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sábado, 26 de março de 2011

Já ouviu falar na depressão pós-casamento?




Os meses de Julho, Agosto e Setembro, são aqueles que registam mais casamentos. Toda a gente fala da felicidade da noiva e da beleza da festa, mas o que ninguém confessa, ou provavelmente até entende, é a tristeza do dia seguinte.

Durante meses preparam a festa do casamento, gastam dinheiro e investem todas as suas emoções e poupanças no Grande Dia. E quando o dia chega, os holofotes ligam-se sobre a noiva e o noivo, e é de facto um momento memorável. Depois vem a lua-de-mel tão esperada, com sorte uma viagem a um sítio desconhecido, e as fotografias só revelam sorrisos, porque nem outra coisa a máquina se atreveria a fotografar.

Mas de regresso a casa, mesmo a uma casa novinha em folha, há de repente o confronto com a realidade anónima e rotineira do dia a dia. E há quem resista mal a este “baixo” depois do clímax, e se sinta triste e deprimido.

Segundo os terapeutas de casais, não há ninguém que não tenha alguma dificuldade em adaptar-se à vida em comum, mas cerca de 10% dos recém casados sentem suficiente tristeza e desilusão para os levar a consultar um especialista, conta a revista Time.

Por um lado podem estar a reagir ao vazio que se segue a um ano de grandes preparações, em que se sentiam unidos ao outro por um projecto comum, e os projectos comuns são a cola de qualquer relação, mas por outro é provável que tenham dificuldade em gerir a passagem do um, ao dois. “Muitos casais compram o mito que quando se começa a discutir acerca de sexo, dinheiro, ou divisão de tarefas – que são pomo de discórdia em todos os casamentos – é o princípio do fim. Quando lhes pergunto “Quem é que vos meteu na cabeça que os casais não discutem, ficam a olhar para mim espantados. Como também lhes tenho de dizer que é normal querer manter a independência, e continuar a sentirem-se responsáveis pela sua própria felicidade – é disparatado assumir que o marido/mulher vai ser tudo para si», diz Michelle Gannon, terapeuta familiar, que organiza workshops para recém-casados em São Francisco, nos EUA.

E é também ele que conta que curiosamente as pessoas que já viviam juntas antes de oficializarem a relação, também não estão imunes a esta depressão pós-casamento. “De alguma forma acreditavam que se iam sentir diferentes depois de terem assinado papéis ou visto a relação abençoada por um padre”, comenta.

Segundo a Time, para vencer a neura que sucede à festa, os casais deviam descansar, fazer exercício, falar muito, e começar a pensar no futuro da família, criando novos projectos, e aceitando a necessidade de voltar ao seu círculo familiar e de amigos, porque a vida não se faz a dois, o que não quer dizer que sejam menos importantes um para o outro.
Isabel Stilwell | editorial@destak.pt