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quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

PINHEIRINHO E A SUA " VOCAÇÃO INDUSTRIAL", SEGUNDO O PREFEITO DE S. JOSÉ DOS CAMPOS/SP


REGIÃO
Jornal O VALE
January 25, 2012 - 02:55

Cury exalta ‘vocação industrial’ de área desocupada pela PM

Mudança do Pinheirinho
marcelo Caltabiano/O VALE
Custos com desapropriação e infraestrutura chegariam a R$ 134 milhões, cifra que inviabilizaria projeto de urbanização
Beatriz RosaSão José dos Campos
O prefeito de São José, Eduardo Cury (PSDB), descartou o uso das terras do Pinheirinho para fins habitacionais, em razão do custo da área e dos investimentos em infraestrutura necessários.
O tucano defendeu a retomada da “vocação industrial” da área --que, segundo ele, poderá garantir a geração de empregos na zona sul-- e falou da expectativa em receber os impostos atrasados da massa falida da Selecta S/A, proprietária do terreno --a gleba acumula uma dívida de R$ 16 milhões em IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano).

Confira abaixo os principais trechos da entrevista.
Porque o senhor considera inviável a regularização do Pinheirinho?O custo da área e o valor da instalação da infraestrutura necessária de uma área daquele tamanho para um grupo pequeno de pessoas tornou o projeto inviável. São mais de R$ 134 milhões, e aquelas famílias ocupavam apenas 50% da área. O custo unitário de cada casa não se encaixa em nenhum programa habitacional existente. 
Quais são os planos do governo para aquela área?Temos uma política de distribuir as pessoas por toda a cidade, e lá foi planejado para levar empregos, e não mais moradores. Só no entorno do Pinheirinho são mais de 60 mil pessoas. A cidade quer empresas no local para gerar empregos. Não é justo transformar a zona sul só em dormitório. Até a invasão, o uso industrial sempre foi a vocação. Ainda não fiz uma análise sobre qualquer mudança no zoneamento da área, mas a cidade decidiu que ali é um lugar para gerar emprego.
O senhor se manteve em silêncio durante o processo que antecedeu a reintegração. Porque?É um assunto muito delicado que envolvia o destino de quase 2.000 mil famílias no meio de uma fase que não dependia da prefeitura. O que se discutia era o cumprimento de uma decisão judicial. Qualquer fala minha teria um impacto muito grande de frustração ou euforia. Eu preferi não me manifestar até o quadro judicial estar claro.
E qual sua avaliação sobre o cenário agora?No nosso entendimento a operação foi tranquila dada as suas proporções. Não houve nenhuma vítima fatal. Agora o nosso papel é o de cuidar dessas pessoas. Nos preparamos para receber um número muito maior de famílias.
E qual o plano do governo para as famílias desabrigadas?A primeira etapa é o abrigamento nos prédios públicos da prefeitura por tempo indeterminado. Algumas receberam passagens para voltar as suas cidades de origem. Agora trabalhamos na identificação de cada uma das 950 famílias cadastradas cruzando dados sobre a educação, envolvimento nos programas sociais e na saúde. A meta é avaliar em que programas sociais da prefeitura elas podem ser incluídas. Todos os mecanismos estão sendo analisados e serão disponibilizados de acordo com a necessidade de cada família. A renda mínima e o aluguel social são possibilidades.
De que forma a União e o Governo do Estado pretendem ajudar no impasse social?O governo federal me convidou para discutir um programam habitacional. Na devida hora, as nossas equipes técnicas irão se sentar para discutir um programa habitacional. O governador Alckimin sinalizou apoio financeiro para o programa habitacional e também para o abrigamento com o aluguel social. Essa poderá ser uma das ferramentas dentro do pacote de alternativas que iremos oferecer às famílias. Nem todas serão contempladas com o aluguel social. Serão analisados os casos que realmente precisam.
Porque é necessária uma nova triagem das famílias?Toda a família desabrigada recebeu uma senha. Queremos evitar que oportunistas que não eram do Pinheirinho prejudiquem o cadastro. Faremos uma nova triagem para traçar o perfil de cada uma delas e a partir ver a melhor forma de ajudar nessa transição. Quem vai decidir a destinação serão as assistentes sociais.
A desocupação vai afetar a imagem do Governo?De maneira nenhuma. São José é uma cidade ordeira e de regras. E as pessoas aprovaram essa determinação da Justiça. Eu escuto isso todos os dias. Também existem R$ 16 milhões que pertencem a todos os moradores de São José e temos expectativa que esse dinheiro retorne para todos os moradores.
Na sua opinião a cidade vive um clima de guerra? Porque a prefeitura instalou um portão no acesso do Paço, restringiu a entrada das pessoas e alterou o trajeto de linhas de ônibus na zona sul?É uma situação momentânea. Até que a questão do crime e dos vândalos seja normalizada. Agora quem vai determinar isso é a inteligência da Polícia Militar. Essas ações garantem a segurança dos usuários de ônibus e das pessoas que frequentam a prefeitura. Nós não podíamos colocar em risco a segurança das pessoas.
Arte Pinheirinho 6

Advogado acusa tucano de omissãoSão José dos Campos
Lideranças do movimento sem-teto acusam o prefeito Eduardo Cury de suposta omissão nas negociações para a regularização do acampamento do Pinheirinho.
Eles cobram a desapropriação da área para a construção de um conjunto habitacional voltado a famílias carentes. E como medida paliativa defendem a distribuição do aluguel social à todas as famílias.
“Nós vamos continuar insistindo na desapropriação da área. Só a metade dela já atende a demanda de famílias”, disse ontem o advogado dos sem-teto, Antonio Donizete Ferreira, o Toninho.
“Acho ruim essa posição de não sentar na mesa para discutir uma solução para um problema social. Essas pessoas não irão sumir em um passe de mágica”, completou.

Divergências. O advogado também questiona o número de famílias apontado pela prefeitura.
“Muitas não fizeram o cadastramento em razão da forma truculenta como foram recebidos pela guarda municipal. E o número de 1.700 famílias foi levantado por eles mesmos durante o censo.”
Toninho disse ainda, que a sinalização do governador em oferecer aluguel social às famílias é fruto da mobilização dos moradores. “Nós indicamos a necessidade de 1.500 aluguéis sociais, e o prefeito ainda quer jogar areia nisso.”

domingo, 22 de janeiro de 2012

SÃO JOSÉ DOS CAMPOS/SP- PINHEIRINHO E A REINTEGRAÇÃO DE POSSE ( FOTOS )


22/01/2012 17h03 - Atualizado em 22/01/2012 17h29

PM diz que tomou em 40 minutos área invadida em São José dos Campos

Polícia cumpriu reintegração de posse do Pinheirinho neste domingo.
Número de presos chega a 16; uma pessoa foi ferida por guardas.

Renato JakitasDo G1 SP, em São José dos Campos*

Mulheres choram na região do Pinheirinho (Foto: Roosevelt Cassio/Reuters)Mulheres choram na região do Pinheirinho (Foto: Roosevelt Cassio/Reuters)
O comando da Polícia Militar afirmou neste domingo (22) que assumiu rapidamente o controle total da área invadida conhecida como Pinheirinho, em São José dos Campos, interior de São Paulo. Em entrevista coletiva realizada durante a tarde, porta-vozes da corporação informaram que a PM chegou por volta das 6h e às 6h40 já dominava todos os pontos de entrada da região, que abrigava cerca de 1,6 mil famílias.
A expectativa é que a remoção dos quase 7 mil moradores ocorra até as 20h deste domingo. “O processo de retirada é mais complexo, pois envolve a visita de casa em casa com a presença de um oficial de Justiça. A gente retira o morador, que é encaminhado para o ponto de cadastramento da Prefeitura”, disse o coronel da PM Manoel Messias Mello, responsável pela operação.
Em nota, a Prefeitura de São José dos Campos afirmou que, até as 14h30 deste domingo, assistentes sociais atenderam 235 famílias, totalizando cerca de 900 pessoas. Desse total, 120 famílias estão de mudança para outros endereços na cidade, 56 estão em abrigos temporários e 54 foram encaminhadas para alojamentos.
A administração municipal acrescentou que forneceu passagens para outras quatro famílias, que seguirão para suas cidades de origem. A nota da Prefeitura acrescenta que todos “receberam alimentação, apoio social e apoio para transporte e guarda de seus móveis e utensílios”.
O efetivo da polícia na ação era de 2 mil homens. Eles foram recrutados das cidades vizinhas e de São Paulo. Cerca de 220 veículos, um carro blindado e dois helicópteros Águia, além de 40 cães e 100 cavalos, participaram da operação.
Segundo a polícia, o processo de desocupação seguia avançado nesta tarde. “A gente tinha previsão de que demorasse mais [para concluir a desocupação], mas nos surpreendemos. Muitas casas já estavam vazias e, de uma forma geral, as pessoas foram pacíficas. A gente enfrentou mais resistência fora do Pinheirinho, com seis carros queimados, do que dentro”, disse o oficial. Entre os carros queimados está uma unidade móvel de jornalismo da TV Vanguarda, afiliada da TV Globo no Vale do Paraíba. Ninguém ficou ferido.
Unidade móvel da TV Vanguarda foi queimada durante reintegração (Foto: Mario Ângelo/Sigmapress/AE)Unidade móvel da TV Vanguarda foi queimada durante reintegração (Foto: Mario Ângelo/Sigmapress/AE)
Presos
O coronel Mello disse que 16 pessoas foram presas na ação. Segundo a PM, todos eram moradores ou ativistas ligados a movimentos contrários à desocupação. Eles tentavam impedir o avanço das tropas com barricadas nas principais vias de acesso da área. Os presos foram levados ao 3º Distrito Policial de São José dos Campos. Segundo a Polícia Civil, às 17h todos já haviam sido liberados.
A polícia também informou que localizou algumas armas brancas dentro de casas no Pinheirinho. “Foram lanças improvisadas, como facas amarradas em pedaços de pau, paus com pregos na ponta e coisas do tipo”, disse o coronel César Augusto Morelli, que comanda o policiamento de choque da PM.
Ainda nesta tarde, um grupo de manifestantes bloqueou por mais de 30 minutos a pista sentido Rio da Via Dutra em protesto contra a reintegração de posse. De acordo com a NovaDutra, concessionária que administra a rodovia, o protesto causou lentidão do km 133 ao km 162, em São José dos Campos e em Jacareí. Às 16h55, a pista estava totalmente liberada e não havia congestionamento.
Conflito entre juízes
Uma oficial de Justiça foi até a ocupação, por volta das 11h, entregar uma decisão do juiz federal de plantão Samuel de Castro Barbosa Melo, que suspende a ação. A ordem era direcionada aos comandos da Polícia Militar, da Polícia Civil e da Guarda Municipal. Segundo a oficial, quem recebeu o documento foi o juiz estadual Rodrigo Capez, que acompanha a reintegração. Ainda de acordo com a oficial de Justiça, Capez disse que há um "conflito de competências" e que não vai acatar a ordem da Justiça Federal. Ele manteve a desocupação do assentamento.
Ferido e socorridos
De acordo com a Prefeitura de São José, um homem foi baleado em confronto com a Guarda Civil no momento em que tentava invadir um ginásio poliesportivo no Campo dos Alemães. Ele passou por cirurgia no Hospital Municipal e seu quadro era considerado estável. O centro é onde tendas foram montadas para que o moradores sejam encaminhados ao sair das casas.
Ainda de acordo com a Secretaria de Saúde, duas pessoas foram atendidas em estado de choque na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Campo dos Alemães. Elas estavam nervosas, mas sem ferimentos.
Invasão
O terreno de mais de 1 milhão de metros quadrados foi invadido há 8 anos e pertence à massa falida de uma empresa do especulador Naji Nahas. No local vivem cerca de 1.600 famílias, cerca de 5.500 pessoas, segundo o censo da Prefeitura. Com o tempo, o Pinheirinho se tornou um bairro, com comércios e igrejas.
* (Com informações do VNews)
PM impede a entrada na área conhecida como Pinheirinho (Foto: Renato Jakitas/G1)PM impede a entrada na área conhecida como Pinheirinho (Foto: Renato Jakitas/G1)

SÃO JOSÉ DOS CAMPOS/SP- PINHEIRINHO E A REINTEGRAÇÃO DE POSSE ( FOTOS )

FOTOS JORNAL O VALE
Fotos de Cláudio Vieira, Cláudio Capucho, Aurélio Moreira, Marcelo Caltabiano e Roosevelt Cássio 
Reintegração de posse da área do Pinheirinho Reintegração de posse da área do Pinheirinho Reintegração do Pinheirinho

Confira a galeria de fotos da reintegração de posse do Pinheirinho

Reintegração de posse da área do Pinheirinho
Roosevelt Cássio/O VALE
Reintegração de posse da área do Pinheirinho
Roosevelt Cássio/O VALE
Reintegração de posse da área do Pinheirinho
Roosevelt Cássio/O VALE
Reintegração de posse da área do Pinheirinho
Roosevelt Cássio/O VALE
Reintegração de posse da área do Pinheirinho
Cláudio Vieira
Reintegração de posse da área do Pinheirinho
Cláudio Vieira
Reintegração do Pinheirinho
Marcelo Caltabiano/O VALE
Fotos de Cláudio Vieira, Cláudio Capucho, Aurélio Moreira, Marcelo Caltabiano e Roosevelt Cássio
Reintegração de posse da área do Pinheirinho
Carro da TV Vanguarda foi queimada durante a reintegração do Pinheirinho
Reintegração de posse da área do Pinheirinho
Reintegração de posse da área do Pinheirinho
Reintegração de posse da área do Pinheirinho
Reintegração de posse da área do Pinheirinho
Reintegração de posse da área do Pinheirinho
Carro da TV Vanguarda é queimado