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sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

O GOVERNO ARGENTINO CONTROLARÁ O CONSUMO DE PAPEL PELA IMPRENSA ( JORNAIS)

Enviado por Ricardo Noblat - 
16.12.2011
 | 2h17m

MUNDO

Argentina aprova mudança sobre papel de jornais


Janaína Figueiredo, O Globo
Como era esperado, a Câmara argentina aprovou nesta quinta-feira — com 134 votos a favor, 92 contra e 13 abstenções — um polêmico projeto de lei que declara de interesse público a "produção, comercialização e distribuição de papel de pasta celulose para jornais".
O governo Cristina Kirchner tentou aprovar uma iniciativa similar entre 2009 e 2010, mas a Casa Rosada não contava com os votos necessários. Agora, com maioria em ambas as casas do Congresso — entre kirchneristas puros e aliados —, o governo apresentou um novo projeto que os deputados, considerado ainda mais negativo por representantes de meios de comunicação.
Em entrevista ao GLOBO, o gerente de comunicações externas do grupo Clarín, Martin Etchevers, assegurou que "essa medida busca, entre outras coisas, limitar o acesso dos jornais ao papel elevando a tarifa de importação do produto, zerada desde 1985".
— Em nenhum dos artigos do projeto existe uma garantia de que a alíquota de importação de papel continuará sendo zero — explicou Etchevers.
Pelo contrário. O documento, que até o fim do ano será transformado em lei pelo Senado, estabelece que a cada três meses o Ministério da Economia avaliará a situação da tarifa de importação de papel.
Atualmente, a empresa Papel Prensa — controlada pelos jornais "Clarín", "La Nación" e pelo Estado — produz 170 mil toneladas de papel por ano, abaixo das 230 mil consumidas pelas empresas do setor. O "Clarín" importa 16 mil toneladas e o "La Nación", outras 11 mil.
Os jornais "El Cronista" e "Perfil", que também são considerados inimigos pelo governo, dependem quase totalmente do papel importado. Qualquer modificação na alíquota para adquirir papel no exterior representará um enorme prejuízo para muitos jornais argentinos.