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domingo, 1 de julho de 2012

JOSÉ LUIZ DOS SANTOS, VULGO ZÉ CARECA E OS VEREADORES FRAUDADORES DA CÂMARA MUNICIPAL DE SÃO PAULO



Vereadores de SP fraudam presença no painel Foto:AE Servidor há 30 anos, Zé Careca usa senhas exclusivas dos vereadores

Basta um telefone ou SMS para que assessor - que ganha R$ 23 mil - e 3 outros funcionários assumam tarefa restrita a parlamentares

30 de junho de 2012 | 18h 10
Adriana Ferraz / Diego Zanchetta / J.F. Diorio / Juliana Deodoro - O Estado de S.Paulo
A rotina na Câmara Municipal é a mesma toda terça, quarta e quinta-feira, quando a capital ganha seu 56.º vereador. O parlamentar extra é o assessor José Luiz dos Santos, o Zé Careca, apontado como “chefe” do esquema que frauda o painel eletrônico. Sentado a cerca de 2 metros do presidente da Casa, José Police Neto (PSD), ele acessa o sistema com senhas pessoais de vereadores, garante o número necessário de presenças para abrir sessões e pode até votar.
Careca lidera uma equipe de pelo menos outros três fraudadores, que mantêm o controle das marcações em listas feitas à mão. Fotos feitas pelo Estado mostram que o grupo recebe a ordem para cometer a irregularidade por telefone ou SMS.
Celulares ficam sobre a mesa e basta um toque para mais um nome surgir no painel, sem que ninguém entre no plenário. Em outros casos, servidores telefonam aos gabinetes em busca de autorização para marcar a presença.
Funcionário da Câmara há mais de 30 anos, o assessor trabalha no plenário desde 1994, quando entrou para a lista de homens de confiança dos parlamentares. A qualquer momento, mesmo em fins de semana e feriados, Careca está disposto a resolver “pepinos de vereadores”. Seu salário é de cerca de R$ 23 mil.
O servidor caiu nas graças de todas as últimas presidências do Legislativo. Bases governistas de Paulo Maluf (PP) a Gilberto Kassab (PSD) contaram com a habilidade do assessor no comando da Mesa Diretora. No segundo semestre de 2008, por exemplo, foi Zé Careca quem coordenou a transição da lista de presença em papel para a verificação em painel eletrônico.
De ternos bem alinhados e relógios de grife, o assessor tem fama de workaholic – chega cedo e vai embora após 21h. É tão próximo dos vereadores que, em alguns casos, o pedido de marcação de presença chega a ser feito a Careca em voz alta pelo parlamentar, sem constrangimento.
No dia 27, durante sessão ordinária, o grupo de Careca marcou presença para Wadih Mutran (PP), Juliana Cardoso (PT) e Juscelino Gadelha (PSB), entre outros ausentes. O esquema é ofertado a todos, independentemente do partido.
No Palácio Anchieta, a tecnologia facilita a fraude. Além dos 55 terminais – um de cada vereador –, há pelo menos mais 8 espalhados pela Mesa Diretora e um na chamada sala secreta. Dessa lista, um fica escondido em uma gaveta, aberta sempre que há marcação irregular.
Funcionários digitam a senha que identifica o vereador, apertam “entra” e imediatamente o nome surge no painel eletrônico. Careca tem tanta prática que nem precisa olhar a máquina. Tem senhas decoradas e marca nomes em segundos. O Estado telefonou para ele na sexta, mas o assessor não atendeu.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

NOSSOS REPRESENTANTES???

14/02/2011 - 07h13
Deputados clonam relatórios de viagens oficiais


SILVIO NAVARRO
DE SÃO PAULO

Deputados federais enviados pela Câmara para missões oficiais clonam de outros membros da comitiva relatórios de prestações de contas das viagens ao exterior.

É prática corriqueira deputados negligenciarem os relatórios sobre a participação em eventos fora do país. A Folha encontrou diversos casos na legislatura passada (2007-2010) de parlamentares que entregaram à direção da Casa cópia do parecer de outro gabinete.

Também há casos de deputados que só enviaram material de divulgação dos eventos, recortes de notícias e notas taquigráficas de discursos, sem nenhuma formalidade.

As passagens aéreas e as diárias --pagas em dólar-- são bancadas pela Câmara. A apresentação de um relatório à presidência da Casa, no prazo de 15 dias após a viagem, é obrigatória. O acesso aos documentos é público.

As regras foram definidas em ato da Mesa Diretora de novembro de 2003, na gestão de João Paulo Cunha (PT-SP).

"O deputado ou servidor que viajar em missão oficial com ônus de passagem área ou de diária para a Câmara deverá encaminhar à presidência da Casa, em até 15 dias a contar da data final do evento, relatório circunstanciado das atividades desenvolvidas", diz o ato.

Devido à "clonagem" dos pareceres, por exemplo, três deputados relataram ter presidido um debate, no mesmo local e horário, durante a sexta edição do Fórum Parlamentar Ibero-Americano, em Buenos Aires, em novembro passado. Cada um recebeu duas diárias e meia no valor de US$ 350 cada.

Os documentos idênticos foram entregues por três gabinetes, assinados pelo então presidente da Câmara e hoje vice-presidente da República, Michel Temer (PMDB-SP), o líder do PMDB, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), e Maurício Rands (PT-PE).

O trio escreveu: "Na oportunidade, coube-me presidir a mesa da comissão número quatro, com a participação do orador convidado Alejandro Vera [pesquisador de políticas públicas]".

No texto que leva sua assinatura, o líder do PMDB escreveu que esteve acompanhado dele mesmo.

A leitura detalhada do texto indica que o relatório foi redigido por Temer e copiado pelos demais.

Ao retornar do exterior, Paes Landim (PTB-PI) nem sempre elabora relatórios. Em duas ocasiões, enviou cópia das notas taquigráficas de discursos que fez, no plenário da própria Câmara, mencionando a viagem.

Foi assim, por exemplo, em São Tomé e Príncipe, em 2009, numa assembleia de povos de língua portuguesa. E numa conferência da ONU sobre "Luta Contra a Desertificação", no mesmo ano.

Então deputado em dezembro de 2008, Jorge Bittar (PT-RJ) foi direto ao inserir um comentário no rodapé do seu relato. "Obs: este relatório é de igual teor do entregue pelo deputado Paulo Roberto [PTB-RS]".

Ambos foram a um encontro com dirigentes da área de comunicação do governo argentino.

OUTRO LADO

A resposta dos deputados que copiam relatórios uns dos outros é unânime: como foram juntos aos mesmos eventos, entendem que podem prestar contas em conjunto.

No ato que normatiza os relatórios, entretanto, não há essa previsão.

"As atividades desenvolvidas pelos parlamentares na viagem citada foram idênticas. Participaram das mesmas mesas e dos mesmos debates. Como não há atividades diferenciadas para descrever, optaram pela produção de um único texto que, após a aprovação de cada um deles, foi entregue pelas respectivas assessorias", respondeu Henrique Eduardo Alves, líder do PMDB, por meio de assessoria.

A assessoria do petista Maurício Rands afirmou que o deputado assinou o mesmo relatório porque a programação e a agenda cumprida foram as mesmas.

Paes Landim disse que fazer um discurso no plenário mencionando as missões às quais participou é mais proveitoso do que redigir um relatório oficial.

"O discurso traz muito mais informação do que o relatório. Basta você comparar os meus discursos com os relatórios, até porque praticamente eles são feitos no Grande Expediente", afirmou.

Grande Expediente é a janela na qual os discursos dos deputados podem ser mais longos.

Jorge Bittar não foi localizado.