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domingo, 11 de novembro de 2012

PIAUÍ E A SUA SECA

11-11-2012 08:19
Seca: População alerta para caos no interior. (Foto Caritas)

Em situação de emergência causada pela seca, comunidades do Sul do Estado, especialmente da região de Oeiras, alertam que o esvaziamento dos reservatórios de água dificulta cada vez mais a sobrevivência das famílias. A secagem da lagoa da comunidade Feitoria, em Oeiras, que abastece ainda diversas localidades, dentre as quais, Morro Grande, Paraíba, Murões e Moraes, deixa a situação muito grave. O mesmo acontece com a região de São Miguel da Talhada, do municípios de São João Varjota, que está com as lagoas secas.
Em Jaicós, na região de Picos, apenas dois poços estão abastecendo a população de pelo menos 18 mil habitantes. Os poços estão secando. A situação é igual no município de Queimada Nova, na região de Paulistana, onde apenas um poço fornece água para 80% dos 8,5 mil habitantes. O açude Tiririca, em Jaicós, que abastecia a cidade secou totalmente. Os carros pipas cadastrados não pegam mais água o suficiente para atender a população o que compromete o abastecimento.
Segundo o padre da Diocese de Oeiras, João de Deus, a população vem se mobilizando paraconseguir melhorias. Juntamente com a paróquia também se mobiliza a Cáritas Diocesana de Oeiras, os técnicos do Centro Educacional São Francisco de Assis – CEFAS. Na última terça-feira houve reunião com a presença de 21 municípios da região, com a mesma preocupação: falta de água. A reunião culminou em um documento a ser enviado para o Governo Estadual.
Dentre as reivindicações mais urgentes estão os problemas relacionados aos créditos bancários do recurso estiagem, soluções como desaterramento das lagoas, dentre outras. Segundo o padre, várias foram as andanças junto ao poder público para solucionar os problemas das lagoas. A solução encontrada pela comunidade Feitosa para manter os animais, principalmente, vivos, foi a construção de uma adutora de mais ou menos 300 metros, que levou água do poço tubular mais próximo até a lagoa para saciar a sede dos animais. A verba foi destinada pela própria paróquia.
O pároco lembra que a lagoa da comunidade Feitosa é um importante reservatório da região, a situação hoje assistida pelos moradores não acontece desde 1955, a última vez que o reservatório secou por completo.
Ananias Moura, assessora da Cáritas Regional Piauí, lembra que assim como a comunidade Feitoria, existem várias outras comunidades no município de Oeiras na mesma situação, como, por exemplo, as comunidades de Ipoeiras, Morões e Tranqueira. “Comunidades inteiras sem água e sem pastagens para seus animais e todas elas aguardam do Governo uma intervenção no sentido desterrar as lagoas para garantir, com as próximas chuvas, uma maior capacidade de armazenamento”, conclui Ananias.
Seminário apresentará soluções
Nos dias 22 e 23 deste mês será realizado em Picos o I Seminário de Comunicação e Desenvolvimento Sustentável do Semiárido. No evento serão discutidas soluções para a problemática da convivência com a seca no período de estiagem e contará com as participações da coordenadora do Unicef, Ana Márcia Diógenes, e do secretário mundial da Associação Católica da Comunicação para a América Latina, Pedro Sánchez Coronel.
No evento serão discutidas soluções para a problemática da convivência com a seca no período de estiagem. O seminário se propõe a ser um diálogo aberto sobre o papel da comunicação no desenvolvimento sustentável do semiárido. A coordenadora do Unicef, Ana Márcia, vai abordar a experiência do Selo Unicef Município aprovado como estratégica de desenvolvimento local.

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

2 MIL PÊNIS DE BORRACHA P/ A UNIVERSIDADE ESTADUAL DO PIAUÍ



24/01/2012 18h51 - Atualizado em 24/01/2012 19h26

Juiz suspende a compra de cadeiras e 2 mil pênis de borracha para a Uespi

Edital previa compra de 400 mil cadeiras para instituição com 28 mil alunos.
Universidade Estadual do Piauí diz que números são apenas referência.

Ana Carolina MorenoDo G1, em São Paulo
Uma licitação de 241 itens de compras de móveis e acessórios da Universidade Estadual do Piauí (Uespi) foi suspensa na segunda-feira (23) antes da abertura das inscrições de empresas. O edital previa, entre outras coisas, a compra de acessórios anatômicos do sistema reprodutor, como 2 mil pênis de borracha. Mas o que chamou a atenção do juiz foi a solicitação de 400 mil cadeiras para a instituição com 28 mil alunos - uma proporção de 14 cadeiras por aluno.
A suspensão do processo aconteceu depois que o juiz titular da 2ª Vara dos Feitos da Fazenda Pública de Teresina, Reinaldo Araújo Magalhães Dantas, aceitou um pedido de liminar feito na sexta-feira (20) pelo advogado de uma das empresas concorrentes e emitiu um mandado de segurança por conta do número de cadeiras solicitadas para a universidade.
A licitação, porém, incluía ainda a compra de acessórios anatômicos do sistema reprodutor - entre 2 mil pênis de borracha de quatro tamanhos diferentes, 500 vulvas de silicone e 1.500 seios feitos de pano, silicone e "seio na prancha" - que seriam usados pelos 40 alunos da residência médica.
Trechos do edital da Uespi, que prevê a compra de 2 mil pênis de borracha para cerca de 40 estudantes (Foto: Reprodução)Trechos do edital da Uespi, que prevê a compra de 2 mil pênis de borracha para cerca de 40 estudantes
(Foto: Reprodução)
O edital também previa a aquisição de 29 títulos de DVDs - também com 500 unidades de cada -, como "Cachaça – produção artesanal de qualidade", "Construção de cercas na fazenda" e "Controle de formigas cortadeiras". Os cursos de zootecnia e agricultura da instituição também oferecem cerca de 40 vagas por turma.
O juiz da 2ª Vara afirmou ter encontrado fundamento no pedido da empresa, que segundo ele tem sede no estado de São Paulo. Ela questionou apenas um dos itens: a compra de 400 mil cadeiras. "Entendi que não havia razoabilidade, porque a universidade só tem 28 mil alunos", disse Dantas ao G1, na tarde desta terça-feira (24). Pelas contas, seriam 14 cadeiras por estudante.
Além da quantidade, "que uma empresa pequena não pode fornecer", o juiz salientou que as características da cadeira descritas no edital indicavam uma cadeira patenteada e, portanto, "supostamente foi feita direcionando para alguém".
"O Estado procura comprar mercadoria com características de que necessita, mas que haja concorrência, porque o dinheiro público precisa ser preservado", disse.
O mandado de segurança, de acordo com Dantas, foi emitido porque a abertura da licitação estava prevista para as 14h da segunda-feira e havia "perigo da demora" de que o julgamento perdesse o efeito, após a realização do processo de contratação.
Os responsáveis pelo pregão da Uespi têm até dez dias para fornecer explicações à Justiça. O reitor da instituição, Carlos Alberto Pereira da Silva, afirmou que não foi informado do motivo da suspensão da licitação, mas disse que acatou a decisão judicial e que está preparando os documentos para apresentar a defesa da universidade. Ele explicou, porém, que os itens relacionados a órgãos reprodutivos masculino e feminino não foram alvo da ação, e serão usados no trabalho de campo que os residentes fazem nas comunidades atendidas pelo Programa de Saúde da Família (PSD).
É uma faculdade de medicina, os estudantes usam isso. Tem que mostrar para o cidadão como as doenças acontecem. Não significa dizer que a Uespi vai adquirir essa quantidade de pênis"
Carlos Alberto Pereira da Silva,
reitor da Uespi
"É uma faculdade de medicina, os estudantes usam isso. Tem que mostrar para o cidadão como as doenças acontecem. Não significa dizer que a Uespi vai adquirir essa quantidade de pênis."
Segundo Pereira, a licitação é feita por meio do sistema de registro de preços, o que significa que a empresa que oferecer o menor preço ganha o pregão. Ainda de acordo com ele, a quantidade listada no edital não representa a demanda real da instituição, mas um número - que será definido no momento do pregão, de acordo com a capacidade das empresas. "Eu posso comprar até aquele limite, mas não significa dizer que irei comprar", afirmou.
No caso dos objetos usados para a conscientização da comunidade a respeito das Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST), o reitor não soube precisar a quantidade necessária atualmente. "Vamos precisar de uns 10 agora, no próximo semestre são outros alunos que vão fazer disciplinas."
O benefício, disse o reitor, é a desburocratização dos processos de compra da universidade e na redução de gastos provocados pela inflação. "Daqui a dois anos, se tiver necessidade, posso comprar no mesmo preço, o preço que está registrado."
Pereira instituiu o sistema de registro de preços em maio de 2009. No documento que anunciou a mudança, o reitor afirmou que esse "método de trabalho importa um modo célere e eficaz previsto na legislação reduzindo gastos e simplificando procedimentos administrativos pela supressão de múltiplas licitações contínuas e desnecessárias". Além disso, ele listou vantagens da modalidade, entre elas o favorecimento da "participação de pequenas e médias empresas" e a "agilidade nas aquisições – possibilidade de compras e serviços, em tempo recorde".
As críticas ao edital também fizeram com que um grupo de empresas interessadas na licitação apresentassem, no fim da manhã de segunda-feira, uma denúncia contra a Uespi no Ministério Público Estadual. De acordo com a assessoria de imprensa do órgão, o promotor Fernando Santos confirmou o recebimento da denúncia, mas só vai se pronunciar depois de analisar dos documentos.