "notícia" deste porte, realmente chega ao desânimo total e imagina como o Águia de Haia sentia em sua época, pelo visto não tão diferente da atual. Meus pêsames a Justiça Eleitoral, se realmente este fato concretizar-se. 4 - 0537262-69.2005.8.26.0577 Apelação Relator(a): Peiretti de Godoy Comarca: São José dos Campos Órgão julgador: 13ª Câmara de Direito Público Data do julgamento: 01/08/2012 Data de registro: 08/08/2012 Outros números: 5372626920058260577 Ementa: AÇÃO CIVIL PÚBLICA - Improbidade administrativa Preliminares afastadas Artigo 10 da LIA - Modalidades dolosa e culposa Festejos municipais Promoção pessoal Caracterização - Na aplicação das sanções previstas no art. 12, da Lei nº 8.429/92, o julgador deverá levar em conta a extensão do dano causado, assim como o proveito patrimonial obtido pelo agente Sentença que se mantém Recursos não providos ALEXANDRE JOSÉ DA CUNHA e MARIA ANTÔNIA ALVAREZ PEREZ 0537262-69.2005.8.26.0577 Apelação Relator(a): Peiretti de Godoy Comarca: São José dos Campos Órgão julgador: 13ª Câmara de Direito Público Data do julgamento: 01/08/2012 Data de registro: 08/08/2012 Outros números: 5372626920058260577 Ementa: AÇÃO CIVIL PÚBLICA - Improbidade administrativa Preliminares afastadas Artigo 10 da LIA - Modalidades dolosa e culposa Festejos municipais Promoção pessoal Caracterização - Na aplicação das sanções previstas no art. 12, da Lei nº 8.429/92, o julgador deverá levar em conta a extensão do dano causado, assim como o proveito patrimonial obtido pelo agente Sentença que se mantém Recursos não providos.PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO Registro: 2012.0000380828 ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos estes autos do Apelação nº 0537262- 69.2005.8.26.0577, da Comarca de São José dos Campos, em que são apelantes ALEXANDRE JOSÉ DA CUNHA e MARIA ANTÔNIA ALVAREZ PEREZ, é apelado MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE SÃO PAULO. ACORDAM, em 13ª Câmara de Direito Público do Tribunal de Justiça de São Paulo, proferir a seguinte decisão: "Negaram provimento aos recursos. V. U.", de conformidade com o voto do Relator, que integra este acórdão. O julgamento teve a participação dos Exmos. Desembargadores RICARDO ANAFE (Presidente) e BORELLI THOMAZ. São Paulo, 1 de agosto de 2012. Peiretti de Godoy RELATOR Assinatura Eletrônica Página 04/10 PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO Apelação nº 0537262-69.2005.8.26.0577 4 o efetivo ressarcimento -; à perda da função pública; à suspensão dos direitos políticos por cinco anos; à proibição de contratar com o Poder Público ou receber benefícios ou incentivos fiscais ou creditícios, direta ou indiretamente, ainda que por intermédio de pessoa jurídica da qual seja sócio majoritário, pelo prazo de 5 (cinco) anos. Inicialmente, afasto as preliminares arguidas: - Interesse de agir: A Constituição Federal, em seu art. 129, III, confere legitimidade ao parquet para a propositura de qualquer espécie de ação para a defesa do patrimônio público e social. Assim, seu interesse de agir se firma nas aludidas normas, em benefício do patrimônio público. “O Ministério Público possui legitimidade para ajuizar ação civil pública objetivando a defesa do patrimônio público e da moralidade administrativa(...).”(Segunda Turma, Relatora Ministra Eliana Calmon, publ. DJ 24/11/2008). - Legitimidade passiva A legitimidade passiva decorre da regra do art. 2º da Lei n.º 8.429/92, haja vista que aos réus, na condição de agentes públicos, é atribuída a prática IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA. A Constituição Federal, no § 4º, do artigo 37, afirma que: "Art. 37. (...). § 4º. Os atos de IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA importarão a suspensão dos direitos políticos, a perda da função pública, a indisponibilidade dos bens e o ressarcimento ao erário, na forma e gradação previstas em lei, sem prejuízo da ação penal cabível". De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto.( RUI BARBOSA) "ALEXANDRE DA FARMÁCIA NOSSA REGIÃO Jornal O VALE August 2, 2012 - 02:04 Tribunal mantém punição a vereador O Tribunal de Justiça de São Paulo manteve ontem a cassação do mandato do vereador Alexandre da Farmácia (PP) por suposta promoção pessoal em festas patrocinadas pela Prefeitura de São José São José dos Campos O Tribunal de Justiça de São Paulo manteve ontem a cassação do mandato do vereador Alexandre da Farmácia (PP) por suposta promoção pessoal em festas patrocinadas pela Prefeitura de São José dos Campos. A decisão, tomada em colegiado pelo TJ, também condena o vereador e a ex-assessora de Eventos Oficiais da administração, Maria Antonia Perez, à perda dos direitos políticos por cinco anos e ao ressarcimento dos cofres públicos em R$ 210 mil --valor gasto com as festas, a ser corrigido com juros. Alexandre também cobraria ‘pedágio’ de comerciantes para montagem de barracas nos espaços públicos onde as festas eram realizadas. O vereador é candidato à reeleição neste ano. Ele já teve o registro aprovado pela Justiça Eleitoral. Os réus foram condenados em primeira instância em dezembro de 2010. Na época, eles recorreram ao TJ, que agora manteve a decisão da Justiça de São José. Denúncia. A prática, segundo denúncia do Ministério Público, teria sido mantida entre 2001 e 2004 na realização anual das festas Juninês, no Jardim Santa Inês, e na edição de 2004 da Pararangaba Fest, no Jardim Pararangaba, ambas na zona leste. Enquanto assessora de Eventos do governo municipal, que à época tinha Emanuel Fernandes (PSDB) como prefeito, Maria Antônia foi considerada parte do suposto esquema por ter prestado auxílio ao vereador na realização das festas, bancadas com verba pública. Outro lado. Ontem, O VALE acionou a assessoria de imprensa de Alexandre, que não retornou as ligações até as 20h30. Maria Antonia também não foi localizada. Pela decisão judicial, ambos perdem os direitos políticos por cinco anos. Alexandre Da Farmacia (2010) Dados pessoais do candidato Nome completo:Alexandre Jose Da CunhaCPF:111.519.398-89 *RG:19.212.735-4Data de nascimento:26/04/1970Idade ao final de 2010:40Município de nascimento:São José Dos Campos /SPNacionalidade:Brasileira NataSexo:MasculinoEstado Civil:Casado(A)Grau de Instrução:Ensino Fundamental CompletoOcupação principal declarada:ComercianteCertidões criminais:Baixar arquivo (ZIP) * Saiba como checar o CPF dos políticos e sua situação fiscal Dados eleitorais do candidato Cargo disputado:Deputado EstadualUF onde concorre:SPNome na urna:Alexandre Da FarmaciaNúmero eleitoral:22231Nome do partido:Partido Da RepúblicaSigla/ número do partido:PR /22Coligação:Somos Mais São Paulo (PRB / PT / PR / PT DO B)Situação da candidatura:Deferido Apuração de votos 1º turno 66.295 votos 0,31% Situação eleitoral: NÃO ELEITO Declaração de bens apresentada à Justiça Eleitoral Descrição do bem Valor do bem Metade Quadra 27 Jd Santa Ines R$ 13.759,00 Com Benfeitorias Quadra 27 Jd Santa Ines R$ 104.239,32 Com Benfeitorias Quadra 22 Jd Santa Ines R$ 70.459,74 Sem Benfeitorias Quadra 10 Jd Colinas Sjc R$ 157.680,00 Drogaria Sjc R$ 80.000,00 Cef R$ 22.974,50 Honda Accord 2008 R$ 71.370,00 Valor total dos bens declarados: R$ 520.482,56"
Comentado por Alvaro Pedro Neves Pereira, 30/10/2012 07:58

quinta-feira, 31 de maio de 2012

DEPUTADO PERDE CALCINHA EM BRASÍLIA

Scraps
A CALCINHA PERTENCE A UM DOS SENHORES ABAIXO., DE QUEM SERÁ???



Mistério da calcinha perturba a CâmaraFoto: Divulgação


Deputados procuram dono de calcinha perdida na Câmara


MÁRCIO FALCÃO
DE BRASÍLIA

Atualizado às 20h48.
Brasília vivia uma tarde agitada nesta quinta-feira, com a CPI do Cachoeira pegando fogo e o mundo político esperando novos capítulos do embate Lula-Gilmar Mendes. Mas na Câmara dos Deputados, apenas um assunto interessava: quem é o dono da calcinha?
A peça íntima em questão caiu do bolso do paletó de um deputado no plenário há 15 dias. As poucas testemunhas, que naturalmente não querem aparecer, não o identificam --apenas insinuam ser um integrante do chamado "baixo clero", deputados sem grande destaque.
O assunto foi tratado com sigilo digno de que uma votação secreta, mas acabou emergindo durante conversa entre seguranças, assessores, deputados e jornalistas.
Elas apenas relatam que ele havia chegado atrasado para a votação do projeto que tipifica crimes cibernéticos, que acabou aprovado.
O deputado, acompanhado de mais três colegas, mexeu no bolso para pegar o celular deixou cair no chão uma calcinha branca e vermelha, um modelo grande de algodão.
Entretido com o aparelho, o parlamentar não percebeu que a peça ficou no chão, no centro do plenário.
Um segurança que acompanhou a cena se aproximou, recolheu a calcinha e a escondeu atrás de uma lixeira.
Alertado, um assessor do presidente da Casa, Marco Maia (PT-RS), recolheu a calcinha, a colocou em um envelope e indicou que levaria para o departamento de achados e perdidos. Em mais um daqueles mistérios do Parlamento, contudo, a seção nunca a recebeu.
"Eu não sei se foi um deputado quem perdeu. Deve ser sacanagem que fizeram com alguém", desconversou Maia. Informado de que se tratava de um "calçolão", reclamou: "Calçolão, não. Isso é um fiasco".
Vendo o colega Arnon Bezerra (PTB-CE), Maia perguntou se ele era o dono da polêmica calcinha. "Deve ser algum fã do Wando que circulou por aqui", disse o petebista, lembrando o já morto cantor que costumava receber calcinhas de suas plateias.

quarta-feira, 30 de março de 2011

O ASSASSINO CONFESSO, SOLTO E SALTITANTE!



27/03/2011
às 21:22 \ Direto ao Ponto
Se fosse eleito deputado, o assassino confesso continuaria a serviço da nação

Faz mais de 10 anos que o jornalista Antonio Pimenta Neves matou a ex-namorada Sandra Gomide com uma bala nas costas e outra na cabeça. Horas depois do crime, contou tudo à polícia e se tornou réu confesso. Em 2006, foi condenado em primeira instância a 18 anos de prisão, reduzidos a 15 pelo Tribunal de Justiça de São Paulo. Não cumpriu nenhum.



No momento, espera em liberdade o julgamento de um recurso encaminhado ao Supremo Tribunal Federal. O caso está com o ministro Celso de Mello, que não sabe quando terá tempo de examiná-lo. Tecnicamente, Pimenta Neves não é culpado de nada: graças às alquimias da legislação e às acrobacias da jurisprudência, tornou-se inconstitucional tratar um matador assumido como assassino antes que a sentença transite em julgado.


O cidadão brasileiro Antonio Marcos Pimenta Neves poderia, se quisesse, ter disputado uma vaga na Câmara dos Deputados em 2010. Não lhe faltariam simpatizantes, sobretudo entre colegas de ofício. O público alvo seria alcançado sem muita despesa, já que a Justiça Eleitoral concentrou o público alvo de delinquentes candidatos em poucos lugares: agora, a população carcerária se vale de urnas instaladas nos presídios para cumprir o dever cívico do voto.

Com alguma lábia e um pouco de sorte, Pimenta Neves hoje estaria festejando, entre uma conversa no cafezinho da Câmara e uma reunião para tratar da reforma política, a vitória da turma do prontuário no STF ─ e os nítidos sinais de que a lei da ficha suja será pulverizada de vez até 2012. A inovação legal torna inelegível gente condenada em duas instâncias. Isso é inconstitucional, já avisaram alguns ministros. É preciso aguardar o julgamento doo último recurso na última instância.

Sandra Gomide agonizava de costas quando levou o tiro de misericórdia. Nunca mereceu uma lágrima do seu executor. Para pelo menos seis doutores do STF, detalhes do gênero são pieguices irrelevantes, coisa de leigos que nem imaginam as altitudes jurídicas alcançadas por uma toga. A lei só retroage em benefício do réu, declamariam em coro. O princípio da anterioridade é sagrado, alertariam aos berros ─ mais de 10 anos depois do assassinato. E todos fingiriam ignorar que o processo dorme numa gaveta do Supremo.

Nada como um caso exemplar para encerrar a conversa fiada: caso virasse deputado, Pimenta Neves continuaria servindo à nação com as bênção do STF e sob as asas da Constituição. Os pimentas neves que agem fantasiados de pais-da-pátria são cada vez mais numeros. Há algo de muito errado com um país que torna possível tamanha afronta à justiça.

segunda-feira, 7 de março de 2011

CONDENADO À PRISÃO, DEPUTADO CONTINUA LIVRE E "LEGISLANDO"!!!



Segunda-Feira, 7 de Março de 2011

Reportagens Especiais

Home > Reportagens Especiais > Ficha Limpa

07/03/2011 - 07h00


Condenado à prisão, Donadon continua deputado

Apesar da Constituição dizer que nenhum parlamentar pode permanecer no mandato se for condenado pela Justiça, Natan Donadon segue no Congresso, votando normalmente. Ele foi, por exemplo, um dos deputados da base responsáveis pela aprovação do mínimo de R$ 545

Rodolfo Stuckert/Câmara
Apesar de condenado a 13 anos de prisão, Natan Donadon permanece deputado. Entenda os motivos
Eduardo Militão

O deputado Natan Donadon (PMDB-RO) está, há quatro meses, condenado a 13 anos de prisão, acusado de desviar dinheiro da Assembleia Legislativa de Rondônia por meio meio uma licitação fraudada. A condenação foi decidida pelo Supremo Tribunal Federal (STF), corte máxima da Justiça brasileira. Mesmo assim, Natan Donadon permanece normalmente no cargo de deputado federal, para o qual recebeu 43.627 votos. A Constituição diz que nenhum parlamentar pode permanecer no mandato se tiver condenação contra si. Mas a Câmara apega-se a diversas filigranas jurídicas para não afastá-lo. Primeiro, a instituição só cumpre a regra do afastamento depois que se esgotam todas as possibilidades de recurso. E, ainda assim, ainda garante ao deputado uma fase de defesa para contra-argumentar a respeito de coisas que já levaram à sua condenação na Justiça.

Neste mês, Donadon esteve no Congresso e participou de votações importantes, como a definição do reajuste do salário mínimo. Seguindo a orientação do seu partido, o PMDB, ele foi um dos 77 colegas da bancada que apoiaram simbolicamente o mínimo de R$ 545, como queria o governo de Dilma Rousseff. E votou “não” aos pisos de R$ 560 e de R$ 600, defendidos pelas centrais sindicais e as oposições.

A permanência de Donadon acontece porque, apesar da restrição da Constituição a pessoas condenadas criminalmente, a decisão tomada pelo STF ainda não “transitou em julgado”. A expressão jurídica significa que um processo judicial foi encerrado e dele não cabe mais nenhum recurso. Porém, mesmo que o STF encerrasse o caso imediatamente, ele ainda permaneceria deputado até seus colegas da Câmara analisarem sua situação e eventualmente até o absolverem em uma votação secreta no plenário da Casa.

Procurado pela reportagem desde quinta-feira passada (3), o deputado não se manifestou. Seus advogados também não.

Trâmite

Desde a condenação de Donadon, a papelada do processo está no gabinete da ministra Cármen Lúcia. De acordo com informações do gabinete da ministra, o acórdão da condenação sequer foi publicado, quando haveria prazo para a defesa do deputado, por exemplo, entrar com algum tipo de recurso no próprio STF. Um dos recursos possíveis são embargos de declaração, que questionariam incoerências e falhas nos votos dos ministros. Internamente no Supremo, é considerada remota a possibilidade de este recurso mudar a condenação do deputado.

Entretanto, ainda que o chamado “trânsito em julgado” da ação penal acontecesse, a Câmara precisaria receber uma comunicação formal do STF da condenação de Donadon. De acordo com a Constituição e com o artigo 240 do Regimento Interno da Câmara, o deputado deverá ter amplo direito a defesa num processo dentro do Legislativo. Ou seja: apesar do que dispõe a Constituição, a prática lhe garante um novo julgamento na Câmara, com a diferença de que esse último terá, invariavelmente, um caráter político.

Primeiro, o presidente da Câmara recebe a comunicação do Supremo. Depois, conforme interpretação de advogados ouvidos pelo Congresso em Foco, ele decide se a Mesa Diretora vai deliberar sobre o caso ou designar um relator para o assunto. Donadon deverá se defender perante a Mesa ou o relator. A decisão do relator ou da Mesa pode ser abrir uma representação contra Donadon ou simplesmente mandar arquivar o caso.

Caso a decisão seja abrir uma representação, o caso vai parar na Comissão de Constituição e Justiça, segundo o Regimento Interno. A CCJ vai designar um relator, fazer a “instrução” do caso, quando serão colhidas provas e será ouvida a defesa de Donadon. O relatório será votado pela CCJ. Se a comissão decidir por dar parecer pela cassação do deputado, aí o caso vai ao plenário da Câmara.

No plenário, a votação é secreta. São necessários 257 votos para cassação do mandato do deputado. Ou seja, ao final de uma decisão jurídica do Supremo, Donadon ainda terá a oportunidade de convencer os colegas e ser absolvido em plenário, mantendo-se no cargo.

Ficha limpa

A condenação pelo caso da publicidade na Assembleia não foi o único problema judicial de Donadon. Ele já foi condenado por envolvimento na suposta contratação de funcionários fantasmas na mesma Assembleia. Por conta da condenação, o Tribunal Superior Eleitoral barrou a candidatura de Donadon à reeleição como deputado federal.

Mas o ministro Celso de Mello, do STF, concedeu uma liminar ao deputado em dezembro – época em que já havia sido condenado à prisão pelo mesmo Supremo. Com isso, Donadon pode se diplomar e voltar à Câmara dos Deputados.

A condenação

Um dia antes de ser condenado à prisão pelo Supremo, Donadon usou uma estratégia de escapar do julgamento. Em 27 de outubro de 2010, já eleito para a próxima legislatura, mas com a candidatura barrada pela ficha limpa, ele resolveu renunciar ao cargo.

A esperança do deputado era perder o foro privlegiado no STF, evitar o julgamento marcado para o dia seguinte e fazer o processo voltar à estaca zero na Justiça Federal de primeira instância. Em 2007, a mesma estratégia funcionou para livrar o então deputado Ronaldo Cunha Lima (PSDB-PB) da acusação de tentativa de homicídio. Mas os ministros do Supremo mantiveram o julgamento de Donadon para o dia seguinte.

Ele acabou condenado por formação de quadrilha e peculato. Pegou 13 anos, 4 meses e 10 dias de cadeia. De acordo com a denúncia do Ministério Público, Donadon e mais sete acusados forjaram um contrato de licitação na área de publicidade, de 1995 a 1998. À época, o hoje deputado era o diretor financeiro da Assembleia Legislativa de Rondônia e, seu irmão Marcos Donadon, o presidente da Assembleia.

O edital da licitação não foi divulgado, segundo o procurador geral da República, Roberto Gurgel. Só três empresas – todas ligadas à suposta quadrilha – participaram da disputa, vencendo a MPJ Marketing Propaganda e Jornalismo Ltda.

Os 140 cheques da Assembleia para a MPJ totalizaram R$ 8,4 milhões, em valores da época, e foram assinados por Natan Donadon. Mas testemunhas no processo disseram que a empresa recebeu os valores, mas não prestou serviço algum ao Legislativo de Rondônia. Em sua denúncia, Gurgel sustenta que a empresa endossava os cheques e os devolvida para Donadon, que dividia com outros participantes do alegado esquema criminoso.

A MPJ não tinha registro contábeis, funcionários ou equipamentos e nunca fez qualquer trabalho para a Assembleia, informaram as testemunhas.

QUEM É O DEPUTADO CONDENADO
Natan Donadon
Deputado federal (PMDB-RO) e servidor público
Base eleitoral: Vilhena, na divisa com Mato Grosso
Teve 43.627 votos em outubro de 2010
** Condenado a 13 anos de cadeia pelo STF, acusado de desviar dinheiro da Assembleia Legislativa de Rondônia. Se mantém no cargo porque a Câmara não recebeu comunicação oficial do tribunal sobre a decisão
** Barrado pelo TSE com base na Lei da Ficha Limpa sob a acusação de contratar funcionário fantasma na Assembleia. Conseguiu liminar para suspender a decisão e tomar posse como deputado
** A defesa: Donadon e seus advogados não retornaram as ligações do Congresso em Foco.
** Votações: Como todos os colegas do PMDB, votou a favor do salário mínimo de R$ 545 e contra os pisos de R$ 560 e R$ 600
** Gastos com cotão após renunciar ao mandado: R$ 10.617,54 (até 4 de março de 2011)


sábado, 5 de fevereiro de 2011

ELEITOR OTÁRIO É QUEM VOTOU EM ROMÁRIO

A política em tempos de Romário: eleitor rima com otário
Jogador marcou presença na quinta-feira pela manhã na Câmara e, à tarde, foi fotografado jogando futevôlei na Praia da Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro
Romário joga futevôlei na Barra da Tijuca, dois dias depois da posse no Congresso

Romário joga futevôlei na Barra da Tijuca, dois dias depois da posse no Congresso: longe do batente (Marcos Ferreira/PhotoRioNews)
BOLA

'Craque' foi fotografado às 17h pelo jornal carioca Extra, com uniforme de Romário: short preto, camiseta azul e uma bola

Romário conquistou 146 mil votos e tornou-se deputado federal prometendo defender o esporte. Já na primeira sessão legislativa na Câmara dos Deputados, em Brasília, na quinta-feira, cumpriu a promessa – pelo menos para ele próprio. O baixinho – e aqui cabe usar um “b minúsculo” na referência à estatura – foi jogar futevôlei na Praia da Barra da Tijuca, no Rio, enquanto corria, em Brasília, o primeiro dia de trabalho no plenário. Provou, assim, que como parlamentar continua sendo um ótimo jogador. Pena que o drible agora seja no contribuinte.

O 'craque' foi fotografado às 17h pelo jornal carioca Extra, com uniforme de Romário: short preto, camiseta azul e uma bola sempre ao alcance dos pés. A sessão em Brasília foi das 14h às 18h.

A falta não vai gerar perdas para o parlamentar do PSB. As ausências só são descontadas do pagamento dos deputados e senadores quando ocorrem em sessões deliberativas.

Mesmo assim, houve trabalho na Câmara. E Romário, dois dias depois de sua posse, perdeu uma ótima oportunidade de provar que estava errado o verso de Tiririca – “pior do que está não fica”. O jogador optou, no entanto, por rimar seu nome com o que pensa do eleitor: otário.