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sexta-feira, 30 de março de 2012

DEMÓSTENES, ANVISA, CACHOEIRA, VITAPAN, A PICARETAGEM À SERVIÇO DE INTERESSES ESCUSOS



Influência a serviço de Cachoeira


Influência para conseguir audiência
Demóstenes Torres ainda era um respeitado e influente senador da República quando solicitou à Anvisa, no começo de setembro do ano passado, um encontro com seu diretor-presidente, Dirceu Barbano. A conversa, dizia o pedido de audiência, serviria para tratar de um certo “protocolo de câncer de próstata”. Diante do pedido de um senador e da relevância do tema, Barbano encaminhou a solicitação com prioridade, marcando a conversa para 21 de setembro.
Com a audiência confirmada, Demóstenes apresentou então o real motivo da conversa com o comandante da Anvisa: discutir a liberação de registros da agência para medicamentos genéricos e similares do laboratório Vitapan, um dos braços de Carlinhos Cachoeira na indústria farmacêutica, localizado na cidade do bicheiro, Anápolis (GO).
A inclusão do tema foi realizada a partir de um e-mail enviado na véspera do encontro pela assessoria de Demóstenes à Anvisa. No dia 21, às 14h, como registra a ata do encontro, Demóstenes apareceu na Anvisa acompanhado de dois representantes do Vitapan para conversar com Barbano e deixou que eles apresentassem os pleitos de Cachoeira.
A mediação do encontro dos representantes do Vitapan com o chefe da Anvisa é uma das primeiras evidências diretas de que Demóstenes usava a influência do mandato para tratar dos interesses de Cachoeira junto a órgãos do governo. Sem a interferência de Demóstenes, os representantes do Vitapan dificilmente teriam conseguido uma audiência fechada com o comandante da Anvisa para tratar de interesses comerciais do laboratório.
Assuntos dessa natureza (obtenção de registro) costumam ter uma longa tramitação na agência e são tratados em audiências públicas, com conteúdo integralmente gravado em vídeo. O privilégio ao Vitapan só foi possível após a intermediação de Demóstenes. Apesar do empurrãozinho, a Anvisa garante que os pleitos comerciais do laboratório não foram levados a diante.
Por Lauro Jardim

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

JOGO DO BICHO


Notícias

Veja como funcionava o esquema de
manipulação de resultados do jogo do bicho

No dia de São Jorge, por exemplo, contraventores proibiam apostas na milhar 23
Maria Mazzei, da Rede Record, no Rio | 27/12/2011 às 05h35
Reprodução
26jogo
R7 teve acesso exclusivo aos relatórios da Polícia Civil
Era no subsolo de um grande prédio da avenida Rio Branco, no centro do Rio de Janeiro, onde aconteciam os sorteios do jogo do bicho e a manipulação dos resultados por parte dos contraventores. De lá, o resultado - com ou sem alteração - era repassado para as bancas de todo o Estado. Segundo investigação da Polícia Civil, quando os bicheirossabiam que muitos apostadores haviam jogado em um único número, eles alteravam o resultado ou mesmo impediam que o número fosse sorteado para não causar prejuízo à banca.
De acordo com o delegado Glaudiston Galeano Lessa, da Coinpol (Corregedoria Interna da Polícia Civil), responsável pela investigação, a troca de um único número já era suficiente para beneficiar os banqueiros.
- A investigação revelou que os números eram manipulados, mas não para favorecer o apostador e sim o próprio jogo do bicho. Quanto menor fosse o número de prêmios e o valor, maior seria o lucro da banca.
Escutas telefônicas autorizadas pela Justiça flagraram quando um contraventor manda um suposto funcionário do jogo do bicho substituir o número 4, que havia acabado de ser sorteado pelos computadores, pelo número 9.
Na conversa, entre dois contraventores, no dia 12 de março de 2011, o número 4394 é manipulado para virar 4399. Assim menos apostadores seriam beneficiados.
Contraventor 1 - Unidade 4! Olha ai, olha aí, espera aí... vai mudar.
Contraventor 2 - O terceiro prêmio tá sambado, tá sambado, tão falando que não tá legal.... sujou nosso resultado todo. Mas vamos ficar com ele mesmo 4399.
Número 23 proibido no dia de São Jorge
Um relatório da Polícia Civil sobre a manipulação das apostas a que o R7 teve acesso com exclusividade revela ainda que números que representavam datas comemorativas, com dia de São Jorge, por exemplo, eram excluídas da jogatina na data respectiva.
Isso acontecia devido à grande quantidade de apostas. Caso esse número fosse sorteado, poderia causar enorme prejuízo para o bicheiro e até quebrar a banca.
Ainda de acordo com o documento, os jogos mais apostados eram divididos entre diferentes banqueiros, para que, se algumas dessas apostas fossem sorteadas, o pagamento do prêmio ficasse dividido entre os banqueiros.
A operação Dedo de Deus foi deflagrada há duas semanas no Rio, Bahia, Maranhão e Pernambuco e já resultou na prisão de 45 pessoas. Entre os presos, estão o ex-prefeito da cidade de Teresópolis, Mário Trincano, apontado como chefe do jogo ilegal na região serrana do Rio, policiais militares e pessoas ligadas à estrutura do jogo do bicho em todo o Estado.
Barracões de escolas de samba e casas de bicheiros foram alvos de buscas. A polícia já apreendeu mais de R$ 4 milhões, além de joias e carros de luxo.
Ouça a gravação:

Como surgiu o jogo do bicho
Tudo começou no bairro de Vila Isabel, na zona norte do Rio, quando João Batista Viana Drummond, o Barão de Drummond, visando aumentar os lucros de seu zoológico, criou em 1892 um jogo no qual o visitante comprava uma entrada e poderia escolher um dos 25 bichos de seu parque.
Ao final do dia, os responsáveis pelo jogo revelavam o bicho sorteado e colavam o resultado em um poste, prática que até os dias de hoje continua sendo feita. O valor do prêmio era de 20.000 réis.
Cada um dos 25 bichos era representado por quatro números consecutivos, compreendidos entre 00 e 99. Havia 25 grupos numerados, por ordem alfabética, de 1 a 25. Os números de 00 a 99 correspondiam aos 25 bichos conforme uma progressão aritmética, calculando o próximo múltiplo de quatro.
O camelo (grupo 8), correspondia aos números 29. 30, 31 e 32. Já a vaca, última animal (grupo 25), era representada por 97, 98, 99 e 00.
Atualmente, o bicho correspondendo a um número entre 0000 e 9999 e os grupos são indicados pelos dois dígitos finais.
O jogo logo caiu nas graças do povo se espalhou rapidamente por todo Brasil

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

JOGO DO BICHO


Ação no RJ prende cinco suspeitos de integrar quadrilha e apreende dinheiro

Entre os presos está um policial militar suspeito de contravenção.
Foram apreendidos dezenas de joias, relógios e mais de R$ 30 mil.

Do G1 RJ
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Policiais da Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco) e da Subsecretaria de Inteligência da Secretaria de Estado de Segurança Pública (SSINTE) prenderam três suspeitos, incluindo umpolícia militar suspeitos de contravenção, na manhã desta terça-feira (20), no Rio. Outras duas pessoas foram presas em flagrante. As informações são da Secretaria de estado de Segurança.
A ação Tempestade no Deserto tem por objetivo cumprir oito mandados de prisão e 11 de busca e apreensão para desarticular uma quadrilha acusada de envolvimento em homicídios e outros crimes relacionados a uma disputa de poder pelo espólio do contraventor Waldomir Paes Garcia, o Maninho, morto em 2004. Foi cumprido um mandado contra um policial civil que já estava preso.
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Jóais são apreendidas em operação contra quadrilha armada. (Foto: Dennys Coelho/Secretaria de Segurança)Joia em formato de fuzil é apreendida
(Foto: Dennys Coelho/Secretaria de Segurança)
De acordo com a Secretaria de estado de Segurança, as duas pessoas presas em flagrante são mulheres.
Ainda de acordo com a secretaria, foram apreendidos dezenas de joias, relógios de marcas famosas, R$ 38.600, 9.550 euros e US$ 7.100. A operação continua em andamento.
A operação é um trabalho conjunto da Subsecretaria de Inteligência da Secretaria de Estado de Segurança Pública (SSINTE), Draco e Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público.
A Polícia Civil informou que também foram apreendidos um carro e armas.
Operação contra quadrilha armada apreende dinheiro e jóias. (Foto: Dennys Coelho/Secretaria de Segurança)Operação apreende dinheiro e joias (Foto: Dennys Coelho/Secretaria de Segurança)
Carrinho cheio de dinheiro é apreendido (Pablo Jacob/Agencia O Globo)Quadrilha armada, diz MP-RJ
Segundo o Ministério Público do Rio (MP-RJ), o Gaeco denunciou ao Juízo da 2ª Vara da Comarca de Cachoeiras de Macacu, na Região das Baixadas Litorâneas, uma quadrilha integrada por um policial civil, quatro policiais militares e outras duas pessoas, liderada por uma mulher. Entre eles um capitão e dois ex-oficiais do Bope.
Segundo o MP-RJ, o grupo é acusado de formação de quadrilha armada e tentativas de homicídio qualificado. A suspeita comanda a exploração ilícita do jogo de caça-níqueis.
De acordo com a denúncia, o policial civil e três PMs tentaram matar um homem e outras três pessoas na madrugada do dia 10 de maio de 2008, por ordem da chefe da quadrilha na disputa do espólio de Maninho.
Ação prende 5 e acha joia em forma de fuzil (Divulgação/Governo do RJ)Na ocasião, as vítimas conseguiram fugir, apesar de um dos carros que as transportavam ter sido atingido por 37 tiros. Um quarto denunciado também teria envolvimento na tentativa de homicídio por ter acompanhado os demais até o local da emboscada. O homem acabou sendo morto em janeiro de 2009, em Ipanema, informou o MP-RJ.


O quarto policial militar denunciado é suspeito de ser o segurança da chefe da quadrilha e também seria responsável por saldar as despesas de manutenção de uma fazenda, onde eram armazenadas as armas da quadrilha.
Segundo a denúncia do MP-RJ, os policiais utilizam armamento pessoal e armas de origem clandestina nas atividades criminosas exercidas pela quadrilha. O policial civil foi preso em novembro deste ano, às vésperas da ocupação da favela da Rocinha, escoltando dois comparsas do traficante Nem.
Operação contra jogo do bicho
Policiais estão vasculhando um dos endereços de um suspeito de envolvimento com o jogo do bicho, na Barra da Tijuca, na Zona Oeste do Rio, nesta terça-feira (20). O suspeito, que é ligado à uma escola de samba, está foragido desde a semana passada. Na casa dele, policiais encontraram grande quantidade de dinheiro ainda não contabilizada e anotações escondidas no esgoto.
Agentes da Corregedoria da Polícia Civil e da Coordenadoria de Recursos Especiais passaram a noite de segunda-feira (19) cercando a casa, à espera de um mandado de busca e apreensão. Os advogados da família, que estiveram no local, foram revistados ao deixar a residência.